quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

10 motivos pelos quais nós adoramos Carragher


 Jamie Carragher anunciou hoje que ele vai se aposentar do futebol ao fim da temporada – então nós fizemos uma lista dos nossos momentos favoritos que Carragher protagonizou nesses anos.

 Desde a sua estreia contra o Middlesbrough, em janeiro de 1997, até as grandes atuações recentes contra Arsenal e Manchester City, o garoto de Bootle¹  vem sendo o coração scouse² do Liverpool por mais de 16 anos.
Assistir um jogo no Anfield, ou mesmo em qualquer outro estádio da Inglaterra e da Europa nunca mais vai ser a mesma coisa sem os gritos agudos de Carra, comandando seus companheiros de time desde o primeiro até o último minuto do jogo.
No entanto, nos sempre seremos capazes de relembrar com orgulho a extraordinária carreira duma verdadeira lenda dos Reds, que representa inteiramente o Liverpool.
Aqui vão alguns dos seus melhores momentos...

10. Marcar gol na sua estreia no Anfield

O Liverpool tinha um escanteio do lado esquerdo do Kop. Stig Inge Bjornebye estava parado com a bola. “Collymore estava na primeira trave, na pequena área; Wright vinha de trás, na diagonal”, sussurrou Barry Davis enquanto olhava o pórtico do Anfield, pensando como o Liverpool pretendia desempatar o jogo contra o Aston Villa de Brian Little.
Bjornebye cruzou a bola com a esquerda para o meio de uma pequena área lotada. “E Carragher!” clamou o comentarista, veio do nada, o estreante da casa, Jamie Carragher, invadiu a área do adversário e, com uma grande cabeçada, colocou a bola no funda da rede de Mark Bosnich.
“Eu tinha me preparado para muitas coisas que podiam acontecer, mas comemorar um gol não era uma deles”, afirmou Carra. “Você passa anos sonhando com esse momento, imaginando como vai ser e o que vai sentir. É uma dessas experiências únicas que você não pode explicar ou entender. Basta dizer que com 40000 torcedores te apoiando é de arrepiar.”


9. Ligar para Adrian Durham durante seu programa esportivo

“Então passe para o seu próximo assunto porque este está errado”, rugiu uma familiar voz scouse.
Adrian Durham ficou tão atordoado quanto seus milhares de ouvintes que tinham ligado seus rádios para escutar seu programa, intitulado Talksport, em 9 de julho de 2007.
O apresentador vinha falando de forma pouco elogiosa sobre o jogador de Bootle, descrevendo ele como um “desapontador” por pensar em se aposentar da seleção inglesa, e Carragher ouvia seu programa no rádio do carro.
Os ouvintes atônitos e Durham imediatamente perceberam que Carragher não ia deixar que o criticassem injustamente. Sobre isso, Carra escreveu depois em sua autobiografia: “Eu não tenho nenhum problema com quem diz que King ou Woodgate eram melhores zagueiros que eu, eu simplesmente não concordo com isso.”
Outro que parecia não concordar era Cafu, o habilidoso jogador e lenda do Milan, que, no dia da final da Copa dos Campeões da Europa em 2005, afirmou: “Ele é o coração do time deles, mais do que o próprio Steve Gerrard. Carragher é um grande jogador. A Inglaterra deve ter vários grandes zagueiros se ele não for, automaticamente, titular da seleção.”


8. A família de Carragher

“Não importava como eu estava em campo, Philly Carragher foi sempre um bem humorado apoio”, disse Carragher. Em 2006, The Independent concordou com isso: “Quando o assunto é festejar pela Inglaterra, ninguém chega aos pés do clã dos Carraghers de Liverpool. Há cerca de 20 deles na Alemanha, liderados pelo pai de Jamie, Philly – ou “Carra” como seu próprio grupo o chama.
Jamie disse ainda: “Sua influência na minha carreira pode ser vista por qualquer um. Ele fez de mim um vencedor e esteve ao meu lado a cada passo do caminho de ser um jogador de sucesso. Me ensinaram que a família e os amigos são as coisas mais importantes em sua vida.”

