Primeira postagem no blog, pretendo utilizar o jogo de sábado contra o Southampton para abrir as discussões sobre o desempenho do Liverpool, discussões que, creio eu, devem fazer eco durante toda a temporada.
Comecemos retomando dois ditados clássicos do mundo futebolístico: por um lado, um time se constrói a partir da defesa, e, por outro, um grande time começa com um grande goleiro. Quando se trata do Liverpool, ambos os ditados apontam para críticas ao Brendan Rogers. Para começar, é impressionante como uma defesa relativamente segura na época do Dalglish se torna essa bagunça que é atualmente a defesa dos Reds. Não quero dizer que gostava do modo como o King of the Kop organizava a sua defesa, sempre a achei muito passiva, sem o Lucas então era um terror, dando a impressão, inclusive, de que faltava empenho e garra aos jogadores. Com o Rodgers o time ganhou, em alguns jogos, a marcação pressionada ainda no campo do adversário, contudo, o time ainda mantém uma "marcação posicional" - de ocupação de espaços, mais do que de agressão na tentativa de retomar a posse - e uma defesa que, muitas vezes, joga muito recuada (em parte, imagino eu, por causa do Skrtel que é lento - e truculento), o que permite que até times tecnicamente inferiores tenham a possibilidade de chegar à área do time de Anfield. Dito isso, é fundamental reconhecer a importância do Lucas para a formação do time, ele é o cara na marcação à frente da área e que permite que os zagueiros se ocupem dos atacantes adversários. Se é verdade que com o volante brasileiro a organização defensiva do time melhora muito, é necessário notar um problema (de vários) na montagem do elenco do Liverpool: não há um jogador que faça, mesmo que num nível inferior, o mesmo papel que o Lucas. Na época do King Kenny quem fazia esse trabalho era o Spearing (que é um jogador abaixo da média, mas que, inegavelmente, era incansável na marcação), agora quando o brasileiro não tem condições de jogo temos que aturar o insosso do Allen jogando de primeiro volante (quando o já cansadíssimo Gerrard não é deslocado para esse papel), que mais ocupa espaço do que marca de fato. Fica um pensamento: é impressionante a quantidade de jogadores que atuam como midfielders cuja única qualidade é um passe relativamente bom. Penso nisso numa comparação com o Denilson, atualmente emprestado pelo Arsenal ao São Paulo, que só conseguiu algum destaque quando um jogador que realmente marca passou a atuar ao seu lado (me refiro, obviamente, ao Wellington). Feita essa observação, cabe uma outra em sentido contrário: como, no Brasil, falta à boa parte dos volantes e meio-campos (mas não só) um pouco mais de qualidade de passe. Isso permitiria um jogo menos "corredor" (ou seja, com pausas, um jogo um pouco mais técnico). No Liverpool, entretanto, o que falta é a "correria" e a habilidade porque aos seus jogadores técnicos falta habilidade, falta força, falta vontade, falta poder de decisão, falta objetividade, agudeza. É aí que se encaixam Allen, Henderson, Downing, que podem ser jogadores úteis (na verdade diria que só o primeiro), mas que nunca, repito: nunca, podem jogar juntos a não ser se for para causar sono no espectador.
Chegamos então na questão do goleiro. Reina, que faz um começo de temporada medonho (como, aliás, foi a sua última temporada), estava machucado e o Brad Jones (sinceramente não sei porque não o Doni) vinha jogando bem, ou relativamente bem. Fica a pergunta: você tem um goleiro renomado que não está bem e se machuca, entra outro em seu lugar e o cara não deixa a desejar, por que, quando recuperado, o "famoso" volta? Para mim só há uma resposta: o técnico não tem colhões para deixá-lo na reserva e é por isso, na minha opinião, que o Gerrard continua sendo titular absoluto. É por esse mesmo motivo que ele evita tirar o "jogador sensação" Sterling (um jogador mais corredor, embora tecnicamente limitado e sem grande habilidade) não sai do time, mesmo tendo o Suso (mais técnico, mais habilidoso, menos rápido).
Ia falar do jogo em si e acabei não falando, de qualquer forma pontuei algumas questões que queria destacar, a maioria delas indica um problema: Brendan Rodgers não vem se mostrando o cara para a posição e isso se evidencia na montagem do elenco. No próximo jogo, a principio, o Liverpool não contará, a menos que vá buscar na base, com um atacante de ofício... pra um ataque que já não é lá essas coisas perder seu único jogador agudo, decisivo, vai ser um problema. Além disso, suas três principais contratações - Allen, Borini e Assaidi - se mostraram mais jogadores para compor o elenco do que para tornar o time titular melhor, ora, se o time titular não é bom o suficiente não é estranho que se use a verba para reforçar o banco? Ou melhor, com jogadores que não vêm para ser aqueles que decidem?
Passo, agora, para uma avaliação dos jogadores em campo:
Reina - não passa mais segurança nenhuma. Não adianta falar que ele é um grande repositor de bolas, o primeiro serviço de um goleiro (e olha que isso vem de um sãopaulino, fã do Rogério Ceni) é defender e passar segurança à defesa. 4,0
Johnson - um dos jogadores mais habilidosos do elenco, tem alguma dificuldade na marcação, mas fez um bom jogo. Com a volta do Lucas tende a melhorar seus desempenhos. 6,0.
Skrtel - pelo que vem jogando já merece uma passada pelo banco de reservas. 5,0.
Agger - garantiu a vitória, suas atuações vêm sofrendo com as dificuldades defensivas do time (no qual ele toma parte, uma vez que parece tentar fazer, sempre, mais do que o seu papel, muitas vezes se complicando), mas hoje foi bem. 7,0.
José Enrique - um dos seus melhores jogos com a camisa do Liverpool. Felizmente o Brendan Rodgers voltou a escalá-lo como lateral e não como ponta e ele correspondeu, jogando simples, sem inventar, pode conseguir se manter no time. 6,5.
Lucas - voltando de contusão, ainda não está 100%, mas dá um pouco de agressividade a um sistema defensivo extremamente passivo. 6,5.
Joe Allen - o de sempre, jogou um pouco mais a frente. 6,0.
Gerrard - quem? era para ser um dos jogadores decisivos do time, mas parece cansado... 5,5.
Shelvey - jogando na posição em que vinha jogando o Suso, não se detacou e ainda perdeu algumas boas chances. 6,0.
Sterling - jogo terrível. Não acertou nada. 4,0.
Suarez - único jogador agudo, sempre causa problemas para os adversários, pena que joga praticamente sozinho... 7,0.
Carragher e Henderson: o primeiro, para mim, poderia ser mais utilizado, principalmente porque o Skrtel não está bem e porque ele tem gana, tem vontade; o segundo, é exatamente o contrário, insosso como o Allen, mas bem pior.
Downing - nota 9,0, não comprometeu, o que já é um grandessíssimo acontecimento, manteve os bancos do Anfield quentinhos. Trofeu Michael Owen para ele.
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