quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Rodgers fala sobre Coutinho, Arsenal e Carra



O técnico do Liverpool, Brendan Rodgers, falou sobre seu orgulho depois do eletrizante empate por 2x2 com o Arsenal na noite de quarta-feira, insistindo que apresentações como a do Emirates Stadium provam que seu time está no caminho certo

Os comandados de Rodgers construíram uma vantagem de dois gols depois de uma hora de jogo em Londres, cortesia de mais um gol de Suarez e de um incrível esforço individual do meio-campo Jordan Henderson.
Uma resposta rápida dos Gunners, com gols de Olivier Giroud e Theo Walcott, forçou os Reds a se conformar com 1 ponto em sua viagem ao sul. O técnico, no entanto, estava contente no final do jogo.
Quando os repórteres lhe pediram uma análise do jogo, o norte-irlandês afirmou: “Meu primeiro sentimento é de verdadeiro orgulho. Nós jogamos contra o Arsenal no começo da temporada e foi um desapontamento. Eu sempre imaginei que este jogo ia ser o ponto de referência sobre como nós estamos progredindo. Foi um jogo que nós deveríamos ter ganhado – não ganhamos, mas mostramos poder de recuperação e qualidade e tivemos chances para fazer outros gols. Estou muito orgulhoso do time. Eu acho que nós provavelmente não conseguimos manter o 2x0 pelo tempo necessário. Eu estava tentando colocar o José Enrique em campo pela esquerda porque Luis tinha perdido um pouco de força. Ele é muito trabalhador, mas foi a primeira vez que ele jogou naquela posição. José, no entanto, não conseguiu entrar logo e num espaço de cinco minutos o jogo estava empatado. É uma dessas coisas que acontecem, o Arsenal é um time maravilhoso. Nós estamos desapontados que eles tenham conseguido empatar, mas nós mostramos grande poder de recuperação e, na verdade, podíamos ter ganhado.”
Suarez, que agora tem 22 gols nessa campanha, abriu o placar para os visitantes por volta dos 5 minutos no Emirates – um cenário que Rodgers quer que se repita mais vezes, principalmente depois da derrota para o Oldham no fim de semana.
O chefe continuou: “Domingo foi mais minha culpa do que deles. Eu acredito muito nos jogadores jovens – nós confiamos muito neles. O problema é que se eu coloco muitos deles em campo e não conto com os jogadores maiores, é difícil. Foi isso que aconteceu no domingo e nós, evidentemente, estamos desapontados de sair da competição. Eu, no entanto, sempre achei que nós reagiríamos. Esses jogadores têm sido brilhantes e vêm progredindo o tempo todo. A performance de hoje à noite é mais uma prova disso. Nós tentamos reforçar a mensagem de que é importante começar bem – contra o Manchester United nós fizemos um ótimo segundo tempo, mas não começamos bem. Contra o Tottenham fomos muito bem por 70 minutos, mas nos complicamos depois. No fim de semana, contra o Oldham, nós começamos muito mal. Hoje foi importante porque nós começamos com o pé direito. Isso nos dá confiança e ritmo e cria um ambiente bom no jogo – eu fiquei muito contente que nós conseguimos isso.”
O Liverpool ainda não conseguiu sequer uma vitória contra times que estão acima da 6ª posição na Premier League, mas essa estatística não preocupa Rodgers que afirma que o progresso observado é motivo de otimismo.
“Eu não estou muito preocupado – nós poderíamos ter batido o Manchester City no começo da temporada, nós, muito provavelmente, poderíamos ter ganhado hoje”, disse o técnico de 40 anos.
“Tomara que as pessoas estejam vendo isso, mas, mais importante, é que eu vejo um grupo que está constantemente se aprimorando. Nós podemos ir e ganhar do Manchester City e se nós conseguirmos 4 pontos desses 2 jogos nós vamos mostrar que estamos realmente caminhando no rumo certo.”
Uma parte do progresso do Liverpool se deve ao fato de o time vir reforçando o elenco durante a janela de transferências de janeiro, com Philippe Coutinho seguindo Daniel Sturridge como novo reforço.
Perguntado sobre a aquisição do brasileiro, Rodgers comentou: “Eu adoro jogadores que podem fazer a diferença quando estão perto da área. Ele é um jovem jogador que já participou de mais de 100 jogos, muitos deles no primeiro nível. Eu o conheço desde que ele tinha 15 anos e vi ele se destacando pela seleção brasileira. Ele é muito talentoso e muito técnico, ele tem ritmo, resistência e poder. Ele é flexível – pode jogar no meio ou pelos lados. Vai ser excitante vê-lo jogar, trata-se de uma grande aquisição para a liga. Eu estou ansioso para ajudar no seu desenvolvimento e para vê-lo jogar. Eu tive uma boa impressão dele quando ele estava no Espanyol ano passado, ele é um jogador com verdadeiro talento e um bom e promissor jogador – mas também um bom profissional e isso é fundamental também.”
O diretor Ian Ayre afirmou que os Reds disputaram com outros times a assinatura de Coutinho e Rodgers destacou que a história do Liverpool foi um ponto importante para que o brasileiro o escolhesse. “Haviam outros interessados, mas um clube como o Liverpool sempre vai atrair os grandes jogadores por causa de sua história”, disse o técnico. “Mesmo que nós não estejamos na posição que queremos estar, a história desse clube sempre vai fazer com que os melhores jogadores queiram jogar aqui. Foi uma grande conquista para nós porque a Inter de Milão não queria vendê-lo, mas assim que nós pensamos que ele poderia ficar disponível, nós fizemos tudo o que podíamos para trazê-lo. Agradecemos que ele tenha escolhido o Liverpool.”
Ainda sobre essa questão, o norte-irlandês se disse contente com o modo como o Liverpool conduziu os negócios durante esse mês e sugeriu que não haverá mais contratações. Rodgers acrescentou: “Daniel Sturridge vem jogando muito bem desde que chegou e é evidente o quanto ele contribui para o time. Coutinho chega como um jovem jogador que tem bastante experiência e muito potencial. Ele é alguém que pode já chegar jogando porque é um grande jogador. Os donos do time vêm apoiando o que nós temos tentado fazer. A cada janela de transferências nós ficamos cada vez melhor. Não acho que nesta janela haverá outras contratações.”.
O técnico ainda guardou alguns elogios para um jogador que chegou a muito tempo em Anfield: Jamie Carragher. O zagueiro veterano fez 35 anos na segunda-feira, mas tem se destacado no centro da linha de 4 da defesa dos Reds nos últimos dois jogos.
“Eu não consigo dar a Jaime o credito devido, ele fez 35 anos na segunda e continua em forma – ele não deve nada ao que era antes,” falou um entusiasmado Rodgers. “Eu não consigo elogiá-lo o suficiente, seja como um profissional do futebol ou como ser humano. Ele tem sido incrível comigo nesse meu tempo de Liverpool. Os dois, ele e Steven Gerrard, qualquer técnico que vá a qualquer clube iria querer ter os dois sob seu comando. O apoio que Jamie e Steven têm me dado e o tanto que nós estamos nos esforçando tem sido incrível. Carra é um cara que foi um dos melhores defensores do futebol europeu por cinco ou seis anos. Talvez, nos últimos 18 meses, ele não tenha jogado tanto quanto gostaria, mas chegamos a um ponto em que eu, olhando ele treinando e jogando, não poderia mais deixá-lo de fora. Eu precisava da organização e da liderança que ele traz para o time.”.
Mais à frente no campo, Henderson marcou seu segundo gol depois de muitos jogos num lance que combinou determinação e habilidade, marcando depois de ter um pouco de sorte no rebote para fazer o 2x0.
Rodgers revelou sua alegria com o progresso recente do jogador de 22 anos: “Jordan está sempre melhorando. Ele tem um grande apetite para jogar.”, conclui o técnico. “Eu tinha falado com ele sobre a conclusão ou o passe final, mas ele tem uma força de vontade muito grande e, taticamente, tem evoluído muito. Eu acredito que ele vai se provar uma grande contração, mas vai levar algum tempo. Se você olhar para trás alguns anos no Liverpool, é comum que os jogadores cheguem e demorem uns dois anos para, de fato, se firmarem. Esses jogadores chegam com 18, 19 ou 20 anos e vão direto para o time principal. Demora algum tempo, mas Jordan está demonstrando que vai ser um bom jogador.”

