domingo, 14 de dezembro de 2014

"They said we were predictable. We were predictable, but the opposition couldn't stop us!"

Passando por aqui só para deixar essas fotinhas, já que amanhã faz 55 anos que o melhor técnico do mundo assumiu o melhor time do mundo.








"We were still strong on psychology of course. We even had a plaque put over the tunnel that takes the players from the dressing rooms to the pitch. Our maintenance foreman, Bert Johnson, had it painted, white letters on a red background: THIS IS ANFIELD. A form of intimidation.
Newcastle United came one day and their players were in good spirits. I couldn't understand it, because they never won any games at our ground. Joe Harvey was at the top of the steps leading down to the tunnel and the players were making their way out: John Tudor, Bob Moncur, and the rest. As Malcolm Macdonald came alongside Joe, he pointed at the plaque and said, 'Joe, we are in the right ground.'
I said, 'You'll soon bloody find out you're in the right ground, son!' - only the words were stronger than that.
We beat Newcastle 5-0 that day."

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Football Culture (Dave Kirky)

brincando de tradutor:



Cultura Futebolística (Dave Kirky)

Cultura futebolística, o que isso quer dizer?
Nessa cidade magnífica em que nos toca viver.
Se cultura significa drama, então de tudo já vimos
Mas os nossos artistas... com a bola entretêm-nos

E se cultura significa conhecimento e amor pelas artes,
Então os torcedores do Liverpool são uma história à parte.
Porque futebol é uma forma de arte com a qual nos criamos
Enquanto o conhecimento adquirimos viajando vários anos.

Fui ao jogo com meu pai pela primeira vez
Ele me levou à torcida, ao KOP... igual seu pai fez.
Depois, conforme crescia, ia com meus amigos
Era nosso único refúgio desse sistema repressivo.

Durante a semana em bando vivíamos,
Nas portas dos bares, nossas canecas bebíamos
Mas chegava a tarde de sábado e de repente...
A vida tocava uma música diferente.

Nós íamos para o estádio de futebol,
Um oceano de cor com ondas de som.
Sentíamos que lá era o nosso lugar
Entendíamos quem éramos sem nem mesmo pensar.

Vinte e seis mil se espremiam na torcida
Ninguém queria ver aquela alegria interrompida.
Cantando e agitando, os mastros desfraldados
Como se para outro mundo fôssemos levados.

E, então, King Kenny podia marcar um gol de bicicleta
E por um instante... você esquecia que estava na sarjeta.
Não estava procurando um canteiro de obras, uma gleba
Nem era somente uma estatística, tratado como merda.

Futebol podia te levar bem distante
Fazer sentir-se importante... ao menos por um instante
Filhos de operários com nada mais na vida
Encontrando um jeito de se senti-la mais vívida.

De passear nas vielas do bairro, fazendo zona
Nos encontramos em lugares como Paris e Roma.
De carona em carona e viagens em trens
Conquistamos a Europa... mais de uma vez.

Eu tento explicar para as pessoas esse sentimento
O orgulho e a paixão surreal desses momentos.
Alguns dizem: “São apenas homens chutando uma bola”
Mas acreditem... quem diz isso não bate bem da cachola.

Outros afirmam que a cultura é algo mais profundo,
Que ela não existe nesse pequeno verde mundo.
Mas onde estavam, nessa semana, essas vozes iludidas
Quando quase um milhão ocupava essa avenida?

A criatividade se desenvolve na torcida
Conheço poetas que nas docas têm sua lida.
Não se influenciam por Wordsworth ou Keats
Sua inspiração vem direto de Rush e Dalglish

Até os dramas de Shakespeare soam nulos
Comparado com o que aconteceu em Istambul.
Pensando desse jeito... nada sequer se aproxima
Da história que foi escrita esse ano na Turquia.

Futebol não é somente um jogo, veja bem,
Ele acende emoções que não se sabe de onde vêm.
Uma grande vitória traz êxtase... e lágrimas
Para pais e amigos que já não estão mais aqui.

