terça-feira, 27 de agosto de 2013

Football Culture (Dave Kirky)

brincando de tradutor:



Cultura Futebolística (Dave Kirky)

Cultura futebolística, o que isso quer dizer?
Nessa cidade magnífica em que nos toca viver.
Se cultura significa drama, então de tudo já vimos
Mas os nossos artistas... com a bola entretêm-nos

E se cultura significa conhecimento e amor pelas artes,
Então os torcedores do Liverpool são uma história à parte.
Porque futebol é uma forma de arte com a qual nos criamos
Enquanto o conhecimento adquirimos viajando vários anos.

Fui ao jogo com meu pai pela primeira vez
Ele me levou à torcida, ao KOP... igual seu pai fez.
Depois, conforme crescia, ia com meus amigos
Era nosso único refúgio desse sistema repressivo.

Durante a semana em bando vivíamos,
Nas portas dos bares, nossas canecas bebíamos
Mas chegava a tarde de sábado e de repente...
A vida tocava uma música diferente.

Nós íamos para o estádio de futebol,
Um oceano de cor com ondas de som.
Sentíamos que lá era o nosso lugar
Entendíamos quem éramos sem nem mesmo pensar.

Vinte e seis mil se espremiam na torcida
Ninguém queria ver aquela alegria interrompida.
Cantando e agitando, os mastros desfraldados
Como se para outro mundo fôssemos levados.

E, então, King Kenny podia marcar um gol de bicicleta
E por um instante... você esquecia que estava na sarjeta.
Não estava procurando um canteiro de obras, uma gleba
Nem era somente uma estatística, tratado como merda.

Futebol podia te levar bem distante
Fazer sentir-se importante... ao menos por um instante
Filhos de operários com nada mais na vida
Encontrando um jeito de se senti-la mais vívida.

De passear nas vielas do bairro, fazendo zona
Nos encontramos em lugares como Paris e Roma.
De carona em carona e viagens em trens
Conquistamos a Europa... mais de uma vez.

Eu tento explicar para as pessoas esse sentimento
O orgulho e a paixão surreal desses momentos.
Alguns dizem: “São apenas homens chutando uma bola”
Mas acreditem... quem diz isso não bate bem da cachola.

Outros afirmam que a cultura é algo mais profundo,
Que ela não existe nesse pequeno verde mundo.
Mas onde estavam, nessa semana, essas vozes iludidas
Quando quase um milhão ocupava essa avenida?

A criatividade se desenvolve na torcida
Conheço poetas que nas docas têm sua lida.
Não se influenciam por Wordsworth ou Keats
Sua inspiração vem direto de Rush e Dalglish

Até os dramas de Shakespeare soam nulos
Comparado com o que aconteceu em Istambul.
Pensando desse jeito... nada sequer se aproxima
Da história que foi escrita esse ano na Turquia.

Futebol não é somente um jogo, veja bem,
Ele acende emoções que não se sabe de onde vêm.
Uma grande vitória traz êxtase... e lágrimas
Para pais e amigos que já não estão mais aqui.

Isso é o que a cultura futebolística significa
Não se restringe a um time, um estádio, uma insígnia.
É uma vida completa, recheada de drama
Capital de memórias... Capital que sonha.


ps: o texto de Kirky pode ser encontrado em http://eujacainoanfield.blogspot.com.br/2012/12/football-culture-dave-kirky.html#comment-form

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Pesos e medidas

Existe um velho ditado que diz que quem pode mais chora menos. Faz todo o sentido do mundo se pensarmos que aquele que tem mais condições tende a se colocar numa situação melhor e ter menos decepções. Por outro lado, aquele que tem menos condições tem como prerrogativa a reclamação. O que pode mais se impõe em relação ao que não pode com ele, restando a este chorar. Simples assim. Lembrei disso hoje quando vi o pífio posicionamento do Liverpool em relação à punição ao Suarez. Lembrei-me também do filme Dogville, em que a protagonista é abusada em todos os sentidos possíveis e não tem como reclamar, uma vez que todos tiram vantagem da sua punição e todos se aproveitam dela. Resta a ela se conformar com a situação (mesmo que inconformada). Não me parece uma situação muito diferente da do Liverpool na Inglaterra, que está sendo transformado - a despeito de sua torcida e com a conivência dos seus dirigentes que acham que acatando desaforos vão conseguir se introduzir no seio podre da politicagem futebolística - em um time pequeno, em quase nada... Talvez, o que falte seja justamente um final como o do filme de Lars von Trier... o que, por si só, é bastante triste (embora redentor).
Há tempos, parece, há uma disjunção entre o espírito da torcida do Liverpool e a da política do clube. A torcida foi sempre a de lutar pelos seus direitos, de lutar contra a injustiça, de revelar a podridão daqueles que estão no poder. O movimento pela justiça e pela apuração dos fatos que tiveram lugar em Hillsborough talvez seja o melhor exemplo disso. O clube, entretanto, tem exagerado na postura demagógica, no apoio a julgamentos e punições que contrariam a noção de justiça. O medo de se questionar a decisão das autoridades instituídas, além disso, parece apontar para uma confusão entre legalidade e justiça. Que a punição do Suarez é legal, no sentido de que foi tomada de acordo com os regulamentos, é um fato, mas justa? Se fosse justa, com certeza, não haveria esse espírito de indignação pairando pelo ar. Se fosse justa, outros teriam sido punidos de maneira semelhante.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Liverpool 3x1 Zenit, 21 de fevereiro de 2013