Fonte: http://www.liverpoolfc.com/news/latest-news/rodgers-on-coutinho-arsenal-and-carra
Autor: @shawct

Arsenal 2x2 Liverpool, 30 de janeiro de 2013

Um time do Liverpool pequeno. É esse o time do Liverpool desse ano. Um time que sente quando é pressionado, que não consegue se manter com a bola e que vive de Suarez. Em um jogo medonho de Johnson, de Lucas e de Gerrard, o empate com o Arsenal não é ruim, mas é sintomático. Ele demonstra claramente que o Liverpool desse ano nem ao menos consegue ser o time encardido do ano passado. Um time que contra os grandes parecia O Liverpool, hoje em dia é um time que, contra os grandes, parece o Arsenal. Não deixa de ser interessante que o Arsenal (talvez, o time mais pipoqueiro de toda a Europa na atualidade) tenha ido buscar o empate após estar perdendo por 2x0, enquanto o Liverpool, mais uma vez, após estar ganhando o jogo deixou os pontos escaparem. Não é preciso ter uma grande memória para lembrar que algo semelhante aconteceu contra o Man. City, contra o Stoke, etc. etc. A presença do Carragher no time titular é a injeção de anticorpos contra essa "pipoqueiragem" que vem tomando conta dos Reds, o Gerrard também podia ser, mas parecia o Henderson ou o Wisdom com a bola no pé. O que dizer do Johnson, então, que, talvez, tenha feito o seu pior jogo com a camisa do Liverpool, e olha que foram muitos jogos bastante ruins. Não marcou ninguém, não pressionava, estava sempre a dois metros do jogador que deveria estar marcando. Aliás, essa é uma marca da marcação (se é que pode ser chamada assim) do time do Liverpool, nunca ser pressionada, nunca ser eficiente, nunca incomodar. O Lucas estava perdidinho em campo e esse parece ser o destino dele para todo o resto da temporada. Em um time que não marca ninguém e cujo (gênio) técnico prefere sacrificar o Suarez na marcação e deixar o Sturridge, o craque, no "bem-bom".
O Brendan Rodgers, no segundo tempo, renovou a ideia de que é um "comentarista de jogo acabado". Demorou para perceber a fragilidade do lado esquerdo de sua defesa, quando percebeu já tinha tomado dois gols. Mesmo assim, na minha opinião, mexeu mal no time, fez uma substituição típica de time pequeno que, depois de perder a vantagem que tinha no placar, reforça a marcação para garantir pelo menos o empate. Esse é o Liverpool de hoje em dia.

Avaliação dos jogadores:

Reina: não teve culpa nos gols do Arsenal, deu uma engrossada quando foi exigido em recuos, 6,0.
Wisdom: fez o arroz com feijão, morre de medo da bola, quando ela chega a seus pés ele entra em pânico, 5,0.
Carragher: tenta arrumar a defesa, hoje não foi o suficiente, 6,0
Agger: falhou no primeiro gol do Arsenal, 5,0
Johnson: medonho, participou do primeiro gol e depois, defensivamente, foi um pesadelo. Quanto estava com a bola nos pés deixou a desejar, 1,0.
Lucas: fez com que o Liverpool jogasse com um menos, não apareceu pro jogo, não marcou bem, 2,0.
Gerrard: um dos piores jogos com a camisa dos Reds, parecia um juvenil, 2,0.
Henderson: deu (muita) sorte no lance do gol e foi só, 2,0
Suarez: grande primeiro tempo, mesmo sendo sacrificado tendo que voltar na marcação fez o gol e deu um passe magistral para o Sturridge fazer outro (coisa que ele não fez). No segundo tempo, depois do empate foi adiantado e ainda criou uma boa chance no fim, 9,0
Downing: mais um jogo no estilão dele, 2,0.
Sturridge: pouco apareceu para o jogo, quando a bola chegou para ele não concluiu como deveria, 6,0.

José Enrique: entrou no segundo tempo e pouco fez, 4,0.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Liverpool 5x0 Norwich, 19 de janeiro de 2013

Para começar, Brendan Rodgers chegou hoje próximo do time que, segundo me parece, deve ser o titular do Liverpool. Com o Brad Jones e Carragher no lugar de Reina e Skrtel, o técnico premia o mérito; na atual temporada os dois primeiros vem sendo melhores. O mesmo ocorre em relação à presença do Henderson no time titular, uma vez que ele vem jogando melhor do que o Allen que, na minha opinião, atualmente disputa vaga no time com o Lucas que ainda não voltou aos seus melhores momentos. A escalação do Sturridge como titular eram favas contadas, ele torna o time mais agudo, quanto a isso não há dúvida. Onde ainda há dúvida é na lateral direita (uma vez que o Johnson está jogando na esquerda), o Wisdom é muito fraco tecnicamente, e na posição do Downing que, depois de um grande jogo, voltou à modorra que lhe é própria.
O Liverpool dominou completamente o Norwich que jogou numa formação muito defensiva, dependendo quase exclusivamente da força física do Holt. Suarez e Sturridge vão demonstrando o quanto fez falta ao time um outro atacante que fosse rápido e inteligente (e o Sturridge nem é um grande jogador). Este jogo foi, provavelmente, o mais fácil dos Reds na temporada.
O que preocupa, no entanto, são os rumores de tentativa de contratação do Coutinho, não por ser o Coutinho, mas porque o Liverpool precisa de jogadores de renome, que venham para ser titular e que imponham respeito. O jogador brasileiro pode ser uma boa aposta, mas o time de Anfield precisa de "certezas" porque o time depende demais do Suarez e do Gerrard.