Isso é o que a cultura futebolística significa
Não se restringe a um time, um estádio, uma insígnia.
É uma vida completa, recheada de drama
Capital de memórias... Capital que sonha.


ps: o texto de Kirky pode ser encontrado em http://eujacainoanfield.blogspot.com.br/2012/12/football-culture-dave-kirky.html#comment-form

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Pesos e medidas

Existe um velho ditado que diz que quem pode mais chora menos. Faz todo o sentido do mundo se pensarmos que aquele que tem mais condições tende a se colocar numa situação melhor e ter menos decepções. Por outro lado, aquele que tem menos condições tem como prerrogativa a reclamação. O que pode mais se impõe em relação ao que não pode com ele, restando a este chorar. Simples assim. Lembrei disso hoje quando vi o pífio posicionamento do Liverpool em relação à punição ao Suarez. Lembrei-me também do filme Dogville, em que a protagonista é abusada em todos os sentidos possíveis e não tem como reclamar, uma vez que todos tiram vantagem da sua punição e todos se aproveitam dela. Resta a ela se conformar com a situação (mesmo que inconformada). Não me parece uma situação muito diferente da do Liverpool na Inglaterra, que está sendo transformado - a despeito de sua torcida e com a conivência dos seus dirigentes que acham que acatando desaforos vão conseguir se introduzir no seio podre da politicagem futebolística - em um time pequeno, em quase nada... Talvez, o que falte seja justamente um final como o do filme de Lars von Trier... o que, por si só, é bastante triste (embora redentor).
Há tempos, parece, há uma disjunção entre o espírito da torcida do Liverpool e a da política do clube. A torcida foi sempre a de lutar pelos seus direitos, de lutar contra a injustiça, de revelar a podridão daqueles que estão no poder. O movimento pela justiça e pela apuração dos fatos que tiveram lugar em Hillsborough talvez seja o melhor exemplo disso. O clube, entretanto, tem exagerado na postura demagógica, no apoio a julgamentos e punições que contrariam a noção de justiça. O medo de se questionar a decisão das autoridades instituídas, além disso, parece apontar para uma confusão entre legalidade e justiça. Que a punição do Suarez é legal, no sentido de que foi tomada de acordo com os regulamentos, é um fato, mas justa? Se fosse justa, com certeza, não haveria esse espírito de indignação pairando pelo ar. Se fosse justa, outros teriam sido punidos de maneira semelhante.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Liverpool 3x1 Zenit, 21 de fevereiro de 2013

A verdade é que muito pouco se pode reclamar dos jogadores do Liverpool hoje. É claro, o erro do Carragher que acabou sendo o da desclassificação foi medonho (e inaceitável para um jogador do nível dele), o Johnson (que não é mais do que um jogador mediano) fez mais uma partida em que a impressão que fica é a de que ele não acertou nada, o Downing, não tem muito o que falar, exceto que se trata de um jogador para a segunda divisão inglesa. Fora isso, creio que quem está aí para ser criticado é o Brendan Rodgers que, mais uma vez, teve uma atuação medonha e decisiva na partida. Para começar a escalação foi errada, principalmente para um time que precisava ganhar de 2 gols de diferença (quando tomou o gol e a necessidade de 4 gols de diferença se instaurou, então, nem comento nada). Desde que chegou ao Anfield, o Henderson não fez um único bom jogo atuando como winger, mas, é claro que precisando da vitória, era mais do que a hora de se apostar nisso. O que se viu foi um Liverpool com Lucas, Allen, Gerrard e Henderson atuando pelo meio e trombando um com os outros. As boas jogadas do primeiro tempo vieram, então, com tentativas individuais do Suarez e com o Enrique, que fez uma boa partida, em termos ofensivos, pela esquerda.
Mesmo assim, contando com uma partida inspirada do atacante uruguaio, os Reds viraram o placar para 3x1, deixando o time a um gol de alcançar a classificação. Veio, então, a mão abençoada do Brendan Rodgers, colocando o Shelvey em campo; sim, ele insiste com o Frankestein!!! (A única situação em que a entrada dele poderia ser uma opção era se o time precisasse de um grandalhão metido na área para o abafa - isso vindo, evidentemente, de um time que não tem um único atacante para deixar no banco e que se desfez de Andy Carroll, o que mostra um grandíssimo senso de planejamento -, mas não, para o "mágico da beirada do campo" o Shelvey é um meia de habilidade, que entra para resolver partidas com a sua criatividade e agudez...). A outra substituição era necessária, ou seja, a entrada de um ponta para abrir o jogo e criar espaços, deveria, de fato, sair um dos volantes. Mas com a saída dos dois e com a presença do Shelvey como meia o que se viu foi o time do Liverpool, que tinha controle quase absoluto da partida naquele momento, perder o meio-campo e deixar escapar a chance de ganhar. Mais do que isso, o que se viu foi a tal da filosofia Brendan Rodgers (o time com a posse de bola e saindo tocando, com a bola no chão) tomando seu rumo mais pobre com um time que foi apertado na saída de bola e não conseguiu mais do que se complicar, mas que insistia e, nesse brincadeira, ficou longe do gol do adversário pelo simples motivo de que os jogadores não se dignavam a dar o chutão quando era necessário e, quando o davam, não havia ninguém para disputar a bola.
Em outros termos, um time que tinha o controle da partida, quando pressionado, entregou a posse de bola (tão valorizada e tão facilmente entregada) e a chance de ganhar. Aliás, essa brincadeira de ficar tocando a bola na defesa foi ao encontro das necessidades de muitos jogadores dos Reds cujo desejo mais profundo quando o jogo está complicado é que a bola não passe pelos seus pés.