A verdade é que muito pouco se pode reclamar dos jogadores do Liverpool hoje. É claro, o erro do Carragher que acabou sendo o da desclassificação foi medonho (e inaceitável para um jogador do nível dele), o Johnson (que não é mais do que um jogador mediano) fez mais uma partida em que a impressão que fica é a de que ele não acertou nada, o Downing, não tem muito o que falar, exceto que se trata de um jogador para a segunda divisão inglesa. Fora isso, creio que quem está aí para ser criticado é o Brendan Rodgers que, mais uma vez, teve uma atuação medonha e decisiva na partida. Para começar a escalação foi errada, principalmente para um time que precisava ganhar de 2 gols de diferença (quando tomou o gol e a necessidade de 4 gols de diferença se instaurou, então, nem comento nada). Desde que chegou ao Anfield, o Henderson não fez um único bom jogo atuando como winger, mas, é claro que precisando da vitória, era mais do que a hora de se apostar nisso. O que se viu foi um Liverpool com Lucas, Allen, Gerrard e Henderson atuando pelo meio e trombando um com os outros. As boas jogadas do primeiro tempo vieram, então, com tentativas individuais do Suarez e com o Enrique, que fez uma boa partida, em termos ofensivos, pela esquerda.
Mesmo assim, contando com uma partida inspirada do atacante uruguaio, os Reds viraram o placar para 3x1, deixando o time a um gol de alcançar a classificação. Veio, então, a mão abençoada do Brendan Rodgers, colocando o Shelvey em campo; sim, ele insiste com o Frankestein!!! (A única situação em que a entrada dele poderia ser uma opção era se o time precisasse de um grandalhão metido na área para o abafa - isso vindo, evidentemente, de um time que não tem um único atacante para deixar no banco e que se desfez de Andy Carroll, o que mostra um grandíssimo senso de planejamento -, mas não, para o "mágico da beirada do campo" o Shelvey é um meia de habilidade, que entra para resolver partidas com a sua criatividade e agudez...). A outra substituição era necessária, ou seja, a entrada de um ponta para abrir o jogo e criar espaços, deveria, de fato, sair um dos volantes. Mas com a saída dos dois e com a presença do Shelvey como meia o que se viu foi o time do Liverpool, que tinha controle quase absoluto da partida naquele momento, perder o meio-campo e deixar escapar a chance de ganhar. Mais do que isso, o que se viu foi a tal da filosofia Brendan Rodgers (o time com a posse de bola e saindo tocando, com a bola no chão) tomando seu rumo mais pobre com um time que foi apertado na saída de bola e não conseguiu mais do que se complicar, mas que insistia e, nesse brincadeira, ficou longe do gol do adversário pelo simples motivo de que os jogadores não se dignavam a dar o chutão quando era necessário e, quando o davam, não havia ninguém para disputar a bola.
Em outros termos, um time que tinha o controle da partida, quando pressionado, entregou a posse de bola (tão valorizada e tão facilmente entregada) e a chance de ganhar. Aliás, essa brincadeira de ficar tocando a bola na defesa foi ao encontro das necessidades de muitos jogadores dos Reds cujo desejo mais profundo quando o jogo está complicado é que a bola não passe pelos seus pés.

Avaliação dos jogadores:

Reina: uma saída medonha do gol causou arrepios em todos, fora isso não comprometeu. Creio, mesmo assim, que seu "ciclo" no Anfield esteja chegando ao fim. 6,0.
Johnson: ao que parece, descobriu que é um volante jogando na lateral, toda vez que pode procura se enfiar pelo meio e deixar tanto a defesa como o winger do seu lado desamparado. 3,0.
Carragher: erro medonho e inaceitável causou o gol do Zenit. Depois disso, ficou inseguro e toda a sua partida foi prejudicada. Entrou até na farra de ficar brincando com a bola em sua própria defesa. 3,0.
Agger: outro que teve muita dificuldade para marcar o único atacante do Zenit, Hulk, mostra, mais uma vez, que o Liverpool tem dificuldades com times que tem atacantes possantes e preferem o jogo mais direto. Apesar de tudo, mostrou vontade de ganhar (coisa que falta a muitos no Anfield), conseguindo a falta do primeiro gol. Outro que, por vezes, foi até irresponsável na saída de bola. 4,0.
Enrique: grande atuação ofensiva, defensivamente, no entanto, não jogou com a seriedade necessária. 7,0.
Lucas: tem que correr pelo time todo, mas não vem conseguindo nesse esquema (4-2-3-1). No segundo tempo, então, com as alterações medonhas do Rodgers, ficou absolutamente perdido. 4,0.
Allen: foi prejudicado pelo congestionamento pelo meio, mas conseguiu tocar a bola com certa qualidade e se apresentou no ataque (fazendo o segundo gol). 6,0.
Gerrard: foi bem na distribuição de bola, no entanto, deveria ser o jogador a chamar o jogo e decidir (pelo menos tentar) a partida. Todas as vezes em que teve a chance de chutar para o gol, preferiu o passe. Desapontador. 6,0
Henderson: não é um winger, não adianta. No máximo mais um jogador para compor o meio-campo. Foi o que provou hoje. 5,0.
Downing: a expectativa quando a bola passa pelos seus pés é a menor possível porque quase nunca (pra não dizer nunca, de fato) sai uma jogada de perigo. É impressionante, entretanto, a regularidade dele, sempre produz muito pouco. Mais impressionante é a sua permanência na equipe. 3,0.
Suarez: inspirado, mesmo que, com a bola rolando, não tenha criado grandes oportunidades, cobrou as faltas e meteu 2 gols. Fora isso, foi, sempre, uma pedra no sapato da defesa adversária. 9,0.

Assaidi: depois da partida de hoje a pergunta que fica é: por que não é mais utilizado? Não tenho dúvida nenhuma de que ele pode ser mais útil que o Downing e que, jogando como winger, é melhor do que o Henderson. Jogou pouco tempo, mas fez muita fumaça pelo canto esquerdo do ataque. 7,0.
Shelvey: pra resumir: entrou e, logo numa das suas primeiras aparições, poderia ter sido expulso. O pior é que eu nem sequer acho que isso teria sido pior. Fica na minha cabeça sempre a pergunta: quem, em qualquer momento, achou que esse cara poderia jogar no meio campo? Quem acha que ele tem habilidade  e técnica? 2,0.
Sterling: pouco tempo em campo. Sem nota.

Liverpool 5x0 Swansea, 17 de fevereiro de 2013

Com uma formação um pouco diferente da usual - mais próxima de um 4-4-2 inglês do que do 4-5-1 ou 4-2-3-1 que o Brendan Rodgers vinha utilizando - o Liverpool fez uma boa partida, em casa, contra o Swansea. A entrada do Coutinho jogando pelo lado esquerdo (mas com liberdade para cortar para o meio e ajudar na construção das jogadas) e a presença do Sturridge deram aos Reds maior força ofensiva e criatividade. Outra vantagem é que, jogando nesse sistema (4-4-2), o Lucas retorna ao sistema que, com o Dalglish, tirou dele seu melhor futebol. No primeiro tempo, descontado um ou outro momento preocupante da defesa - principalmente pelo lado esquerdo -, viu-se um jogo dominante do time de Anfield, dominação que se deveu, em grande parte, a uma partida inspirada de Suarez que, durante todo o jogo, foi um perigo  para a defesa adversária.
No segundo tempo, com um jogo rápido e inteligente (com jogadores inteligentes, Sturridge, Coutinho e Suarez), os Reds dominaram a partida. Mas, principalmente, foi um time objetivo contra um Swansea entregue. Foi uma boa partida do time coletivamente, mas, em especial, do ataque.

 Avaliação dos jogadores:

Reina: pouco exigido. 7,0.
Johnson: não vem muito bem no ataque, na defesa não teve dificuldades. 6,0.
Carragher: seguro, mesmo com uma defesa jogando mais adiantada. 7,0.
Agger: bom jogo, firme. 7,0.
Enrique: bem no ataque, apoiando e dando opção para os jogadores de meio e para o Coutinho. 8,0.
Downing: até quando todo o time vai bem, ele não se destaca. 6,0.
Gerrard: boa partida, controlando o jogo pelo meio, resta saber se vai ter gás para jogar, nessa posição, vários jogos seguidos. 7,0.
Lucas: marcando bem e se apresentando mais à frente. Bom ver ele tentando chutes de longe. 7,0.
Coutinho: começando como titular, não decepcionou. Mostrou a habilidade que tem. Espero que mantenha o nível. 8,0.
Suarez: grande partida, buscando jogo, criando chances e deixando o seu gol. 9,0.
Sturridge: inteligente e agudo, o tipo de jogador que o Liverpool precisava. Vem colocando de lado as dúvidas sobre se ele seria uma boa contratação para os Reds. 9,0.

Henderson: não é um winger, não tem habilidade nem força, muito menos velocidade para tanto. 6,0.
Allen e Borini: pouco tempo em campo. Sem nota.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Zenit 2x0 Liverpool, 14 de fevereiro de 2013

Nenhuma surpresa em São Petersburgo, o Liverpool, apesar da tradição em copas europeias, mostrou que esse seu time está fadado a apresentações e resultados medíocres. O Liverpool poderia ter ganhado ou pelo menos saído com um resultado melhor? Sim. Ele mereceria? Não, e não digo pelo jogo propriamente dito, mas pela falta de ambição e pela conversa fiada que se tem escutado pelos lados de Anfield. A falta de ambição foi claramente assinalada pelos donos, quando da contratação de Brendan Rodgers: se você quer ter um time de primeiro nível e vencedor, você começa contratando um técnico de primeiro nível e vencedor. Nesse sentido, o currículo do norte-irlandês é impressionante, coleciona nada mais, nada menos do que nenhum título, e mais, o time mais expressivo por ele treinado foi o Swansea. Não é preciso comentar mais nada a esse respeito.
A essa contratação - que por si só foi um desapontamento - soma-se a conversa fiada cujo principal elemento é a noção de "trabalho de longo prazo". Essa conversa sempre surge como desculpa para situações como essa, mas a verdade é que o trabalho de curto prazo do Dalglish parecia estar rendendo resultados mais expressivos, inclusive porque ele compreendia o trabalho com os jovens - que, segundo muitos, parece  ser o carro-chefe do trabalho de Rodgers -, basta lembrar que Flanagan e Robinson, além do Kelly e do Shelvey, eram constantemente utilizados pelo King of the KOP. Aliás, importante ressaltar que esses foram, justamente, os atletas jovens que menos espaço tiveram com o norte-irlandês. Detalhe: além de jovens, eles eram, de fato, crias do Liverpool, ou seja, frequentam a base do time de Anfield desde muito jovens.
No primeiro tempo, na Rússia, o Liverpool foi dominado pelo Zenit, o famoso futebol de posse de bola que seria introduzido nos Reds não chegou nem sequer perto de ser visto. Mesmo assim, foi o time inglês que teve as duas melhores oportunidades no primeiro tempo, ambas com Suarez. Essas duas chances foram construídas, evidentemente, em contra-ataques porque o time não conseguia fazer a bola passar de pé em pé. Como o Zenit também não é um primor na criação de jogadas o que tivemos foi um primeiro tempo tecnicamente bastante fraco e, em certa medida, chato.
O segundo tempo, por sua vez, viu um Liverpool com mais atitude, procurando controlar as ações em campo. A grande melhora na atitude, no entanto, não se converteu em vantagem no placar por dois motivos: primeiro, falta, como sempre, agudeza, para os Reds, cujo o único jogador com um real sentido de gol é Suarez (que não fez, novamente, uma boa atuação, mas, ao contrário de muitos, é um cara que não se esconde do jogo), às vezes ele conta com o apoio do Gerrard ou do Sturridge; segundo, porque falta criatividade e força (ou mesmo vontade de ganhar, garra) aos ingleses, porque, sinceramente, não dá para ficar esperando que o Henderson, o Allen e o Downing produzam alguma coisa. O que nos leva, novamente, para a questão fundamental: elenco. O dos Reds é fraco. A impressão que passa é que o time está sempre jogando com o time reserva reforçado pelo Suarez e pelo Gerrard.
Ontem, ao ler um texto na página do Liverpool me deu vontade de rir: "All of the big names are on the plane to Russia aside from January signings Philippe Coutinho and Daniel Sturridge - both of whom are ineligible." ["Todos os grandes nomes estão no avião para a Rússia, menos as contratações de janeiro Philippe Coutinho e Daniel Sturridge, que não puderam ser inscritos."]. A "graça" desse texto é que se você parar para pensar, quantos "grandes nomes" o time de Anfield possui?
O Zenit, que não é um grande time, precisou de um "grande nome" (e que nem é um grande jogador) para abrir vantagem e as portas para a vitória...
Enquanto isso, o Liverpool continua gastando um bom dinheiro, porque querendo-se ou não gastar 12 milhões é dinheiro, em promessas quando a maioria dos times gasta menos para contratar bons jogadores, muitos deles já concretizados e, mais importante, que podem fazer a diferença. Mas não os Reds, eles, ao que parecem, vão continuar esperando e torcendo pelos brilharecos do Downing, do Henderson, do Allen, do Borini, do Shelvey e do Sterling...

Avaliação dos jogadores:

Reina: não teve influência direta no resultado, mas continua dando sustos... 5,5.
Johnson: jogo regular, 5,5.
Skrtel: contra a falta de mobilidade dos russos não teve dificuldades, 5,5.
Carragher: seguro, foi beneficiado pela lentidão do Zenit, 5,5.
Enrique: compareceu pouco ao ataque, na defesa, não foi exigido, 5,5.
Allen: não é um verdadeiro cabeça-de-área, também não é um meio-campo criativo, 5,5.
Henderson: na maioria do tempo parece desinteressado pelo jogo, quando teve a sua chance ficou com medo de entrar na dividida com o defensor adversário, 4,0.
Gerrard: participou pouco no primeiro tempo, no segundo tentou criar alguma coisa, mas, sozinho, não conseguiu, 6,0.
Downing: outro que parece não ter interesse nenhum no jogo, 4,0.
Sterling: sumido, 5,0.
Suarez: perdeu oportunidades que não costuma, e não deve, perder, foi, no entanto, o único perigo real à defesa adversária, 6,0.