Avaliação dos jogadores:

Jones: não teve trabalho, 7,0.
Wisdom: falta classe a ele, sobra força, mas hoje fez o feijão com arroz, 6,0.
Carragher: experiência, tranquilidade e seriedade, 7,0.
Agger: assim como toda a defesa teve pouco trabalho, 7,0
Johnson: bom jogo, 7,0.
Lucas: firme na marcação, 7,0.
Gerrard: jogando como um armador recuado que, no entanto, chega na área, fez um bom jogo, arriscando de longe e procurando e distribuindo bem a bola, 7,5.
Henderson: golaço para abrir o placar. Mais confiante, vem se revelando o titular da posição, mesmo não sendo um meia criativo, 7,5.
Downing: o de sempre, morrendo de sono, 6,0.
Sturridge: bom jogo, está se entendendo bem com o Suarez, fez o seu terceiro gol em três jogos, um em cada (o que não ocorria desde Ray Kennedy, 1974). Belíssimo corta-luz para o gol do Luisito 7,5.
Suarez: lutando muito, fez o seu e deu muito trabalho para os adversários, 7,5.

Sterling: uma opção para o Downing, mas acho que essa é uma posição em que o clube ainda precisa se reforçar. Hoje, o jogador inglês foi incisivo, participando diretamente do último gol, 7,0.
Borini: quem? 6,0.
Allen: pouco participou do jogo.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Manchester United 2x1 Liverpool, 13 de janeiro de 2013

As palavras do capitão Steven Gerrard foram proféticas: "você não vai ganhar nada com garotos". Não é preciso dizer praticamente mais nada, além do fato de que a grande maioria dos jogadores do Liverpool não tem qualidade e experiência suficiente para vencer os grandes jogos. Os resultados provam isso. Os Reds não venceram o United, o City, o Arsenal, o Chelsea e o Tottenham esse ano. E o Brendan Rodgers é, em grande parte, culpado por isso. Basta que nos lembremos que, talvez, a principal qualidade do time do Kenny Dalglish era a atuação nos "jogos mais importantes". As opções do atual técnico do Liverpool para esse jogo também deixaram a desejar: colocar o Wisdom na direita e trazer o Johnson para a esquerda implica retirar um jogador duma posição em que ele se sente confortável e vem jogando relativamente bem, para arriscá-lo em outra, além do fato de que você vai ter um sempre inseguro (e tecnicamente limitadíssimo) Wisdom na lateral direita. Não seria mais fácil simplesmente colocar o Robinson na esquerda? Outra opção discutivel é a troca do Henderson (que, sabe-se lá Deus como?) vinha jogando bem pelo queridinho do treinador: Allen, que simplesmente sentiu o tamanho do jogo. Pois é, um jogador de £12 milhões que pipoca quando o time precisa dele, é esse o tipo de jogador que o Rodgers parece preferir. Esse é mais um dinheiro que nunca será recuperado, ou você acha que ele vai render o suficiente para pagá-lo ou que algum outro time vai se propor a pagar esse valor por ele futuramente? Outra questão interessante é o que o Sturridge estava fazendo no banco? Ele não veio para ser titular? Ou simplesmente estava no banco pelas grandes recentes atuações de Downing e Sterling?
Rodgers cada vez mais vem se mostrando um técnico de time pequeno que quer jogar como time grande e vai levando o Liverpool junto com ele. O que se viu em campo hoje foi um time sem personalidade nenhuma, com jogadores que são coadjuvantes e que colocam os Reds nessa posição.
Fora isso, foi um jogo tecnicamente fraco, com o Manchester United abrindo o placar numa falha de marcação do Liverpool e depois simplesmente cozinhando o jogo, esperando por mais falhas. Isso porque apesar de um ataque forte com o Van Persie (hoje o Rooney não estava jogando), o que se vê é mais um time bem organizado (coisa que o Liverpool não é), mas que tecnicamente é bem fraquinho.

Avaliação dos jogadores:

Reina: impotente diante de um sistema defensivo ridículo, 4,0
Wisdom: medonho, um dos piores jogadores que já vi jogar, 1,0
Skrtel: pesado, quando os jogadores foram para cima dele, levaram a melhor, 3,0
Agger: falhou na marcação no primeiro gol, 3,0
Johnson: já não é um grande jogador, atuando pela esquerda fez um jogo fraco, 2,0
Lucas: muito mal, perdido em campo, 2,0
Allen: junto com o Wisdom, o pior em campo. Sentiu o jogo 1,0
Gerrard: não fez uma boa partida e o time precisava que ele fizesse, errando passes bobos, principalmente no primeiro tempo 4,0
Downing: apático, 2,0
Sterling: perto do resto do time até que não foi tão mal, procurou jogo e quando teve chance foi para cima dos adversários 4,0
Suarez: correu, lutou, mas, bem marcado, não conseguiu produzir, 4,0

Sturridge: por que não começou jogando? Deu mais presença ofensiva ao time 6,0
Borini: quem? 2,0
Henderson: pouco tempo, sem nota

Brendan Rodgers: ridículo. Colocou em campo o time errado, depois, no segundo tempo, foi para o desespero. Técnico desequilibrado, time desequilibrado 1,0

sábado, 12 de janeiro de 2013

Suarez é um jogador difícil de se jogar contra, mas mesmo assim você quer ele no seu time


 Gary Neville

Ele ganha £80.000 por semana. Ele devia ser mais consciente. Ele devia ser um exemplo para as crianças. Isso é o que nós esperamos de nossos jogadores de futebol. A remuneração que eles recebem demanda um certo nível de comportamento.
Isso é o que muita gente diria e, por esse lado, eu não tenho como argumentar. Quando eu consegui meu primeiro contrato, o técnico do time júnior, Eric Harrison, me disse: “Você é um jogador do Manchester United agora”. Isso implica que certos padrões são esperados. E, conforme você vai crescendo, você percebe que estará marcado como um jogador do United – suas atitudes e comportamentos sempre serão discutidos e questionados.
Mas o que eu nunca vou aceitar é que as pessoas façam uma relação direta entre o tanto de dinheiro que você ganha e o seu comportamento, como se um novo contrato de £80.000 por semana fosse automaticamente trazer um certo nível de responsabilidade.
O seu caráter não é determinado pelo seu saldo bancário. Ele se desenvolve durante 20 anos de crescimento em contato com diferentes experiências – algumas boas, outras ruins – através da educação e do aconselhamento e exemplo dos pais. Um contrato de £4 milhões por ano não muda isso da noite para o dia.
Conforme eu assistia o debate sobre o impulso de Suarez de colocar a mão na bola eu detectei uma pressa em julgar um jogador de futebol, em castigá-lo sem parar para pensar em quão diferente suas experiências de vida são.
Apesar de ter 25 anos, Suarez está na Inglaterra a apenas dois. Ele ainda está se adaptando. Esse é um garoto que cresceu jogando bola nas ruas do Uruguai, que tem experiências e vem de um contexto completamente diferente dos daqueles que estão lendo esse jornal. Aqueles foram os anos em que seu caráter foi formado. Então você é trazido para um esporte internacional com certas expectativas de comportamento e certas regras e regulamentos que talvez não existissem no lugar e no momento em que você aprendia a jogar.
Na maioria das profissões você constrói a sua carreira aos poucos, cometendo seus erros quando você ainda é jovem, antes de conseguir grandes remunerações. Quem não conhece algum jovem que foi repreendido ou demitido por julgar erroneamente uma situação em seu emprego? Normalmente isso ocorre no começo da carreira e você deve aprender com isso. No futebol não é assim: o dinheiro e a reputação vêm ainda quando você é jovem, a maturidade só vem depois.
É por isso que eu acho que há tantas opiniões apaixonadas sobre Suarez. Os torcedores adversários o desprezam e ele é um adversário difícil de se jogar contra. Eu sei que se eu estivesse hoje em campo contra ele nós nos estranharíamos. Um de nós dois entraria mais forte num carrinho ou deixaria um cotovelo para atingir o outro. Na melhor das hipóteses nós discutiríamos em campo alguma hora porque ele é o tipo de jogador que tira você do sério.
Entretanto, eu digo uma coisa: ele é exatamente o tipo de jogador que você quer em seu time. Se você é um torcedor, você adoraria torcer por ele.
Os torcedores do Liverpool cantam: “Nós sonhamos com um time só de Carraghers”. No entanto, agora, eles podem cantar também sobre um time cheio de jogadores como Suarez, um guerreiro que sempre está correndo atrás da bola, um dos jogadores mais habilidosos da Premier League, um cara que, nesta temporada, é o que mais vezes esteve com a bola dentro da área adversária.
Eu entendo que algumas pessoas nunca vão gostar dele. O abuso racial que ele cometeu contra Patrice Evra é totalmente inaceitável na Inglaterra, não importa que ele diga que aquela linguagem é aceita no Uruguai. Ele, no entanto, cumpriu sua punição por esse grave erro.
Mas e sobre as trapaças [cheating], o cai-cai e a falta de esportividade? Para mim, nada disso merece o destaque que a gente vem dando. Eu não vejo nenhum problema com o gol com o uso da mão contra o Mansfield, além do fato de que foi uma decisão equivocada que se deu contra um clube pequeno e que pode ter custado a ele um tão desejado jogo de volta. Mas eu nunca ouvi a palavra trapaça [cheat] sendo usada tão banalmente por ex-jogadores e comentaristas como nas últimas semanas. Trapaça, para mim, é o doping, é o arranjo de resultados, são ações tão desprezíveis que destroem a essência do esporte.
Um toque na mão ou uma falta num jogador na iminência de fazer o gol faz parte do jogo. As regras preveem essa possibilidade. Você ganha um pênalti – ou a expulsão ou a falta – e o jogo continua. Todos os esportistas estão conscientes disso. Isso é duro de aceitar, quando nem tudo parece acontecer de maneira justa, mas assim também é a vida. O que aconteceu contra o Mansfield foi uma injustiça, mas não foi uma trapaça.
Quando eu olho para Suarez eu vejo um grande jogador, um jogador que, você pode ter certeza, irá determinar a preparação de jogo do Man. United. Isso não é surpresa. Ele é um cara que não se dá por vencido. Nesse aspecto, ele é melhor que Fernando Torres, que você percebe que se abate quando as coisas não vão bem. O Suarez não. Ele estará te importunando, lutando o jogo todo, até mesmo quando toda esperança estiver perdida.
O Liverpool vem passando por tempos difíceis e eu tenho certeza que os torcedores sentem que ele representa o espírito do clube em campo, quase tão intensamente quanto Jamie Carragher e Steven Gerrard. Ele pode ter aprendido a jogar bola nas ruas de Salto e de Montevidéu, mas você quase pode imaginar ele crescendo nos arredores do Anfield, entre aqueles sobrados geminados, tamanho é seu comprometimento com o time. Os torcedores também sabem que o Liverpool vai ter que contratar mais alguns jogadores como ele, se quiser mantê-lo no clube por um longo tempo.
Suarez cometeu alguns erros e teve momentos dos quais irá se arrepender. Mas eu também tive alguns desses, especialmente nesse confronto; houve incidentes em relação aos quais eu fui multado e fui suspenso. É correto que as autoridades te punam quando você ultrapassa os limites. Com o tempo você vai aprendendo a controlar seu comportamento e amadurecer. Aos 25 anos, Suarez está se aproximando de um ponto em que ele precisa garantir que ocorram cada vez menos momentos controversos.
Hoje, talvez, faça bem a ele prestar atenção no seu oponente direto. Robin van Persie é o melhor atacante do país. Muitos o chamariam de um grande profissional. Ano passado ele foi, de longe, a melhor escolha para os prêmios de Jogador do Ano e da Associação Profissional dos Jogadores de Futebol.
Entretanto, quando ele tinha 20 anos, no Feyenoord, sua reputação era controversa. Seu técnico, Bert van Marwij, o chamou de “incontrolável”. Ele brigou em campo com a estrela do time, Pierre van Hooijdonk. Agora, com 29 anos, Van Persie amadureceu.
Levou tempo para que ele se transformasse num profissional modelo, mas você está se referindo a um ser humano com suas próprias experiências e motivações, não a um robô. Se Suarez conseguir fazer o mesmo, ele tem potencial para ser um jogador excepcional.

http://www.dailymail.co.uk/sport/football/article-2261403/Luis-Suarez-nasty-little-player-youd-want-team-Gary-Neville.html?ITO=socialnet-twitter-liverpoolmail&ns_mchannel=rss&ns_campaign=socialnet-twitter-liverpoolmail&utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed


COMENTÁRIO:
Beira o preconceito, mas, ainda assim, é um texto com uma perspectiva mais aberta do que os que normalmente se vê no contexto inglês. Essa "preconceitofobia" e a preocupação extrema com o politicamente correto tendem, pelo menos na minha visão, muitas vezes, a ser muito mais preocupantes do que muitas das manifestações que eles mesmo condenam.
Pensando, no entanto, nas diferenças culturais em relação ao futebol é interessante como, na Inglaterra, eles se centraram no jogador que utilizou a mão - seja nesse caso do jogo contra o Mansfield, seja no antigo, contra Gana -, enquanto no Brasil, pelo menos, me parece que a ênfase seria colocada na atuação do árbitro. Ora, o uso da mão por um jogador de linha é previsto nas regras do futebol, uma vez que a sua punição é estipulada, pensando desse modo, ela é um elemento que faz parte do jogo, embora seja considerado ilegal. Cabe, portanto, ao árbitro puni-la. O maior erro, portanto, seria o do árbitro e não do jogador.
Nesse sentido, creio, esse lance exemplifica duas atitudes diferentes em relação à autoridade, uma, a inglesa, que prega um respeito incondicional, e mesmo servil, às normas; outra, a que imagino ser mais comum no Brasil, de constante provocação, de contínuo questionamento e mesmo de desafio à autoridade que é vista como um orgão repressor, logo, como uma entidade que busca cercear a vida do indivíduo. Se aceita que ela puna, mas se reserva o direito de infrigir as regras, sempre.