Avaliação dos jogadores:

Reina: uma saída medonha do gol causou arrepios em todos, fora isso não comprometeu. Creio, mesmo assim, que seu "ciclo" no Anfield esteja chegando ao fim. 6,0.
Johnson: ao que parece, descobriu que é um volante jogando na lateral, toda vez que pode procura se enfiar pelo meio e deixar tanto a defesa como o winger do seu lado desamparado. 3,0.
Carragher: erro medonho e inaceitável causou o gol do Zenit. Depois disso, ficou inseguro e toda a sua partida foi prejudicada. Entrou até na farra de ficar brincando com a bola em sua própria defesa. 3,0.
Agger: outro que teve muita dificuldade para marcar o único atacante do Zenit, Hulk, mostra, mais uma vez, que o Liverpool tem dificuldades com times que tem atacantes possantes e preferem o jogo mais direto. Apesar de tudo, mostrou vontade de ganhar (coisa que falta a muitos no Anfield), conseguindo a falta do primeiro gol. Outro que, por vezes, foi até irresponsável na saída de bola. 4,0.
Enrique: grande atuação ofensiva, defensivamente, no entanto, não jogou com a seriedade necessária. 7,0.
Lucas: tem que correr pelo time todo, mas não vem conseguindo nesse esquema (4-2-3-1). No segundo tempo, então, com as alterações medonhas do Rodgers, ficou absolutamente perdido. 4,0.
Allen: foi prejudicado pelo congestionamento pelo meio, mas conseguiu tocar a bola com certa qualidade e se apresentou no ataque (fazendo o segundo gol). 6,0.
Gerrard: foi bem na distribuição de bola, no entanto, deveria ser o jogador a chamar o jogo e decidir (pelo menos tentar) a partida. Todas as vezes em que teve a chance de chutar para o gol, preferiu o passe. Desapontador. 6,0
Henderson: não é um winger, não adianta. No máximo mais um jogador para compor o meio-campo. Foi o que provou hoje. 5,0.
Downing: a expectativa quando a bola passa pelos seus pés é a menor possível porque quase nunca (pra não dizer nunca, de fato) sai uma jogada de perigo. É impressionante, entretanto, a regularidade dele, sempre produz muito pouco. Mais impressionante é a sua permanência na equipe. 3,0.
Suarez: inspirado, mesmo que, com a bola rolando, não tenha criado grandes oportunidades, cobrou as faltas e meteu 2 gols. Fora isso, foi, sempre, uma pedra no sapato da defesa adversária. 9,0.

Assaidi: depois da partida de hoje a pergunta que fica é: por que não é mais utilizado? Não tenho dúvida nenhuma de que ele pode ser mais útil que o Downing e que, jogando como winger, é melhor do que o Henderson. Jogou pouco tempo, mas fez muita fumaça pelo canto esquerdo do ataque. 7,0.
Shelvey: pra resumir: entrou e, logo numa das suas primeiras aparições, poderia ter sido expulso. O pior é que eu nem sequer acho que isso teria sido pior. Fica na minha cabeça sempre a pergunta: quem, em qualquer momento, achou que esse cara poderia jogar no meio campo? Quem acha que ele tem habilidade  e técnica? 2,0.
Sterling: pouco tempo em campo. Sem nota.