P.S.: Depois de escrever isso, trombei com a seguinte afirmação de Rodgers: "In 6 to 12 months' time, we won't be making those mistakes. This is part of our growing pains as a group. We have to be more clinical." [Daqui a 6 a 12 meses, nós não cometeremos mais esses erros. Isso faz parte do nosso gradual crescimento como um grupo. Temos que ser mais incisivos."]. É aqui, como já disse acima, que mora o problema: esse time não vai ser mais incisivo pelo simples fato de que os jogadores dele não são, é um time que vai continuar tentando (alguns dos jogadores nem isso), enquanto os outros vão e conseguem. West Brom, Aston Villa, Oldham, Swansea e, agora, o Zenit estão aí para confirmar isso.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Liverpool 0x2 West Bromwich, 11 de fevereiro de 2013

Um primeiro tempo típico de um Liverpool que os bajuladores do Brendan Rodgers parecem nunca lembrar que ocorrem. Um time estático e, hoje, manco. Os Reds jogaram, basicamente, pelo lado direito com o Downing e com o "apoio" do Johnson. A estratégia de jogar pelo lado do Downing não se justificaria nem se o seu marcador fosse um recém-nascido, pelo simples fato de que o jogador inglês tem a mania de "downiar". Basta ver em qualquer enciclopédia de futebol que o termo é apenas mais um nome de uma síndrome bastante comum (popularmente conhecida pelos torcedores são-paulinos como "síndrome de Marlos") que costuma atingir jogadores de alguma técnica, mas, apáticos e sem força de vontade, garra e personalidade. Como desgraça pouca é bobagem junta-se a isso uma atuação muito pouco inspirada de Johnson (que, aliás, tem essa mania), apesar de um ou outro brilhareco ofensivo.
Fora isso, o gênio do banco, Brendan Rodgers (o cara que está revolucionando o time do Liverpool e que pegou um time fraco montado pelo Dalglish e fez o time aprender a jogar bola, embora os resultados sejam piores, mas quem liga para a posição do time na tabela?), trouxe de volta o Shelvey (a.k.a. Frankestein) que, tenho a impressão, se fosse brasileiro, seria um zagueirão truculento, estilo Domingos (ou Clebão, ou Batata), mas no país dos inventores do futebol ele parece ser bom o suficiente para jogar de meia-ofensivo. Que na base isso tenha sido uma vantagem, um cara possante perto da molecadinha mirrada, é inteligível, o que não é, no entanto, é no que se diz ser uma liga top um jogador desse ser utilizado por um time grande como meia armador.
Para além dessa escolha muito, mas muito mesmo, discutível, cabe destacar como com Henderson, Shelvey e Downing o time ficou com um jogador aberto pela direita e dois outros (os dois primeiros) trombando pelo meio. Se justificaria pela manutenção do esquema (4-2-3-1), não se justifica, entretanto, que o Suarez que vinha jogando como um meia-atacante (ou como um segundo atacante pelo meio, jogando atrás do atacante principal) seja avançado para jogar de atacante na ausência do Sturridge, principalmente se a ideia é fazer com que o Suarez se acostume com a posição. Veja bem, eu não concordo com a mudança, pois, na minha opinião o Suarez vinha jogando muito bem como atacante e o mesmo não se repetiu desde que o técnico dos Reds deslocou-o para jogar mais recuado ou pela ponta, mas se ele tem convicção de que esse é o caminho não seria o ideal jogar com o Suarez nessa posição e com o Borini (sim, o inestimável Borini, jogador de 12 milhões de euros!!!) como atacante? Aliás, vem se tornando um costume do técnico deslocar jogadores que vinham jogando bem. Com o Henderson, que não é nenhum craque, mas que vinha jogando bem dentro das suas limitações, ocorreu algo semelhante, de centralizado ele passou, algumas vezes, a jogar mais aberto pela esquerda e lá se foram as boas atuações...
De uma maneira ou de outra o que se viu foi um time, no primeiro tempo principalmente, sem mobilidade, sem ultrapassagens pelas laterais, sem agudez. No segundo, Rodgers abriu o Shelvey pela esquerda e o time ganhou em estabilidade, não ganhou, no entanto, em criatividade e mobilidade. Com um time que não ia a lugar algum vieram as mudanças: Borini e Sterling por Henderson e Borini. Ademais da preferência inexplicável pela presença do Stewart Marlos (em detrimento do Henderson que é mais aplicado e mais agudo) as substituições eram necessárias. Com elas o time se tornou mais perigoso, embora não o suficiente e, em parte, porque o garoto de 12 milhões de euros, aparentemente, não usa a perna esquerda nem para descer do ônibus. Um elemento que chama a atenção, aliás, no jogo de hoje é a quantidade de bolas cruzadas pelo Liverpool na área adversária, principalmente, num time que emprestou o Carroll.
Com uma bola parada, em mais um erro de marcação do Agger em um escanteio (foram pelo menos mais dois erros que custaram gols ao Liverpool, um deles no jogo contra o Chelsea), o West Brom abriu o placar e em um contra-ataque selou a vitória.
Por fim, o que se viu foi um retrato do que vem sendo o time do Liverpool não esse ano, mas já há algum tempo, um time sem criatividade e sem força ofensiva que depende, quase que exclusivamente, do brilho do Suarez e do Gerrard. Esse time não é, de jeito nenhum, uma evolução em relação ao time do Dalglish. Os resultados não são diferentes, os problemas não são muito diferentes. A ideia de que o Rodgers vem fazendo o time jogar mais bola (no sentido de melhor) é uma ilusão, é um jogo de marketing no qual a imprensa caiu e vem tentando fazer com que acreditemos. Para falar a verdade, creio que num jogo entre o melhor time do Rodgers contra o melhor do Dalglish (deste e do ano passado, respectivamente), o time do escocês venceria.