Levantando as mãos: Steven Gerrard, do Liverpool, querendo gol à la Suarez contra o Man. United

David Maddock

Capitão admite que ele não confessaria ao árbitro se ele marcasse um gol com a mão no Old Trafford no domingo, e diz que nenhum jogador professional confessaria

 Steven Gerrard afirma que ele vai comemorar se marcar o gol da vitória com a mão no Old Trafford domingo. Além disso, o capitão dos Reds chamou de hipócrita qualquer um do Manchester United que diga que seu companheiro de time, Luis Suarez, estava errado em comemorar o gol depois de ter ilegalmente utilizado sua mão direita para eliminar o pequeno Mansfield da Copa da Inglaterra na semana passada.
Houve protestos contra o incidente, com a integridade de Suarez sendo mais uma vez colocada em questão, mas Gerrard acredita que qualquer um no futebol que acuse o uruguaio deve antes olhar para si mesmo severamente.
Quando perguntado se ele teria comemorado o gol se a bola tivesse batido na sua mão, o scouser sinceramente respondeu: “Olha, eu não vou mentir para vocês – é claro que eu ia comemorar. Eu não posso sentar aqui e afirmar que eu ia correr ao bandeirinha ou ao juiz e dizer: Eu usei a mão em Old Trafford. O que Wayne Rooney faria? O que fez Roy Carrol (antigo goleiro do Manchester United) anos atrás quando a bola bateu quatro jardas dentro do gol? Eu nunca vi Alex Ferguson ou Carroll correr até o juiz ou até o bandeirinha e dizer que a bola tinha passado a linha, você viu?”
Ferguson colocou mais lenha na fogueira de Suarez antes do clássico de domingo, mas Gerrard está convencido que o atacante não fez nada errado no incidente em Mansfield e acredita que o sul-americano está sendo condenado apenas por sua reputação.
“Isso é futebol. Essas coisas acontecem. Você não está pré-disposto a usar a mão e eu não acho que Suarez estava”, acrescentou Gerrard. “Você percebe isso pelo jeito que ele chutou a bola para o gol – ele estava esperando que o juiz anulasse o gol. Eu não vou dizer que é o certo, mas o Mansfield nunca teve um pouco de sorte numa decisão do árbitro, um gol que estava impedido ou uma bola na mão? Desse modo, eu não acho que teria sido feito tamanho circo se quem tivesse utilizado a mão fosse Daniel Sturridge [e não Suarez].” As palavras de Ferguson – embora não haja provavelmente nenhum jogador que, na situação em que Suarez estava, teria avisado o juiz de seu toque com a mão – ameaçaram colocar ainda mais combustível num jogo já quente que, em anos recentes, tem gerado grandes controvérsias.
Somente o Merseyside Derby produziu mais cartões vermelhos na nova Premier League do que Liverpool x Manchester United, e a questão do racismo envolvendo Suarez e Patrice Evra levou o clássico a um de seus piores momentos.
Apesar de tudo isso, Gerrard acredita que há beleza no jogo que ele afirma ser a maior rivalidade do futebol.
“É um grande confronto e ainda é o principal jogo para os dois clubes,” ele explicou. “Eles obviamente estão a nossa frente em títulos da liga, mas nós ainda temos mais copas europeias que eles – então a rivalidade será mantida por muitos anos ainda. O Manchester City tem seus novos donos e essas coisas, mas Alex Ferguson disse ano passado que o jogo contra o Liverpool ainda é o maior – e para nós também é assim.”
Assim como Gerrard espera que ele possa comemorar em campo no domingo, o clube também tem comemorado o fato de que os seus antigos donos, Tom Hicks e George Gillet, finalmente desistiram de suas ações alegando que foram prejudicados na venda forçada do Liverpool.
Os dois americanos alegaram uma grande fraude feita por instituições britânicas e estavam reivindicando bilhões de libras em compensação pelas suas perdas depois de serem forçados a vender o clube por mais ou menos £200 milhões.
No entanto, depois de não conseguir os fundos necessários para demonstrar segurança financeira, permitindo que o caso fosse adiante em abril, suas ações foram definitivamente postas de lado, com todas as alegações contra os diretores que arranjaram a venda – Martin Broughton, Christian Purslow e Ian Ayre – sendo retiradas.
Em nota oficial foi explicado que um acordo confidencial foi realizado, mas o Daily Mirror acredita que não tenha sido paga nenhuma compensação, uma vez que o Tribunal Superior determinou que o caso não prosseguiria sem a apresentação dos fundos necessários a Hicks e Gillet.
[Segue abaixo vídeo do gol do Tottenham contra o Manchester United no Old Trafford a que se refere o capitão do Liverpool:] 



 Fonte:
http://www.mirror.co.uk/sport/football/news/manchester-united-vs-liverpool-steven-1529907


COMENTÁRIO:
Acho importante que o capitão do Liverpool, e também da Inglaterra, venha se manifestar no sentido que ele fez, justamente por deixar à mostra o fato de que a imprensa inglesa vem tratando com dois pesos e duas medidas todas as situações que envolvem o Suarez. O fato de o jogador ter feito um gol com a mão não é, de modo algum, motivo para que se coloque, novamente, em questão o seu caráter e, principalmente, para que se faça o circo que tem sido feito em cima de qualquer atitude de Suarez.

Você não consegue ganhar nada com garotos, afirma Gerrard (onde já escutamos isso antes?)

