Um primeiro tempo típico de um Liverpool que os bajuladores do Brendan Rodgers parecem nunca lembrar que ocorrem. Um time estático e, hoje, manco. Os Reds jogaram, basicamente, pelo lado direito com o Downing e com o "apoio" do Johnson. A estratégia de jogar pelo lado do Downing não se justificaria nem se o seu marcador fosse um recém-nascido, pelo simples fato de que o jogador inglês tem a mania de "downiar". Basta ver em qualquer enciclopédia de futebol que o termo é apenas mais um nome de uma síndrome bastante comum (popularmente conhecida pelos torcedores são-paulinos como "síndrome de Marlos") que costuma atingir jogadores de alguma técnica, mas, apáticos e sem força de vontade, garra e personalidade. Como desgraça pouca é bobagem junta-se a isso uma atuação muito pouco inspirada de Johnson (que, aliás, tem essa mania), apesar de um ou outro brilhareco ofensivo.
Fora isso, o gênio do banco, Brendan Rodgers (o cara que está revolucionando o time do Liverpool e que pegou um time fraco montado pelo Dalglish e fez o time aprender a jogar bola, embora os resultados sejam piores, mas quem liga para a posição do time na tabela?), trouxe de volta o Shelvey (a.k.a. Frankestein) que, tenho a impressão, se fosse brasileiro, seria um zagueirão truculento, estilo Domingos (ou Clebão, ou Batata), mas no país dos inventores do futebol ele parece ser bom o suficiente para jogar de meia-ofensivo. Que na base isso tenha sido uma vantagem, um cara possante perto da molecadinha mirrada, é inteligível, o que não é, no entanto, é no que se diz ser uma liga top um jogador desse ser utilizado por um time grande como meia armador.
Para além dessa escolha muito, mas muito mesmo, discutível, cabe destacar como com Henderson, Shelvey e Downing o time ficou com um jogador aberto pela direita e dois outros (os dois primeiros) trombando pelo meio. Se justificaria pela manutenção do esquema (4-2-3-1), não se justifica, entretanto, que o Suarez que vinha jogando como um meia-atacante (ou como um segundo atacante pelo meio, jogando atrás do atacante principal) seja avançado para jogar de atacante na ausência do Sturridge, principalmente se a ideia é fazer com que o Suarez se acostume com a posição. Veja bem, eu não concordo com a mudança, pois, na minha opinião o Suarez vinha jogando muito bem como atacante e o mesmo não se repetiu desde que o técnico dos Reds deslocou-o para jogar mais recuado ou pela ponta, mas se ele tem convicção de que esse é o caminho não seria o ideal jogar com o Suarez nessa posição e com o Borini (sim, o inestimável Borini, jogador de 12 milhões de euros!!!) como atacante? Aliás, vem se tornando um costume do técnico deslocar jogadores que vinham jogando bem. Com o Henderson, que não é nenhum craque, mas que vinha jogando bem dentro das suas limitações, ocorreu algo semelhante, de centralizado ele passou, algumas vezes, a jogar mais aberto pela esquerda e lá se foram as boas atuações...
De uma maneira ou de outra o que se viu foi um time, no primeiro tempo principalmente, sem mobilidade, sem ultrapassagens pelas laterais, sem agudez. No segundo, Rodgers abriu o Shelvey pela esquerda e o time ganhou em estabilidade, não ganhou, no entanto, em criatividade e mobilidade. Com um time que não ia a lugar algum vieram as mudanças: Borini e Sterling por Henderson e Borini. Ademais da preferência inexplicável pela presença do Stewart Marlos (em detrimento do Henderson que é mais aplicado e mais agudo) as substituições eram necessárias. Com elas o time se tornou mais perigoso, embora não o suficiente e, em parte, porque o garoto de 12 milhões de euros, aparentemente, não usa a perna esquerda nem para descer do ônibus. Um elemento que chama a atenção, aliás, no jogo de hoje é a quantidade de bolas cruzadas pelo Liverpool na área adversária, principalmente, num time que emprestou o Carroll.