Liverpool 5x0 Swansea, 17 de fevereiro de 2013

Com uma formação um pouco diferente da usual - mais próxima de um 4-4-2 inglês do que do 4-5-1 ou 4-2-3-1 que o Brendan Rodgers vinha utilizando - o Liverpool fez uma boa partida, em casa, contra o Swansea. A entrada do Coutinho jogando pelo lado esquerdo (mas com liberdade para cortar para o meio e ajudar na construção das jogadas) e a presença do Sturridge deram aos Reds maior força ofensiva e criatividade. Outra vantagem é que, jogando nesse sistema (4-4-2), o Lucas retorna ao sistema que, com o Dalglish, tirou dele seu melhor futebol. No primeiro tempo, descontado um ou outro momento preocupante da defesa - principalmente pelo lado esquerdo -, viu-se um jogo dominante do time de Anfield, dominação que se deveu, em grande parte, a uma partida inspirada de Suarez que, durante todo o jogo, foi um perigo  para a defesa adversária.
No segundo tempo, com um jogo rápido e inteligente (com jogadores inteligentes, Sturridge, Coutinho e Suarez), os Reds dominaram a partida. Mas, principalmente, foi um time objetivo contra um Swansea entregue. Foi uma boa partida do time coletivamente, mas, em especial, do ataque.

 Avaliação dos jogadores:

Reina: pouco exigido. 7,0.
Johnson: não vem muito bem no ataque, na defesa não teve dificuldades. 6,0.
Carragher: seguro, mesmo com uma defesa jogando mais adiantada. 7,0.
Agger: bom jogo, firme. 7,0.
Enrique: bem no ataque, apoiando e dando opção para os jogadores de meio e para o Coutinho. 8,0.
Downing: até quando todo o time vai bem, ele não se destaca. 6,0.
Gerrard: boa partida, controlando o jogo pelo meio, resta saber se vai ter gás para jogar, nessa posição, vários jogos seguidos. 7,0.
Lucas: marcando bem e se apresentando mais à frente. Bom ver ele tentando chutes de longe. 7,0.
Coutinho: começando como titular, não decepcionou. Mostrou a habilidade que tem. Espero que mantenha o nível. 8,0.
Suarez: grande partida, buscando jogo, criando chances e deixando o seu gol. 9,0.
Sturridge: inteligente e agudo, o tipo de jogador que o Liverpool precisava. Vem colocando de lado as dúvidas sobre se ele seria uma boa contratação para os Reds. 9,0.

Henderson: não é um winger, não tem habilidade nem força, muito menos velocidade para tanto. 6,0.
Allen e Borini: pouco tempo em campo. Sem nota.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Zenit 2x0 Liverpool, 14 de fevereiro de 2013