7. Liverpool acima da Inglaterra

“O Liverbird derrotou os três leões na luta pela minha lealdade”, afirmou Carragher. Esse foi um sentimento que Jamie nunca escondeu durante sua carreira e um dos que mais desagradaram os torcedores de outros times do país.
Muitos, por toda a Inglaterra, tiveram dificuldades em entender como um jogador pode colocar seu clube à frente da seleção nacional, mas, para muitos dos torcedores do Liverpool, não há nem o que pensar.
O fato de Carragher ter sido corajoso o suficiente para reiterar isso em diversas ocasiões é, com certeza, um dos motivos que aproximam o número 23 dos torcedores dos Reds. “Não existe esse ideia de “só a Inglaterra” para a maioria dos jogadores, incluindo muitos dos meus melhores amigos. Representar seu país é a maior honra, principalmente, na Copa do Mundo. Para mim, não”, falou Carragher.
Acrescentou ainda: “Toda vez que eu voltava para casa depois de um jogo ruim, um dos mais inabaláveis e constantes pensamentos que vinham a minha mente, não importando o quanto o país lamentava, era ‘Pelo menos não foi com o Liverpool’, eu repetia para mim mesmo, várias vezes. Eu nunca gritei o hino antes de um jogo. Eu não sei qual é a mensagem que ele tenta passar. ‘God save the Queen’ não me contagia. Nós cantamos ‘You’ll Never walk alone’, no Anfield, e todo mundo entende. É um hino de guerra e de apoio ao outro, enfrentando o que vier pela frente, seja vento, seja chuva”.

6. Caridade e a Fundação 23 [23 Fundation]

Em 2009, Jamie decidiu doar toda a renda da homenagem, feita pelo Liverpool, a ele para caridade. Entretanto, Carragher, junto com sua esposa Nicola, achavam que isso não era suficiente e decidiram fazer “algo que durasse por toda uma vida.”
A 23 Fundation, de Jamie Carragher, procura “ajudar o máximo de crianças possíveis a terem uma vida melhor.” Ela tenta dar aos garotos da área de Merseyside uma chance de realizar seus sonhos por meio de organizações de caridade locais, clubes e iniciativas comunitárias, fornecendo os meios para que se faça a diferença. Seja ajudando garotos da região a se recuperarem de doenças, seja fornecendo um ofício para eles atingirem seus objetivos.
A esse respeito, afirma Carragher: “A 23 Fundation promove uma ideia de coletividade, porque juntos, como uma comunidade, nós podemos alcançar o que quisermos.”

5. Sua mudança de um jogador coringa para zagueiro

Com a contratação de Rafa Benitez, em 2004, o otimismo pairava sobre o Anfield e, mais importante, sobre Carragher, com novas possibilidades. Enquanto o técnico anterior, Gerard Houllier, se recusava a escalar Carra como um zagueiro (mesmo depois dos protestos do assistente técnico, Phil Thompson), o recém-chegado Rafa imediatamente reconheceu a habilidade de Carragher para atuar em sua posição preferida.
O espanhol colocou Jamie no centro da defesa, junto com Sami Hyypiä, logo no começo da temporada 2004-2005; o resto é história.
“Eu estava curtindo atuar como zagueiro central, atuando com o mesmo nível de consistência que eu sempre gostei de atuar, mas num papel muito mais adaptado as minhas características”, afirmou Carra. “A sabedoria defensiva de Benitez me impressionou muito. Foi um avanço em relação ao modo como eu jogava antes. Benitez foi o maior influenciador da minha transformação em zagueiro. Ele tirou o melhor de mim e me transformou num zagueiro de nível europeu. Eu joguei meu melhor futebol sob seu comando.”

4. Mandar Dudek imitar Grobbelaar

Essa foi um das mais duradouras memórias de uma noite que reuniu tantos em Istambul. Carra gesticulando com Jerzy Dudek, como se estivesse possuído, cutucando e empurrando o goleiro enquanto berrava instruções em seus ouvidos.
Pode não ter parecido o jeito ideal de o jogador polonês se preparar para uma das mais importantes disputas de pênalti da história do Liverpool, mas talvez tenha sido a melhor.
“Dudek é um dos caras mais bacanas do futebol. E isso é ótimo quando você quer sair com alguém para tomar cerveja, mas quando você quer aquele algo a mais que pode ser a diferença entre ganhar a Copa dos Campeões ou ir para casa devastado, é hora de sugerir conselhos sobre as artes mais sutis da astúcia. Antes das penalidades eu me dirigi diretamente até Jerzy e falei para ele fazer todo o possível para perturbar os cobradores do Milan. Tire a atenção deles, faça com que se distraiam, mexa com os nervos deles. Não me importava o que ele tinha feito, eu só queria que ele tornasse tudo ainda mais difícil para os adversários. Lembre-se de Bruce Grobbelaar nos pênaltis em Roma, em 1984, eu dizia ao meu goleiro.”