Lee Bryan

O capitão do Liverpool, Steven Gerrard, alertou Brendan Rodgers a não depositar todas as suas esperanças em jovens, uma vez que o técnico tenta uma revolução em Anfield.
Desde a chegada de Rodgers, no verão, os Reds têm optado por contratar jovens jogadores como Joe Allen, Fabio Borini e Daniel Sturridge, todos eles com menos de 24 anos.
Gerrard, 34 [na verdade, 32], não acha que esse é o melhor caminho para que o Liverpool, atualmente oitavo colocado na Premier League, volte a brigar pelas quatro primeiras colocações.
O meio-campo inglês citou a contratação de Gary McAllister – que chegou ao Anfield com 35 anos em 2000 – como crucial para o seu desenvolvimento e acredita que balancear a idade do elenco é fundamental.
“Para ser sincero, eu não concordo com essa política”, disse ele. “Eu tenho visto vários jogadores, ao redor do mundo, contratados com 28, 29 ou ainda mais velhos que têm feito excelentes trabalhos por seus clubes. Gary McAllister, quando veio para cá foi um deles.” Acrescentou ainda: “Eu entendo que todos queiram jovens, brilhantes, jogadores ingleses, mas eu não estou 100% seguro de que este deva ser o único caminho.” Reafirmando: “Eu aprendi muito com Gary McAllister.”
Liverpool não foi o único clube a apostar em jovens nessa temporada, o Chelsea ainda não ofereceu contrato a jogadores mais experientes como Frank Lampard e Ashley Cole, enquanto a luta contra o rebaixamento do Aston Villa é creditada por muitos a um time inexperiente.
“O principal exemplo no momento é o fato de que se o Chelsea não manter Frank Lampard, algum time vai conseguir uma barganha. Quantos anos ele tem, 34?” disse Gerrard. “Não é da minha conta o que o Chelsea faz, mas, se eles não renovarem o contrato do Lampard, alguém vai conseguir um jogador muito bom por ainda alguns anos”.
A transferência mais bem sucedida do Liverpool nos últimos tempos foi a contratação de Luis Suarez – que veio do Ajax com 24 anos em 2011 – que Gerrard afirma ser o melhor atacante com quem já atuou, ultrapassando seu colega de seleção Wayne Rooney e Fernando Torres.
Suarez tem posto as controvérsias que o perseguem desde a sua chegada à Inglaterra de lado para ser o segundo na artilharia da Premier League com 15 gols.
“Luis é o melhor atacante com quem já joguei”, afirmou Gerrard. “Provavelmente não vão dar a ele o crédito que merece depois de tudo o que aconteceu e tudo o que ele passou, mas eu vou. Ele é um guerreiro e um vencedor.”

Fonte:
http://www.dailymail.co.uk/sport/football/article-2261199/Steven-Gerrard-disagrees-Liverpool-youth-policy.html?ITO=socialnet-twitter-liverpoolmail&ns_mchannel=rss&ns_campaign=socialnet-twitter-liverpoolmail&utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed

COMENTÁRIO:
De longe parece que o Gerrard está chovendo no molhado, dizer que é necessario contratar jogadores experientes e de qualidade é algo bastante óbvio. No entanto, algumas das entrevistas de Brendan Rodgers parecem ter acendido o sinal amarelo para o capitão dos Reds. O técnico do Liverpool tem dito que privilegiará a base e a contratação de jogadores jovens. Essa tem sido, de fato, a política de contratação do time. Entretanto, deve-se destacar que, entre as contratações recentes do Liverpool, a única que realmente se mostra como grande foi a de Suarez que, apesar dos 24 anos, já tinha bastante experiência, inclusive com a seleção do seu país.
Na minha opinião, Gerrard está mais do que certo em cobrar que jogadores com reputação venham para o Liverpool, principalmente quando o time vem gastando valores importantes (£12 milhões, por exemplo, pelo Sturridge, um valor semelhante pelo Borini e pelo Allen) com atletas que não valem isso. Ou você vai querer me dizer que o Allen vale mais, ou joga melhor, do que Snejder? Pelo que se especula, a Inter aceitou 10 milhões do Galatasaray pelo passe do jogador...

domingo, 6 de janeiro de 2013

Mansfield Town 1x2 Liverpool, 6 de janeiro de 2013

Um jogo bem fraco do Liverpool, mesmo com o time reserva, é inaceitável uma atuação como essa. A tal da "filosofia do Brendan Rodgers" hoje se mostrou, talvez mais do que nunca, conversa fiada.  O time foi acossado pelo fraquíssimo Mansfield. Outro dia eu li um texto de Adrian Hearn que falava que jogadores mais grandes, mais fortes, com um maior pendor físico vêm intimidando o Liverpool, para perceber isso basta ter em conta o jogo contra o Stoke; uma coisa é não conseguir fazer gol contra eles outra é tomar três deles. Hoje um aguerrido time do Mansfield encurralou e deixou sem saída o "Liverpool à Barcelona". O problema de querer jogar dessa maneira é que é necessário jogadores com qualidade para tanto, coisa que esse time não tinha, e nem sei se o titular tem. De qualquer modo, a coisa tava feia e o técnico foi obrigado, mais uma vez, a colocar o Suarez para resolver os problemas.

Jones: melhor que o Reina, 7,0
Wisdom: medonho. 3,0
Carragher: joga sempre seriamente, esse não decepciona 6,0
Coates: precisa jogar mais, hoje foi espalhafatoso 5,0
Robinson: uma boa opção, de vez em quando mostra insegurança, falhou feio num lance no segundo tempo, ainda sim, talvez, seja uma boa opção enquanto o Enrique está contundido. 4,0
Lucas: mal hoje, não conseguiu se impor no meio, faltou força física, mas também qualidade na distribuição de bola 5,0
Allen: parecia estar passeando em campo. 4,0
Shelvey: terrível, fez o passe para o primeiro gol e só 2,0
Suso: nada produziu, ainda perdeu uma bola perigosa na defesa 1,0
Downing: outro que fazia turismo em Mansfield 2,0
Sturridge: demonstrou vontade e oportunismo 7,0

Suarez: entrou e aliviou a barra do time 8,0
Henderson: pouco contribuiu 6,0
Flanagan: pouco tempo em campo, mas é óbvio que, tecnicamente, ele é melhor que o Wisdom, falta a ele força física. 5,0

eu

Não faz sentido você dar 6 pro Downing e sua mediocridade e dizer que o Agger foi bem e ter a mesma nota.
Make no sense at all.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Liverpool 3x0 Sunderland, 2 de janeiro de 2013