Nenhuma surpresa em São Petersburgo, o Liverpool, apesar da tradição em copas europeias, mostrou que esse seu time está fadado a apresentações e resultados medíocres. O Liverpool poderia ter ganhado ou pelo menos saído com um resultado melhor? Sim. Ele mereceria? Não, e não digo pelo jogo propriamente dito, mas pela falta de ambição e pela conversa fiada que se tem escutado pelos lados de Anfield. A falta de ambição foi claramente assinalada pelos donos, quando da contratação de Brendan Rodgers: se você quer ter um time de primeiro nível e vencedor, você começa contratando um técnico de primeiro nível e vencedor. Nesse sentido, o currículo do norte-irlandês é impressionante, coleciona nada mais, nada menos do que nenhum título, e mais, o time mais expressivo por ele treinado foi o Swansea. Não é preciso comentar mais nada a esse respeito.
A essa contratação - que por si só foi um desapontamento - soma-se a conversa fiada cujo principal elemento é a noção de "trabalho de longo prazo". Essa conversa sempre surge como desculpa para situações como essa, mas a verdade é que o trabalho de curto prazo do Dalglish parecia estar rendendo resultados mais expressivos, inclusive porque ele compreendia o trabalho com os jovens - que, segundo muitos, parece  ser o carro-chefe do trabalho de Rodgers -, basta lembrar que Flanagan e Robinson, além do Kelly e do Shelvey, eram constantemente utilizados pelo King of the KOP. Aliás, importante ressaltar que esses foram, justamente, os atletas jovens que menos espaço tiveram com o norte-irlandês. Detalhe: além de jovens, eles eram, de fato, crias do Liverpool, ou seja, frequentam a base do time de Anfield desde muito jovens.
No primeiro tempo, na Rússia, o Liverpool foi dominado pelo Zenit, o famoso futebol de posse de bola que seria introduzido nos Reds não chegou nem sequer perto de ser visto. Mesmo assim, foi o time inglês que teve as duas melhores oportunidades no primeiro tempo, ambas com Suarez. Essas duas chances foram construídas, evidentemente, em contra-ataques porque o time não conseguia fazer a bola passar de pé em pé. Como o Zenit também não é um primor na criação de jogadas o que tivemos foi um primeiro tempo tecnicamente bastante fraco e, em certa medida, chato.
O segundo tempo, por sua vez, viu um Liverpool com mais atitude, procurando controlar as ações em campo. A grande melhora na atitude, no entanto, não se converteu em vantagem no placar por dois motivos: primeiro, falta, como sempre, agudeza, para os Reds, cujo o único jogador com um real sentido de gol é Suarez (que não fez, novamente, uma boa atuação, mas, ao contrário de muitos, é um cara que não se esconde do jogo), às vezes ele conta com o apoio do Gerrard ou do Sturridge; segundo, porque falta criatividade e força (ou mesmo vontade de ganhar, garra) aos ingleses, porque, sinceramente, não dá para ficar esperando que o Henderson, o Allen e o Downing produzam alguma coisa. O que nos leva, novamente, para a questão fundamental: elenco. O dos Reds é fraco. A impressão que passa é que o time está sempre jogando com o time reserva reforçado pelo Suarez e pelo Gerrard.
Ontem, ao ler um texto na página do Liverpool me deu vontade de rir: "All of the big names are on the plane to Russia aside from January signings Philippe Coutinho and Daniel Sturridge - both of whom are ineligible." ["Todos os grandes nomes estão no avião para a Rússia, menos as contratações de janeiro Philippe Coutinho e Daniel Sturridge, que não puderam ser inscritos."]. A "graça" desse texto é que se você parar para pensar, quantos "grandes nomes" o time de Anfield possui?
O Zenit, que não é um grande time, precisou de um "grande nome" (e que nem é um grande jogador) para abrir vantagem e as portas para a vitória...
Enquanto isso, o Liverpool continua gastando um bom dinheiro, porque querendo-se ou não gastar 12 milhões é dinheiro, em promessas quando a maioria dos times gasta menos para contratar bons jogadores, muitos deles já concretizados e, mais importante, que podem fazer a diferença. Mas não os Reds, eles, ao que parecem, vão continuar esperando e torcendo pelos brilharecos do Downing, do Henderson, do Allen, do Borini, do Shelvey e do Sterling...

Avaliação dos jogadores:

Reina: não teve influência direta no resultado, mas continua dando sustos... 5,5.
Johnson: jogo regular, 5,5.
Skrtel: contra a falta de mobilidade dos russos não teve dificuldades, 5,5.
Carragher: seguro, foi beneficiado pela lentidão do Zenit, 5,5.
Enrique: compareceu pouco ao ataque, na defesa, não foi exigido, 5,5.
Allen: não é um verdadeiro cabeça-de-área, também não é um meio-campo criativo, 5,5.
Henderson: na maioria do tempo parece desinteressado pelo jogo, quando teve a sua chance ficou com medo de entrar na dividida com o defensor adversário, 4,0.
Gerrard: participou pouco no primeiro tempo, no segundo tentou criar alguma coisa, mas, sozinho, não conseguiu, 6,0.
Downing: outro que parece não ter interesse nenhum no jogo, 4,0.
Sterling: sumido, 5,0.
Suarez: perdeu oportunidades que não costuma, e não deve, perder, foi, no entanto, o único perigo real à defesa adversária, 6,0.