Com uma bola parada, em mais um erro de marcação do Agger em um escanteio (foram pelo menos mais dois erros que custaram gols ao Liverpool, um deles no jogo contra o Chelsea), o West Brom abriu o placar e em um contra-ataque selou a vitória.
Por fim, o que se viu foi um retrato do que vem sendo o time do Liverpool não esse ano, mas já há algum tempo, um time sem criatividade e sem força ofensiva que depende, quase que exclusivamente, do brilho do Suarez e do Gerrard. Esse time não é, de jeito nenhum, uma evolução em relação ao time do Dalglish. Os resultados não são diferentes, os problemas não são muito diferentes. A ideia de que o Rodgers vem fazendo o time jogar mais bola (no sentido de melhor) é uma ilusão, é um jogo de marketing no qual a imprensa caiu e vem tentando fazer com que acreditemos. Para falar a verdade, creio que num jogo entre o melhor time do Rodgers contra o melhor do Dalglish (deste e do ano passado, respectivamente), o time do escocês venceria.
Avaliação dos jogadores:
Reina: pouco participou do jogo, fez uma boa defesa e, no mais, não comprometeu; 6,0.
Johnson: atabalhoado na defesa, teve algumas poucas boas descidas ao ataque (em especial a que acabou num toque de letra do Henderson), embora, muitas vezes, tenha sobrado força e faltado inteligência ao lateral; 4,0.
Carragher: esse não complica, apesar de ser, agora, um jogador bastante lento; 6,0.
Agger: falhou, novamente, na marcação do escanteio e no segundo gol. Quanto ao escanteio em si, creio que está na hora de o técnico arrumar uma outra solução, por exemplo, uma defesa posicionada em vez de uma homem-a-homem, pois, evidentemente, não está dando certo; 1,0.
Enrique: sem um jogador caindo pelo seu lado mais a frente poderíamos esperar um lateral mais ofensivo, mas não foi o que aconteceu, em especial, porque ele não tem habilidade para fazer nada sozinho, quando algum jogador caiu pelo seu setor, melhorou um pouco; 3,0.
Lucas: mais perdido que cego em tiroteio, não marcou ninguém e não participou do jogo; 1,0.
Gerrard: alguns bons passes e uma boa chegada à frente (na jogada em que o Borini não conseguiu capitalizar o rebote), mas sua atuação fica marcada pelo penalti que perdeu e que poderia ter encaminhado a vitória; 5,0.
Henderson: não sabia em que posição estava jogando; 4,0.
Shelvey: parece uma múmia truculenta se movendo, sempre em câmera lenta; 2,0.
Downing: ele geralmente é só o que sabe ser, ou seja, um presepeiro, pipoqueiro, faz fumaça e só, no máximo descola um escanteio, exigir mais do que isso (como o Brendan Rodger fez) é uma covardia, pois só destaca a sua improdutividade e incompetência; 1,0.
Suarez: não é mais o mesmo desde que foi mudado de posição, jogo bastante fraco, mesmo assim conseguiu algumas faltas perigosas nos arredores da área e o penalti que poderia dar a vitória aos Reds; 5,0.
Sterling: acho ainda que ele é um jogador imaturo e tecnicamente limitado, mas é muito mais agudo que o Downing. Não é à toa que o time ficou mais perigoso com a sua presença; 5,0.
Borini: esse ainda vai ter que jogar muita bola pra justificar a contratação (o que eu, sinceramente, acho que não vai ocorrer), é um atacante muito menos útil do que o Carroll que foi dispensado; 3,0.
P. Coutinho: jogou pouco; sem nota.
Brendan Rodgers: como alguns jogadores, mostra, na minha opinião, cada vez mais, que não tem gabarito para estar num time desse tamanho. Quem sabe com o fim da temporada ele não carrega consigo Downing, Borini e Allen... ia ser uma boa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário