A verdade é que muito pouco se pode reclamar dos jogadores do Liverpool hoje. É claro, o erro do Carragher que acabou sendo o da desclassificação foi medonho (e inaceitável para um jogador do nível dele), o Johnson (que não é mais do que um jogador mediano) fez mais uma partida em que a impressão que fica é a de que ele não acertou nada, o Downing, não tem muito o que falar, exceto que se trata de um jogador para a segunda divisão inglesa. Fora isso, creio que quem está aí para ser criticado é o Brendan Rodgers que, mais uma vez, teve uma atuação medonha e decisiva na partida. Para começar a escalação foi errada, principalmente para um time que precisava ganhar de 2 gols de diferença (quando tomou o gol e a necessidade de 4 gols de diferença se instaurou, então, nem comento nada). Desde que chegou ao Anfield, o Henderson não fez um único bom jogo atuando como winger, mas, é claro que precisando da vitória, era mais do que a hora de se apostar nisso. O que se viu foi um Liverpool com Lucas, Allen, Gerrard e Henderson atuando pelo meio e trombando um com os outros. As boas jogadas do primeiro tempo vieram, então, com tentativas individuais do Suarez e com o Enrique, que fez uma boa partida, em termos ofensivos, pela esquerda.
Mesmo assim, contando com uma partida inspirada do atacante uruguaio, os Reds viraram o placar para 3x1, deixando o time a um gol de alcançar a classificação. Veio, então, a mão abençoada do Brendan Rodgers, colocando o Shelvey em campo; sim, ele insiste com o Frankestein!!! (A única situação em que a entrada dele poderia ser uma opção era se o time precisasse de um grandalhão metido na área para o abafa - isso vindo, evidentemente, de um time que não tem um único atacante para deixar no banco e que se desfez de Andy Carroll, o que mostra um grandíssimo senso de planejamento -, mas não, para o "mágico da beirada do campo" o Shelvey é um meia de habilidade, que entra para resolver partidas com a sua criatividade e agudez...). A outra substituição era necessária, ou seja, a entrada de um ponta para abrir o jogo e criar espaços, deveria, de fato, sair um dos volantes. Mas com a saída dos dois e com a presença do Shelvey como meia o que se viu foi o time do Liverpool, que tinha controle quase absoluto da partida naquele momento, perder o meio-campo e deixar escapar a chance de ganhar. Mais do que isso, o que se viu foi a tal da filosofia Brendan Rodgers (o time com a posse de bola e saindo tocando, com a bola no chão) tomando seu rumo mais pobre com um time que foi apertado na saída de bola e não conseguiu mais do que se complicar, mas que insistia e, nesse brincadeira, ficou longe do gol do adversário pelo simples motivo de que os jogadores não se dignavam a dar o chutão quando era necessário e, quando o davam, não havia ninguém para disputar a bola.
Em outros termos, um time que tinha o controle da partida, quando pressionado, entregou a posse de bola (tão valorizada e tão facilmente entregada) e a chance de ganhar. Aliás, essa brincadeira de ficar tocando a bola na defesa foi ao encontro das necessidades de muitos jogadores dos Reds cujo desejo mais profundo quando o jogo está complicado é que a bola não passe pelos seus pés.
Avaliação dos jogadores:
Reina: uma saída medonha do gol causou arrepios em todos, fora isso não comprometeu. Creio, mesmo assim, que seu "ciclo" no Anfield esteja chegando ao fim. 6,0.
Johnson: ao que parece, descobriu que é um volante jogando na lateral, toda vez que pode procura se enfiar pelo meio e deixar tanto a defesa como o winger do seu lado desamparado. 3,0.
Carragher: erro medonho e inaceitável causou o gol do Zenit. Depois disso, ficou inseguro e toda a sua partida foi prejudicada. Entrou até na farra de ficar brincando com a bola em sua própria defesa. 3,0.
Agger: outro que teve muita dificuldade para marcar o único atacante do Zenit, Hulk, mostra, mais uma vez, que o Liverpool tem dificuldades com times que tem atacantes possantes e preferem o jogo mais direto. Apesar de tudo, mostrou vontade de ganhar (coisa que falta a muitos no Anfield), conseguindo a falta do primeiro gol. Outro que, por vezes, foi até irresponsável na saída de bola. 4,0.
Enrique: grande atuação ofensiva, defensivamente, no entanto, não jogou com a seriedade necessária. 7,0.
Lucas: tem que correr pelo time todo, mas não vem conseguindo nesse esquema (4-2-3-1). No segundo tempo, então, com as alterações medonhas do Rodgers, ficou absolutamente perdido. 4,0.
Allen: foi prejudicado pelo congestionamento pelo meio, mas conseguiu tocar a bola com certa qualidade e se apresentou no ataque (fazendo o segundo gol). 6,0.
Gerrard: foi bem na distribuição de bola, no entanto, deveria ser o jogador a chamar o jogo e decidir (pelo menos tentar) a partida. Todas as vezes em que teve a chance de chutar para o gol, preferiu o passe. Desapontador. 6,0
Henderson: não é um winger, não adianta. No máximo mais um jogador para compor o meio-campo. Foi o que provou hoje. 5,0.
Downing: a expectativa quando a bola passa pelos seus pés é a menor possível porque quase nunca (pra não dizer nunca, de fato) sai uma jogada de perigo. É impressionante, entretanto, a regularidade dele, sempre produz muito pouco. Mais impressionante é a sua permanência na equipe. 3,0.
Suarez: inspirado, mesmo que, com a bola rolando, não tenha criado grandes oportunidades, cobrou as faltas e meteu 2 gols. Fora isso, foi, sempre, uma pedra no sapato da defesa adversária. 9,0.
Assaidi: depois da partida de hoje a pergunta que fica é: por que não é mais utilizado? Não tenho dúvida nenhuma de que ele pode ser mais útil que o Downing e que, jogando como winger, é melhor do que o Henderson. Jogou pouco tempo, mas fez muita fumaça pelo canto esquerdo do ataque. 7,0.
Shelvey: pra resumir: entrou e, logo numa das suas primeiras aparições, poderia ter sido expulso. O pior é que eu nem sequer acho que isso teria sido pior. Fica na minha cabeça sempre a pergunta: quem, em qualquer momento, achou que esse cara poderia jogar no meio campo? Quem acha que ele tem habilidade e técnica? 2,0.
Sterling: pouco tempo em campo. Sem nota.
Eu tinha até esquecido que o Assaidi existia... não tem cabimento ele ser reserva, quanto mais nem estar no banco, como acontece quase sempre.
ResponderExcluirE o fato de ter só um atacante em campo e NENHUM no banco imediatamente depois de uma janela de transferências me faz questionar as ambições do técnico/diretoria/clube...