Mais um bom jogo do Liverpool, seguindo o contra o QPR. Grande atuação de Suarez. Isso, na verdade, resume bem o que foi o jogo. No mais, uma questão que acho importante (venho repetindo ela com uma certa constância) e que vem da análise das notas ao jogadores (que segue abaixo), mas que é algo bastante óbvio: apesar de ter sido um bom jogo do time de Anfield, apenas a nota do Suarez se sobressai.  Suarez é, de fato, e cada vez mais, a estrela da equipe, mas o que preocupa é o fato de que um bom jogo de todos os outros jogadores, de um modo geral, nos levarão a uma nota mediana. Nesse sentido, esse jogo contra o Sunderland (uma equipe que, na minha opinião, é melhor do que as equipes que os Reds vinham vencendo: QPR, Fulham, Southampton - deixei de fora o West Ham que creio ser um bom time) é exemplar. Mesmo as notas dos jogadores mais importantes (jogador, na verdade: Gerrard, que é, de fato, um jogador importante) ou dos que podem produzir algo de diferente (acho que aqui se pode incluir o Sterling, embora ache que é pedir demais dele) não decolam. E esse é o problema (lá vamos nós de novo!!!) da política de compra do Liverpool. Até acho que o Sturridge pode contribuir para o time (embora ache que só no contexto inglês, por se tratar de um inglês, valha 12000000£, ou melhor, nem assim), principalmente se jogar no lugar do Sterling ou no do Downing (ou seja, como um ponta num 4-5-1 ou 4-2-3-1 sem um meia-atacante verdadeiro, porque mesmo o Gerrard não o é, quem dirá o Shelvey ou o Henderson...) porque, como dizem os ingleses, trará gols à equipe. Pensando assim, muito me preocupa a noção de que o Sturridge venha para jogar de atacante centralizado, primeiro porque ele não tem cacoete para essa função (ele não é um artilheiro, é um corredor), segundo, porque implica tirar o Suarez do seu posicionamento atual no qual ele vem produzindo bem. Fico com um pé atrás, principalmente se Rodgers manter apenas 1 atacante, como no 4-5-1 que o time normalmente joga, e não acho que um 4-2-3-1 com o Suarez como um "meia-atacante" venha a ser uma formação competitiva em muitos dos jogos porque exporia ainda mais um já frágil sistema defensivo. A solução para colocar o time jogando com o Sturridge como atacante, talvez, passe pela mudança para um sistema com 2 atacantes (o 4-4-2, por exemplo: Reina; Johnson, Skrtel, Agger, Enrique; Lucas, Allen, Gerrard, Downing/Henderson/Shelvey; Suarez e Sturridge), é esperar e ver...

Reina: hoje foi bem, mais seguro do que vinha sendo 6,0
Wisdom: atabalhoado, 5,0
Skrtel: de vez em quando tem os seus momentos de loucura, mas hoje não comprometeu, 6,0
Agger: bom jogo 6,0
Johnson: deslocado para a esquerda perdeu um pouco da qualidade no ataque, 6,0
Lucas: ainda um pouco perdido em campo, mas dá um poder de marcação e uma agressividade maior ao time 6,0
Gerrard: bastante participativo, principalmente no primeiro tempo, fez o jogo passar por ele. Passe espetacular para um dos gols de Suarez, 7,5
Henderson: competindo com o Shelvey e com o Allen pela posição, vem fazendo jogos melhores que os seus "adversários" 6,5
Downing: quem? Voltou ao seu normal, a mediocridade, 6,0
Sterling: belo gol e só, tá certo que é jovem, mas um cara com o contrato que ele tem precisa mostrar mais em campo 6,5
Suarez: um monstro. O passe de costas para o primeiro gol foi só um aperitivo para o que se seguiria. De tudo o que ele fez é importante ressaltar o segundo gol do time, em que ele sofre uma carga, mas continua de pé (sério, o que os caras enchem o saco por ser "cai-cai") e põe a bola nas redes. Grande jogo, 9,5

Allen, Suso e Carragher: entraram com o jogo ganho. O Allen que vem perdendo espaço no meio ganhou uns minutinhos; Suso veio para corrigir o time depois da entrada do Allen; e o Carragher para somar mais um jogo na sua carreira na Premier League.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

[Entrevista] Sturridge: a primeira entrevista

Depois de ser anunciado mais cedo como a nova contratação do Liverpool, Daniel Sturridge conversou com o Liverpoolfc.com sobre suas ambições em Anfield: colocar um sorriso na cara dos torcedores

Daniel, em nome de todos no clube, gostaria de desejar boas vindas. Como você se sente sendo, finalmente, um jogador do Liverpool?
Obrigado. Eu estou muito contente, feliz por assinar por um dos maiores clubes do mundo. É com felicidade e humildade que eu chego aqui.

Como foram as últimas 24 horas?
Foram bem tranquilas, na verdade, porque eu sabia que eu viria para cá, então foi só uma questão de saber quando. Agora já está tudo acertado e eu estou pronto para jogar.

Quais foram as suas primeiras impressões sobre o clube e sobre as instalações aqui em Melwood?
Minhas primeiras impressões corresponderam às impressões que construí durante minha vida: trata-se de um grande clube e é um sonho para qualquer atleta jogar por ele. A história do clube, dos fãs é espetacular: é tudo que um jogador pode desejar ter, então eu estou feliz de estar aqui. Eu estou espantado com tudo isso e alegre de estar aqui.

O que Brendan Rodgers falou para você sobre como ele vê seu futuro no Liverpool?
Ele me disse que me vê jogando aqui por muito tempo, e eu também vejo isso. Eu não vim para cá para jogar por 2 ou 3 anos e depois sair. Eu pretendo ficar aqui tanto tempo quanto possível. É um clube gigantesco – para mim, um dos maiores do mundo – e ter esses fãs e os grandes jogadores que temos é maravilhoso. Eu estou muito contente que o técnico confia em mim.  Ele é o primeiro técnico que, de fato, me contratou, que pagou por mim e me trouxe para o seu clube [isso porque ele é da base do Chelsea], então eu não posso pedir mais dele ou do clube.

Brendan Rodgers tem uma visão clara sobre o que ele quer para o Liverpool, ele tem um plano para o futuro do time. Você está empolgado em fazer parte desse plano?
Eu estou muito empolgado. Eu não vejo a hora de estar em campo. Faz algum tempo que eu não jogo – tive algumas contusões nos últimos meses –, mas eu estou tão feliz de me juntar a um clube tão grande, de fazer parte de uma revolução, de algo novo e de algo especial. Tomara que nós consigamos trazer sucesso para os fãs.

Vamos falar sobre suas características e qualidades. Você já jogou aberto pelas pontas, já jogou pelo meio, em sua opinião, qual é a posição que você prefere?
Eu me vejo como um atacante. Acho que eu produzo mais nessa posição por causa das minhas características que se ajustam mais a de um atacante centralizado. Mas eu já joguei pelas pontas e aprendi muito com isso. Eu nunca me recusei a jogar nessa posição e nunca demandaria jogar no centro. Para mim, em qualquer posição que o técnico quiser que eu jogue eu jogarei, e farei o meu melhor pelo clube e pelos fãs. Eu tentarei colocar um sorriso na cara dos fãs e buscarei trazer sucesso para o clube – isso seria fantástico.

Você disse que suas características são as de um centroavante, quais seriam esses atributos, na sua opinião?
Eu sou rápido, gosto de driblar, finalizar e dar passes para meus companheiros. Eu sou um jogador agudo e gosto de finalizar e passar a bola – meu objetivo é sempre ajudar meu time a conquistar a vitória. Meu ritmo pode ajudar os meus colegas a me colocar em frente ao gol, mas o mais importante é que eu jogo para o time e busco sempre ajudar meus companheiros a vencer o jogo. Essa é a questão mais importante – eu não me coloco à frente do time. O time é o mais importante, o que interessa é ganhar os jogos.