Avaliação dos jogadores:

Reina: pouco participou do jogo, fez uma boa defesa e, no mais, não comprometeu; 6,0.
Johnson: atabalhoado na defesa, teve algumas poucas boas descidas ao ataque (em especial a que acabou num toque de letra do Henderson), embora, muitas vezes, tenha sobrado força e faltado inteligência ao lateral; 4,0.
Carragher: esse não complica, apesar de ser, agora, um jogador bastante lento; 6,0.
Agger: falhou, novamente, na marcação do escanteio e no segundo gol. Quanto ao escanteio em si, creio que está na hora de o técnico arrumar uma outra solução, por exemplo, uma defesa posicionada em vez de uma homem-a-homem, pois, evidentemente, não está dando certo; 1,0.
Enrique: sem um jogador caindo pelo seu lado mais a frente poderíamos esperar um lateral mais ofensivo, mas não foi o que aconteceu, em especial, porque ele não tem habilidade para fazer nada sozinho, quando algum jogador caiu pelo seu setor, melhorou um pouco; 3,0.
Lucas: mais perdido que cego em tiroteio, não marcou ninguém e não participou do jogo; 1,0.
Gerrard: alguns bons passes e uma boa chegada à frente (na jogada em que o Borini não conseguiu capitalizar o rebote), mas sua atuação fica marcada pelo penalti que perdeu e que poderia ter encaminhado a vitória; 5,0.
Henderson: não sabia em que posição estava jogando; 4,0.
Shelvey: parece uma múmia truculenta se movendo, sempre em câmera lenta; 2,0.
Downing: ele geralmente é só o que sabe ser, ou seja, um presepeiro, pipoqueiro, faz fumaça e só, no máximo descola um escanteio, exigir mais do que isso (como o Brendan Rodger fez) é uma covardia, pois só destaca a sua improdutividade e incompetência; 1,0.
Suarez: não é mais o mesmo desde que foi mudado de posição, jogo bastante fraco, mesmo assim conseguiu algumas faltas perigosas nos arredores da área e o penalti que poderia dar a vitória aos Reds; 5,0.

Sterling: acho ainda que ele é um jogador imaturo e tecnicamente limitado, mas é muito mais agudo que o Downing. Não é à toa que o time ficou mais perigoso com a sua presença; 5,0.
Borini: esse ainda vai ter que jogar muita bola pra justificar a contratação (o que eu, sinceramente, acho que não vai ocorrer), é um atacante muito menos útil do que o Carroll que foi dispensado; 3,0.
P. Coutinho: jogou pouco; sem nota.

Brendan Rodgers: como alguns jogadores, mostra, na minha opinião, cada vez mais, que não tem gabarito para estar num time desse tamanho. Quem sabe com o fim da temporada ele não carrega consigo Downing, Borini e Allen... ia ser uma boa.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

10 motivos pelos quais nós adoramos Carragher


 Jamie Carragher anunciou hoje que ele vai se aposentar do futebol ao fim da temporada – então nós fizemos uma lista dos nossos momentos favoritos que Carragher protagonizou nesses anos.

 Desde a sua estreia contra o Middlesbrough, em janeiro de 1997, até as grandes atuações recentes contra Arsenal e Manchester City, o garoto de Bootle¹  vem sendo o coração scouse² do Liverpool por mais de 16 anos.
Assistir um jogo no Anfield, ou mesmo em qualquer outro estádio da Inglaterra e da Europa nunca mais vai ser a mesma coisa sem os gritos agudos de Carra, comandando seus companheiros de time desde o primeiro até o último minuto do jogo.
No entanto, nos sempre seremos capazes de relembrar com orgulho a extraordinária carreira duma verdadeira lenda dos Reds, que representa inteiramente o Liverpool.
Aqui vão alguns dos seus melhores momentos...

10. Marcar gol na sua estreia no Anfield

O Liverpool tinha um escanteio do lado esquerdo do Kop. Stig Inge Bjornebye estava parado com a bola. “Collymore estava na primeira trave, na pequena área; Wright vinha de trás, na diagonal”, sussurrou Barry Davis enquanto olhava o pórtico do Anfield, pensando como o Liverpool pretendia desempatar o jogo contra o Aston Villa de Brian Little.
Bjornebye cruzou a bola com a esquerda para o meio de uma pequena área lotada. “E Carragher!” clamou o comentarista, veio do nada, o estreante da casa, Jamie Carragher, invadiu a área do adversário e, com uma grande cabeçada, colocou a bola no funda da rede de Mark Bosnich.
“Eu tinha me preparado para muitas coisas que podiam acontecer, mas comemorar um gol não era uma deles”, afirmou Carra. “Você passa anos sonhando com esse momento, imaginando como vai ser e o que vai sentir. É uma dessas experiências únicas que você não pode explicar ou entender. Basta dizer que com 40000 torcedores te apoiando é de arrepiar.”


9. Ligar para Adrian Durham durante seu programa esportivo

“Então passe para o seu próximo assunto porque este está errado”, rugiu uma familiar voz scouse.
Adrian Durham ficou tão atordoado quanto seus milhares de ouvintes que tinham ligado seus rádios para escutar seu programa, intitulado Talksport, em 9 de julho de 2007.
O apresentador vinha falando de forma pouco elogiosa sobre o jogador de Bootle, descrevendo ele como um “desapontador” por pensar em se aposentar da seleção inglesa, e Carragher ouvia seu programa no rádio do carro.
Os ouvintes atônitos e Durham imediatamente perceberam que Carragher não ia deixar que o criticassem injustamente. Sobre isso, Carra escreveu depois em sua autobiografia: “Eu não tenho nenhum problema com quem diz que King ou Woodgate eram melhores zagueiros que eu, eu simplesmente não concordo com isso.”
Outro que parecia não concordar era Cafu, o habilidoso jogador e lenda do Milan, que, no dia da final da Copa dos Campeões da Europa em 2005, afirmou: “Ele é o coração do time deles, mais do que o próprio Steve Gerrard. Carragher é um grande jogador. A Inglaterra deve ter vários grandes zagueiros se ele não for, automaticamente, titular da seleção.”


8. A família de Carragher

“Não importava como eu estava em campo, Philly Carragher foi sempre um bem humorado apoio”, disse Carragher. Em 2006, The Independent concordou com isso: “Quando o assunto é festejar pela Inglaterra, ninguém chega aos pés do clã dos Carraghers de Liverpool. Há cerca de 20 deles na Alemanha, liderados pelo pai de Jamie, Philly – ou “Carra” como seu próprio grupo o chama.
Jamie disse ainda: “Sua influência na minha carreira pode ser vista por qualquer um. Ele fez de mim um vencedor e esteve ao meu lado a cada passo do caminho de ser um jogador de sucesso. Me ensinaram que a família e os amigos são as coisas mais importantes em sua vida.”