P.S.: Depois de escrever isso, trombei com a seguinte afirmação de Rodgers: "In 6 to 12 months' time, we won't be making those mistakes. This is part of our growing pains as a group. We have to be more clinical." [Daqui a 6 a 12 meses, nós não cometeremos mais esses erros. Isso faz parte do nosso gradual crescimento como um grupo. Temos que ser mais incisivos."]. É aqui, como já disse acima, que mora o problema: esse time não vai ser mais incisivo pelo simples fato de que os jogadores dele não são, é um time que vai continuar tentando (alguns dos jogadores nem isso), enquanto os outros vão e conseguem. West Brom, Aston Villa, Oldham, Swansea e, agora, o Zenit estão aí para confirmar isso.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Liverpool 0x2 West Bromwich, 11 de fevereiro de 2013

Um primeiro tempo típico de um Liverpool que os bajuladores do Brendan Rodgers parecem nunca lembrar que ocorrem. Um time estático e, hoje, manco. Os Reds jogaram, basicamente, pelo lado direito com o Downing e com o "apoio" do Johnson. A estratégia de jogar pelo lado do Downing não se justificaria nem se o seu marcador fosse um recém-nascido, pelo simples fato de que o jogador inglês tem a mania de "downiar". Basta ver em qualquer enciclopédia de futebol que o termo é apenas mais um nome de uma síndrome bastante comum (popularmente conhecida pelos torcedores são-paulinos como "síndrome de Marlos") que costuma atingir jogadores de alguma técnica, mas, apáticos e sem força de vontade, garra e personalidade. Como desgraça pouca é bobagem junta-se a isso uma atuação muito pouco inspirada de Johnson (que, aliás, tem essa mania), apesar de um ou outro brilhareco ofensivo.
Fora isso, o gênio do banco, Brendan Rodgers (o cara que está revolucionando o time do Liverpool e que pegou um time fraco montado pelo Dalglish e fez o time aprender a jogar bola, embora os resultados sejam piores, mas quem liga para a posição do time na tabela?), trouxe de volta o Shelvey (a.k.a. Frankestein) que, tenho a impressão, se fosse brasileiro, seria um zagueirão truculento, estilo Domingos (ou Clebão, ou Batata), mas no país dos inventores do futebol ele parece ser bom o suficiente para jogar de meia-ofensivo. Que na base isso tenha sido uma vantagem, um cara possante perto da molecadinha mirrada, é inteligível, o que não é, no entanto, é no que se diz ser uma liga top um jogador desse ser utilizado por um time grande como meia armador.
Para além dessa escolha muito, mas muito mesmo, discutível, cabe destacar como com Henderson, Shelvey e Downing o time ficou com um jogador aberto pela direita e dois outros (os dois primeiros) trombando pelo meio. Se justificaria pela manutenção do esquema (4-2-3-1), não se justifica, entretanto, que o Suarez que vinha jogando como um meia-atacante (ou como um segundo atacante pelo meio, jogando atrás do atacante principal) seja avançado para jogar de atacante na ausência do Sturridge, principalmente se a ideia é fazer com que o Suarez se acostume com a posição. Veja bem, eu não concordo com a mudança, pois, na minha opinião o Suarez vinha jogando muito bem como atacante e o mesmo não se repetiu desde que o técnico dos Reds deslocou-o para jogar mais recuado ou pela ponta, mas se ele tem convicção de que esse é o caminho não seria o ideal jogar com o Suarez nessa posição e com o Borini (sim, o inestimável Borini, jogador de 12 milhões de euros!!!) como atacante? Aliás, vem se tornando um costume do técnico deslocar jogadores que vinham jogando bem. Com o Henderson, que não é nenhum craque, mas que vinha jogando bem dentro das suas limitações, ocorreu algo semelhante, de centralizado ele passou, algumas vezes, a jogar mais aberto pela esquerda e lá se foram as boas atuações...
De uma maneira ou de outra o que se viu foi um time, no primeiro tempo principalmente, sem mobilidade, sem ultrapassagens pelas laterais, sem agudez. No segundo, Rodgers abriu o Shelvey pela esquerda e o time ganhou em estabilidade, não ganhou, no entanto, em criatividade e mobilidade. Com um time que não ia a lugar algum vieram as mudanças: Borini e Sterling por Henderson e Borini. Ademais da preferência inexplicável pela presença do Stewart Marlos (em detrimento do Henderson que é mais aplicado e mais agudo) as substituições eram necessárias. Com elas o time se tornou mais perigoso, embora não o suficiente e, em parte, porque o garoto de 12 milhões de euros, aparentemente, não usa a perna esquerda nem para descer do ônibus. Um elemento que chama a atenção, aliás, no jogo de hoje é a quantidade de bolas cruzadas pelo Liverpool na área adversária, principalmente, num time que emprestou o Carroll.
Com uma bola parada, em mais um erro de marcação do Agger em um escanteio (foram pelo menos mais dois erros que custaram gols ao Liverpool, um deles no jogo contra o Chelsea), o West Brom abriu o placar e em um contra-ataque selou a vitória.
Por fim, o que se viu foi um retrato do que vem sendo o time do Liverpool não esse ano, mas já há algum tempo, um time sem criatividade e sem força ofensiva que depende, quase que exclusivamente, do brilho do Suarez e do Gerrard. Esse time não é, de jeito nenhum, uma evolução em relação ao time do Dalglish. Os resultados não são diferentes, os problemas não são muito diferentes. A ideia de que o Rodgers vem fazendo o time jogar mais bola (no sentido de melhor) é uma ilusão, é um jogo de marketing no qual a imprensa caiu e vem tentando fazer com que acreditemos. Para falar a verdade, creio que num jogo entre o melhor time do Rodgers contra o melhor do Dalglish (deste e do ano passado, respectivamente), o time do escocês venceria.