Você vai ter agora a oportunidade de jogar com o Luis Suárez. O que você pensa dele e o quanto está ansioso para jogar com ele?
Ter ele como um companheiro é muito bom. Ele é um jogador muito bom, muito talentoso, eu acho que é um dos melhores atacantes do mundo neste momento. É bom fazer parte do mesmo time que ele e eu estou certo de que nós nos daremos bem em campo.

Olhando para as suas características, você acha que vocês formarão um ataque de sucesso?
Claro. Com Luis, Raheem [Sterling] e os outros jogadores, vai ser ótimo para mim e tenho certeza que nós vamos nos entrosar bem. Nós temos características semelhantes, então espero que nós consigamos ser um pesadelo para os zagueiros!

Você já jogou com alguns atletas do Liverpool, como o Joe Allen, que fizeram parte do time da Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos. Você já conversou com algum deles?
Sim, eu conversei com o Jordan Henderson e com o Joe Allen. Eu vi o Joe quando vim fazer os exames médicos. Ele é um grande cara. Nós conversamos bastante quando estivemos juntos nas Olimpíadas – nós dividíamos o quarto – e nos dávamos bem. Eu já o conhecia do sub-21 e coisas do tipo. Os jogadores de cima, como Steven Gerrard e Glen Johnson, eu conhecia da seleção inglesa. Joe Cole, também. Eu já conheço boa parte dos jogadores, então vai ser fácil a adaptação.

Você jogou contra o Liverpool na final da FA Youth Cup [Copa da Inglaterra Junior] em 2006, quais são suas memórias desse jogo?
Não são boas! Eu lembro como se tivesse sido ontem: jogar no Alfield foi coisa de louco para mim. Nós perdemos de 3x0 e eu ainda lembro das chances que perdi e dos gols do Liverpool. Depois, jogando em casa, ganhamos de 2x0, eu marquei os gols, mas não foi o suficiente para ganhar a taça. Mas foi maravilhoso poder jogar contra o Liverpool e no Anfield sendo tão jovem.

Então você tem a experiência de jogar no Anfield como um adversário, você consegue imaginar como vai se sentir quando entrar naquele campo tendo a torcida a seu favor?
Eu não consigo, para ser honesto. Tantas pessoas já me disseram que é uma experiência maravilhosa a de entrar em campo. Quando os fãs cantam You’ll Never Walk Alone, isso não te afeta se você é um adversário, mas se você joga pelo time é uma coisa completamente diferente. Você fica emocionado e quer com todas as suas forças dar o melhor de si. Para mim – me juntar a um clube tão grande, com fãs maravilhosos e tentar trazer títulos – é um sonho que se torna realidade.

Você vai ter a chance de ver seus companheiros em ação no Anfield hoje à noite. Infelizmente você ainda não foi registrado, o que deve ser um pouco frustrante. O quanto você quer poder entrar em campo pelo Liverpool?
Eu quero muito. É muito frustrante não poder jogar só porque a janela de transferência abriu ontem. Eu adoraria poder estar em campo e é uma pena que eu ainda não possa, então eu vou assistir na arquibancada, torcer para os caras e tomara que consigamos o resultado.

Por fim, qual é a sua mensagem para os torcedores do Liverpool?
Eu só quero dizer que espero que estejam todos bem e tenham tido um ótimo Natal e Ano Novo. Eu estou muito feliz de assinar pelo clube e muito contente de estar aqui. Eu estou maravilhado por este clube e torço para que vocês estejam felizes de eu estar aqui. Eu espero poder trazer sucesso para o clube e alguns sorrisos para as caras das pessoas daqui. Obrigado por me receberem aqui.


Fonte: http://www.liverpoolfc.com/news/latest-news/sturridge-the-first-interview

Queens Park Rangers 0x3 Liverpool, 30 de dezembro de 2012

Um bom primeiro tempo do Liverpool contra um fraquíssimo QPR. Hoje, sem muitas surpresas, o nome do jogo foi Luis Suarez. Ele é, de fato, o principal jogador do Liverpool, o mais criativo, o que leva mais perigo ao adversário e deixou claro isso nesse jogo. Com a vitória de 3x0 o Liverpool mantém o recente retrospecto de ou ganhar bem ou perder tomando um vareio de bola (basta que se lembre os últimos jogos, 4x0 no Fulham, 3x0 pra Aston Villa e 3x1 pro Stoke). Essa oscilação é, na minha opinião, bastante problemática, principalmente, penso eu, porque o Brendan Rodgers é um técnico que vem tentando montar o time desde o meio, ou seja, privilegiando o toque de bola, o que parece causar certo problema na organização defensiva do time que, em alguns jogos, parece ter se perdido.
Importante o gol do Agger, pois deve dar maior confiança a ele e também porque o time volta a marcar em bolas paradas com alguma constância (antes o Skrtel tinha marcado contra o Fulham), o que era comum na era Dalglish e que serve, principalmente, contra times que jogam muito fechados, para abrir a porteira.
Em termos de organização do time é de se destacar a opção pelo Allen em vez do Lucas e do Henderson em vez do Shelvey, além da troca do Suso pelo Sterling. Dada a fragilidade do adversário a impressão é que o Rodgers preferiu montar um time menos pegador (aí explica-se a troca do volante brasileiro pelo meio-campo galês), mas de maior posse de bola, ao mesmo tempo em que é mais agudo, uma vez que o Sterling jogou no lugar do Suso. Parecem-me boas opções, embora ache que, contra esse time do QPR, qualquer formação seria boa o suficiente (desde que contasse com o Suárez).

Reina - hoje não comprometeu 6,0
Johnson - apoiando bem, fez um bom jogo 6,0
Skrtel - seguro 6,5
Agger - seguro e ainda deixou o dele 7,0
Enrique - diante de um QPR que não ofereceu perigo ofensivamente, foi bem. Saiu machucado. 6,0
Allen - não teve problema para marcar um meio-campo inofensivo do QPR 6,0
Gerrard - não foi decisivo, mas também nem foi preciso 6,0
Henderson - para surpresa de todos andou jogando bem recentemente 6,0
Downing - depois daquele bom jogo contra o Fulham, voltou ao seu futebol tradicional 6,0
Sterling - cabe a ele ser incisivo e, na tentativa de fazer isso, erra demais 6,0
Suarez - esse é o Suarez que todos queremos ver 9,0

Carragher, Suso e Lucas - todos entraram no segundo tempo, quando o Liverpool já tinha se tornado o time preguiçoso que todos nos acostumamos a ver quando está na frente do placar. Pouco acrescentaram.