7. Liverpool acima da Inglaterra

“O Liverbird derrotou os três leões na luta pela minha lealdade”, afirmou Carragher. Esse foi um sentimento que Jamie nunca escondeu durante sua carreira e um dos que mais desagradaram os torcedores de outros times do país.
Muitos, por toda a Inglaterra, tiveram dificuldades em entender como um jogador pode colocar seu clube à frente da seleção nacional, mas, para muitos dos torcedores do Liverpool, não há nem o que pensar.
O fato de Carragher ter sido corajoso o suficiente para reiterar isso em diversas ocasiões é, com certeza, um dos motivos que aproximam o número 23 dos torcedores dos Reds. “Não existe esse ideia de “só a Inglaterra” para a maioria dos jogadores, incluindo muitos dos meus melhores amigos. Representar seu país é a maior honra, principalmente, na Copa do Mundo. Para mim, não”, falou Carragher.
Acrescentou ainda: “Toda vez que eu voltava para casa depois de um jogo ruim, um dos mais inabaláveis e constantes pensamentos que vinham a minha mente, não importando o quanto o país lamentava, era ‘Pelo menos não foi com o Liverpool’, eu repetia para mim mesmo, várias vezes. Eu nunca gritei o hino antes de um jogo. Eu não sei qual é a mensagem que ele tenta passar. ‘God save the Queen’ não me contagia. Nós cantamos ‘You’ll Never walk alone’, no Anfield, e todo mundo entende. É um hino de guerra e de apoio ao outro, enfrentando o que vier pela frente, seja vento, seja chuva”.

6. Caridade e a Fundação 23 [23 Fundation]

Em 2009, Jamie decidiu doar toda a renda da homenagem, feita pelo Liverpool, a ele para caridade. Entretanto, Carragher, junto com sua esposa Nicola, achavam que isso não era suficiente e decidiram fazer “algo que durasse por toda uma vida.”
A 23 Fundation, de Jamie Carragher, procura “ajudar o máximo de crianças possíveis a terem uma vida melhor.” Ela tenta dar aos garotos da área de Merseyside uma chance de realizar seus sonhos por meio de organizações de caridade locais, clubes e iniciativas comunitárias, fornecendo os meios para que se faça a diferença. Seja ajudando garotos da região a se recuperarem de doenças, seja fornecendo um ofício para eles atingirem seus objetivos.
A esse respeito, afirma Carragher: “A 23 Fundation promove uma ideia de coletividade, porque juntos, como uma comunidade, nós podemos alcançar o que quisermos.”

5. Sua mudança de um jogador coringa para zagueiro

Com a contratação de Rafa Benitez, em 2004, o otimismo pairava sobre o Anfield e, mais importante, sobre Carragher, com novas possibilidades. Enquanto o técnico anterior, Gerard Houllier, se recusava a escalar Carra como um zagueiro (mesmo depois dos protestos do assistente técnico, Phil Thompson), o recém-chegado Rafa imediatamente reconheceu a habilidade de Carragher para atuar em sua posição preferida.
O espanhol colocou Jamie no centro da defesa, junto com Sami Hyypiä, logo no começo da temporada 2004-2005; o resto é história.
“Eu estava curtindo atuar como zagueiro central, atuando com o mesmo nível de consistência que eu sempre gostei de atuar, mas num papel muito mais adaptado as minhas características”, afirmou Carra. “A sabedoria defensiva de Benitez me impressionou muito. Foi um avanço em relação ao modo como eu jogava antes. Benitez foi o maior influenciador da minha transformação em zagueiro. Ele tirou o melhor de mim e me transformou num zagueiro de nível europeu. Eu joguei meu melhor futebol sob seu comando.”

4. Mandar Dudek imitar Grobbelaar

Essa foi um das mais duradouras memórias de uma noite que reuniu tantos em Istambul. Carra gesticulando com Jerzy Dudek, como se estivesse possuído, cutucando e empurrando o goleiro enquanto berrava instruções em seus ouvidos.
Pode não ter parecido o jeito ideal de o jogador polonês se preparar para uma das mais importantes disputas de pênalti da história do Liverpool, mas talvez tenha sido a melhor.
“Dudek é um dos caras mais bacanas do futebol. E isso é ótimo quando você quer sair com alguém para tomar cerveja, mas quando você quer aquele algo a mais que pode ser a diferença entre ganhar a Copa dos Campeões ou ir para casa devastado, é hora de sugerir conselhos sobre as artes mais sutis da astúcia. Antes das penalidades eu me dirigi diretamente até Jerzy e falei para ele fazer todo o possível para perturbar os cobradores do Milan. Tire a atenção deles, faça com que se distraiam, mexa com os nervos deles. Não me importava o que ele tinha feito, eu só queria que ele tornasse tudo ainda mais difícil para os adversários. Lembre-se de Bruce Grobbelaar nos pênaltis em Roma, em 1984, eu dizia ao meu goleiro.”

3. Garoto nascido e formado em Bootle

Nascido como James Lee Duncan Carrragher, em 28 de janeito de 1978, Jamie passou boa parte de sua infância na beirada do campo da Sunday league, assistindo seu pai Philly imitar os maiores técnicos de futebol com seu time, o Merton Villa.
Jamie nunca esqueceu suas raízes na classe trabalhadora e da sua criação em Bootle. Ele falou: “Eu me sinto abençoado por ter nascido aqui. Eu tenho orgulho da minha cidade e mais ainda do distrito ao qual ainda pertenço. Vestir a camisa do Liverpool me obriga não somente a nunca me decepcionar, mas a fazer minha família, meus amigos, minha cidade e distrito orgulhosos de mim. Sem isso em perspectiva eu nunca me tornaria um jogador de sucesso. Meu coração e minha alma foram nascidos e forjados em Bootle. O futebol nunca foi uma fuga dessas origens, mas um jeito de celebrá-la. Essas pessoas maravilhosas ainda se lembrar daquele garoto que ficava do lado do campo, com seu pai, todo domingo. Eu nunca vou virar minhas costas a essas pessoas que me tornaram o que sou.”