3. Garoto nascido e formado em Bootle

Nascido como James Lee Duncan Carrragher, em 28 de janeito de 1978, Jamie passou boa parte de sua infância na beirada do campo da Sunday league, assistindo seu pai Philly imitar os maiores técnicos de futebol com seu time, o Merton Villa.
Jamie nunca esqueceu suas raízes na classe trabalhadora e da sua criação em Bootle. Ele falou: “Eu me sinto abençoado por ter nascido aqui. Eu tenho orgulho da minha cidade e mais ainda do distrito ao qual ainda pertenço. Vestir a camisa do Liverpool me obriga não somente a nunca me decepcionar, mas a fazer minha família, meus amigos, minha cidade e distrito orgulhosos de mim. Sem isso em perspectiva eu nunca me tornaria um jogador de sucesso. Meu coração e minha alma foram nascidos e forjados em Bootle. O futebol nunca foi uma fuga dessas origens, mas um jeito de celebrá-la. Essas pessoas maravilhosas ainda se lembrar daquele garoto que ficava do lado do campo, com seu pai, todo domingo. Eu nunca vou virar minhas costas a essas pessoas que me tornaram o que sou.”

2. Quem é maior do que o Liverpool?

Geoff Shreeves, repórter da Sky Sports, entrevistou Carragher antes de um derby de Merseyside, em 2005. Os dois brincaram e gargalharam com o fato de que em um certo momento Carragher foi um atacante que torcia para o Everton e agora era um zagueiro, jogando pelo Liverpool. Então a conversa trocou de foco, quando a questão passou a ser se Jamie gostaria de passar toda a sua carreira no Anfield: “É claro que eu gostaria”, foi a resposta de Carra.
Shreeves: Eu acho que, talvez, algumas pessoas da mídia estejam coçando suas cabeças porque, como você disse, você tem 26 para 27 anos, está no auge da sua carreira e poderia ir para um clube maior, onde teria chance de ganhar mais títulos...
Carragher: Bem, quem é maior do que o Liverpool?
Shreeves: Você não acha que tem alguém maior?
Carragher: O que? Maior? Normalmente? Ou... o que?
Shreeves: Você poderia ir para um time em que teria mais chance de ganhar títulos na próxima temporada.
Carragher: Não, de jeito nenhum, eu não concordo com isso.

1. Em Istambul

Carragher vai ser mais lembrado pelas suas atuações defensivas monstruosas em tantas noites de campeonatos europeus pelo Liverpool. Em Turim, em Milão e Barcelona, assim como em incontáveis emocionantes tardes no Anfield em que ele anulou Drogba, frustrou os planos de Nedved e venceu grandes futebolistas como Raúl, Del Piero e Ronaldinho. No entanto, um duelo em especial, numa noite específica, vai se destacar mais do que qualquer outro na memória dos fãs de Carra. Sua atuação em Istambul, em maio de 2005, e seus esforços para parar o Jogador Europeu do Ano, Andriy Shevchenko, pavimentaram seu lugar como uma lenda do Anfield.
No minuto 81 ele se jogou num brilhante carrinho lateral em Kaka, que se posicionou para converter um cruzamento de Crespo, isso tudo antes de ele se atirar à frente de Shevchenko, no minuto 86, quando o ucraniano se preparava para finalizar o que poderia ter sido o gol da vitória de seu time. “Aqueles 30 minutos de prorrogação foram os mais tensos, cansativos e, por fim, recompensadores que eu já passei num campo de futebol. No fim de minha carreira, se houver um momento pelo qual eu serei lembrado, será esse. Durante o segundo tempo da prorrogação eu me estiquei para interceptar um cruzamento e me deu câimbra. Nem mesmo quebrar a perna doeria tanto. Foi só por um momento, e logo foi tratada, mas eu sabia que o meu corpo estava no limite”.
Alguns minutos depois, ele, apesar da dor lancinante, mais uma vez esticou sua perna. “Assim que eu fiz isso, parecia que o mundo todo estremecia por mim, admirando o tormento físico que eu passava. Eu não pensei duas vezes antes de me jogar no caminho, qualquer dor que isso me causasse nos segundos seguintes não seria maior do que a que eu sentiria se eu tivesse hesitado e só observado ele marcar o gol. Coragem, caráter, garra, força de vontade e força física – essas são as virtudes que as pessoas me ensinaram a ter desde que eu fiz sete anos. Os atacantes podem marcar seus gols decisivos, os goleiros, suas defesas milagrosas. Uma série de carrinhos em que eu me coloquei a frente de um atacante do Milan vai ser minha mais querida memória de uma vida de futebol.”

Fonte: http://www.liverpoolfc.com/news/latest-news/10-reasons-why-we-love-carra
Autor: @philreade

¹ Bootle – cidade do condado de Merseyside
² Scouse – referente à região de Liverpool, a pessoa ou coisa própria dessa parte da Inglaterra

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