Avaliação dos jogadores:

Reina: pouco participou do jogo, fez uma boa defesa e, no mais, não comprometeu; 6,0.
Johnson: atabalhoado na defesa, teve algumas poucas boas descidas ao ataque (em especial a que acabou num toque de letra do Henderson), embora, muitas vezes, tenha sobrado força e faltado inteligência ao lateral; 4,0.
Carragher: esse não complica, apesar de ser, agora, um jogador bastante lento; 6,0.
Agger: falhou, novamente, na marcação do escanteio e no segundo gol. Quanto ao escanteio em si, creio que está na hora de o técnico arrumar uma outra solução, por exemplo, uma defesa posicionada em vez de uma homem-a-homem, pois, evidentemente, não está dando certo; 1,0.
Enrique: sem um jogador caindo pelo seu lado mais a frente poderíamos esperar um lateral mais ofensivo, mas não foi o que aconteceu, em especial, porque ele não tem habilidade para fazer nada sozinho, quando algum jogador caiu pelo seu setor, melhorou um pouco; 3,0.
Lucas: mais perdido que cego em tiroteio, não marcou ninguém e não participou do jogo; 1,0.
Gerrard: alguns bons passes e uma boa chegada à frente (na jogada em que o Borini não conseguiu capitalizar o rebote), mas sua atuação fica marcada pelo penalti que perdeu e que poderia ter encaminhado a vitória; 5,0.
Henderson: não sabia em que posição estava jogando; 4,0.
Shelvey: parece uma múmia truculenta se movendo, sempre em câmera lenta; 2,0.
Downing: ele geralmente é só o que sabe ser, ou seja, um presepeiro, pipoqueiro, faz fumaça e só, no máximo descola um escanteio, exigir mais do que isso (como o Brendan Rodger fez) é uma covardia, pois só destaca a sua improdutividade e incompetência; 1,0.
Suarez: não é mais o mesmo desde que foi mudado de posição, jogo bastante fraco, mesmo assim conseguiu algumas faltas perigosas nos arredores da área e o penalti que poderia dar a vitória aos Reds; 5,0.

Sterling: acho ainda que ele é um jogador imaturo e tecnicamente limitado, mas é muito mais agudo que o Downing. Não é à toa que o time ficou mais perigoso com a sua presença; 5,0.
Borini: esse ainda vai ter que jogar muita bola pra justificar a contratação (o que eu, sinceramente, acho que não vai ocorrer), é um atacante muito menos útil do que o Carroll que foi dispensado; 3,0.
P. Coutinho: jogou pouco; sem nota.

Brendan Rodgers: como alguns jogadores, mostra, na minha opinião, cada vez mais, que não tem gabarito para estar num time desse tamanho. Quem sabe com o fim da temporada ele não carrega consigo Downing, Borini e Allen... ia ser uma boa.