2. Quem é maior do que o Liverpool?

Geoff Shreeves, repórter da Sky Sports, entrevistou Carragher antes de um derby de Merseyside, em 2005. Os dois brincaram e gargalharam com o fato de que em um certo momento Carragher foi um atacante que torcia para o Everton e agora era um zagueiro, jogando pelo Liverpool. Então a conversa trocou de foco, quando a questão passou a ser se Jamie gostaria de passar toda a sua carreira no Anfield: “É claro que eu gostaria”, foi a resposta de Carra.
Shreeves: Eu acho que, talvez, algumas pessoas da mídia estejam coçando suas cabeças porque, como você disse, você tem 26 para 27 anos, está no auge da sua carreira e poderia ir para um clube maior, onde teria chance de ganhar mais títulos...
Carragher: Bem, quem é maior do que o Liverpool?
Shreeves: Você não acha que tem alguém maior?
Carragher: O que? Maior? Normalmente? Ou... o que?
Shreeves: Você poderia ir para um time em que teria mais chance de ganhar títulos na próxima temporada.
Carragher: Não, de jeito nenhum, eu não concordo com isso.

1. Em Istambul

Carragher vai ser mais lembrado pelas suas atuações defensivas monstruosas em tantas noites de campeonatos europeus pelo Liverpool. Em Turim, em Milão e Barcelona, assim como em incontáveis emocionantes tardes no Anfield em que ele anulou Drogba, frustrou os planos de Nedved e venceu grandes futebolistas como Raúl, Del Piero e Ronaldinho. No entanto, um duelo em especial, numa noite específica, vai se destacar mais do que qualquer outro na memória dos fãs de Carra. Sua atuação em Istambul, em maio de 2005, e seus esforços para parar o Jogador Europeu do Ano, Andriy Shevchenko, pavimentaram seu lugar como uma lenda do Anfield.
No minuto 81 ele se jogou num brilhante carrinho lateral em Kaka, que se posicionou para converter um cruzamento de Crespo, isso tudo antes de ele se atirar à frente de Shevchenko, no minuto 86, quando o ucraniano se preparava para finalizar o que poderia ter sido o gol da vitória de seu time. “Aqueles 30 minutos de prorrogação foram os mais tensos, cansativos e, por fim, recompensadores que eu já passei num campo de futebol. No fim de minha carreira, se houver um momento pelo qual eu serei lembrado, será esse. Durante o segundo tempo da prorrogação eu me estiquei para interceptar um cruzamento e me deu câimbra. Nem mesmo quebrar a perna doeria tanto. Foi só por um momento, e logo foi tratada, mas eu sabia que o meu corpo estava no limite”.
Alguns minutos depois, ele, apesar da dor lancinante, mais uma vez esticou sua perna. “Assim que eu fiz isso, parecia que o mundo todo estremecia por mim, admirando o tormento físico que eu passava. Eu não pensei duas vezes antes de me jogar no caminho, qualquer dor que isso me causasse nos segundos seguintes não seria maior do que a que eu sentiria se eu tivesse hesitado e só observado ele marcar o gol. Coragem, caráter, garra, força de vontade e força física – essas são as virtudes que as pessoas me ensinaram a ter desde que eu fiz sete anos. Os atacantes podem marcar seus gols decisivos, os goleiros, suas defesas milagrosas. Uma série de carrinhos em que eu me coloquei a frente de um atacante do Milan vai ser minha mais querida memória de uma vida de futebol.”

Fonte: http://www.liverpoolfc.com/news/latest-news/10-reasons-why-we-love-carra
Autor: @philreade

¹ Bootle – cidade do condado de Merseyside
² Scouse – referente à região de Liverpool, a pessoa ou coisa própria dessa parte da Inglaterra

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Manchester City 2x2 Liverpool, 3 de fevereiro de 2013

Bom jogo, em especial, por parte do Liverpool que foi bastante agressivo contra um muito e lento e pouco criativo Manchester City. Um jogo, portanto, totalmente diferente daquele do Arsenal, inclusive pela postura totalmente diferente dos Reds que não deixou os citizens tomarem conta do jogo. Com a volta do José Enrique o time dá mais uma encorpada, mais pela saída do Wisdom e a deslocação do Johnson para sua posição original, do que pela entrada do jogador espanhol. Fora isso, novamente o Brendan Rodgers prefere uma formação com o Suarez fazendo o papel de um segundo atacante (quase um meia-atacante) vindo de trás do atacante principal. Até agora, me parece, essa formação não vem extraindo as melhores atuações do uruguaio, talvez fosse melhor recorrer a um 4-4-2, estilo inglês, e deixar o time com dois atacantes de fato, principalmente porque o time não tem um meia-atacante criativo, função que, acho, deverá caber ao Philippe Coutinho.
O jogo de hoje, além disso, parece revelar uma tendência do Liverpool jogar melhor contra times mais lentos, de toque de bola mais curto. Quando enfrenta equipes mais rápidas ou mesmo fisicamente mais fortes e que exploram a bola longa o time de Anfield vem se complicando. Esse, no entanto, não é o caso do Man. City.
A boa atuação dos Reds se deve mais a um bom jogo coletivo do que a grandes destaques individuais, embora os dois chutes longos, primeiro do Sturridge, depois do Gerrard (que vinha fazendo um jogo bastante apático), tenham sido grandes esforços individuais. A nota bizarra fica, evidentemente, pelo erro medonho do Reina, justamente quando parecia que ele vinha melhorando.
Aparentemente, o Carragher ganhou de vez sua posição no time, o que, me parece, fez muito bem aos Reds, dando uma confiança, além de uma seriedade, que o time carecia. Cabe destacar ainda que, quando da substituição do Enrique, Brendan Rodgers, com a entrada do Skrtel, explorou uma opção que muitos consideravam estranho que não fosse mais utilizada: colocar o Agger de lateral esquerdo. De qualquer maneira, a presença do jogador eslovaco contribui para a falha medonha do goleiro espanhol.

Avaliação dos jogadores:

Reina: praticamente não foi exigido e mesmo assim, numa saída desastrosa, prejudicou o time. Se o Barcelona, de fato, quiser contratá-lo não vejo porque o Liverpool não deve ganhar alguma coisa com a sua venda; 2,0.
Johnson: na sua verdadeira posição fez um jogo menos atabalhoado, embora tenha lhe faltado presença ofensiva; 6,5.
Carragher: bom jogo, jogando com seriedade e organizando a defesa; 7,0.
Agger: embora fosse possível ter ido melhor no lance do primeiro gol do City, fez um bom jogo, quando deslocado para a lateral mostrou que é, ou que pode ser, melhor do que o Enrique; 6,5.
José Enrique: bom jogo, firme na marcação, subiu pouco ao ataque; 6,5.
Lucas: fez o feijão com arroz, mas não é o mesmo jogador da temporada passada; 6,5.
Gerrard: vinha fazendo uma partida apática até o momento do gol, quando mostrou que ainda pode ser decisivo; 7,0.
Henderson: correu bastante, jogando mais aberto não repetiu as boas atuações que vinha tendo quando jogando centralizado; 6,5.
Downing: na mediocridade (ou medianidade) que o caracterizam; 6,0.
Suarez: sempre buscando jogo, não fez, no entanto, um grande jogo, apesar de estar sempre testando a defesa adversária; 6,5.
Sturridge: belo gol e foi só; 7,0.

Skrtel: jogou pouco, mas foi o suficiente para colaborar na bizarrice do Reina; 4,0.
Borini: entrou no fim, sem nota.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Rodgers fala sobre Coutinho, Arsenal e Carra



O técnico do Liverpool, Brendan Rodgers, falou sobre seu orgulho depois do eletrizante empate por 2x2 com o Arsenal na noite de quarta-feira, insistindo que apresentações como a do Emirates Stadium provam que seu time está no caminho certo

Os comandados de Rodgers construíram uma vantagem de dois gols depois de uma hora de jogo em Londres, cortesia de mais um gol de Suarez e de um incrível esforço individual do meio-campo Jordan Henderson.
Uma resposta rápida dos Gunners, com gols de Olivier Giroud e Theo Walcott, forçou os Reds a se conformar com 1 ponto em sua viagem ao sul. O técnico, no entanto, estava contente no final do jogo.
Quando os repórteres lhe pediram uma análise do jogo, o norte-irlandês afirmou: “Meu primeiro sentimento é de verdadeiro orgulho. Nós jogamos contra o Arsenal no começo da temporada e foi um desapontamento. Eu sempre imaginei que este jogo ia ser o ponto de referência sobre como nós estamos progredindo. Foi um jogo que nós deveríamos ter ganhado – não ganhamos, mas mostramos poder de recuperação e qualidade e tivemos chances para fazer outros gols. Estou muito orgulhoso do time. Eu acho que nós provavelmente não conseguimos manter o 2x0 pelo tempo necessário. Eu estava tentando colocar o José Enrique em campo pela esquerda porque Luis tinha perdido um pouco de força. Ele é muito trabalhador, mas foi a primeira vez que ele jogou naquela posição. José, no entanto, não conseguiu entrar logo e num espaço de cinco minutos o jogo estava empatado. É uma dessas coisas que acontecem, o Arsenal é um time maravilhoso. Nós estamos desapontados que eles tenham conseguido empatar, mas nós mostramos grande poder de recuperação e, na verdade, podíamos ter ganhado.”
Suarez, que agora tem 22 gols nessa campanha, abriu o placar para os visitantes por volta dos 5 minutos no Emirates – um cenário que Rodgers quer que se repita mais vezes, principalmente depois da derrota para o Oldham no fim de semana.
O chefe continuou: “Domingo foi mais minha culpa do que deles. Eu acredito muito nos jogadores jovens – nós confiamos muito neles. O problema é que se eu coloco muitos deles em campo e não conto com os jogadores maiores, é difícil. Foi isso que aconteceu no domingo e nós, evidentemente, estamos desapontados de sair da competição. Eu, no entanto, sempre achei que nós reagiríamos. Esses jogadores têm sido brilhantes e vêm progredindo o tempo todo. A performance de hoje à noite é mais uma prova disso. Nós tentamos reforçar a mensagem de que é importante começar bem – contra o Manchester United nós fizemos um ótimo segundo tempo, mas não começamos bem. Contra o Tottenham fomos muito bem por 70 minutos, mas nos complicamos depois. No fim de semana, contra o Oldham, nós começamos muito mal. Hoje foi importante porque nós começamos com o pé direito. Isso nos dá confiança e ritmo e cria um ambiente bom no jogo – eu fiquei muito contente que nós conseguimos isso.”
O Liverpool ainda não conseguiu sequer uma vitória contra times que estão acima da 6ª posição na Premier League, mas essa estatística não preocupa Rodgers que afirma que o progresso observado é motivo de otimismo.
“Eu não estou muito preocupado – nós poderíamos ter batido o Manchester City no começo da temporada, nós, muito provavelmente, poderíamos ter ganhado hoje”, disse o técnico de 40 anos.
“Tomara que as pessoas estejam vendo isso, mas, mais importante, é que eu vejo um grupo que está constantemente se aprimorando. Nós podemos ir e ganhar do Manchester City e se nós conseguirmos 4 pontos desses 2 jogos nós vamos mostrar que estamos realmente caminhando no rumo certo.”
Uma parte do progresso do Liverpool se deve ao fato de o time vir reforçando o elenco durante a janela de transferências de janeiro, com Philippe Coutinho seguindo Daniel Sturridge como novo reforço.
Perguntado sobre a aquisição do brasileiro, Rodgers comentou: “Eu adoro jogadores que podem fazer a diferença quando estão perto da área. Ele é um jovem jogador que já participou de mais de 100 jogos, muitos deles no primeiro nível. Eu o conheço desde que ele tinha 15 anos e vi ele se destacando pela seleção brasileira. Ele é muito talentoso e muito técnico, ele tem ritmo, resistência e poder. Ele é flexível – pode jogar no meio ou pelos lados. Vai ser excitante vê-lo jogar, trata-se de uma grande aquisição para a liga. Eu estou ansioso para ajudar no seu desenvolvimento e para vê-lo jogar. Eu tive uma boa impressão dele quando ele estava no Espanyol ano passado, ele é um jogador com verdadeiro talento e um bom e promissor jogador – mas também um bom profissional e isso é fundamental também.”
O diretor Ian Ayre afirmou que os Reds disputaram com outros times a assinatura de Coutinho e Rodgers destacou que a história do Liverpool foi um ponto importante para que o brasileiro o escolhesse. “Haviam outros interessados, mas um clube como o Liverpool sempre vai atrair os grandes jogadores por causa de sua história”, disse o técnico. “Mesmo que nós não estejamos na posição que queremos estar, a história desse clube sempre vai fazer com que os melhores jogadores queiram jogar aqui. Foi uma grande conquista para nós porque a Inter de Milão não queria vendê-lo, mas assim que nós pensamos que ele poderia ficar disponível, nós fizemos tudo o que podíamos para trazê-lo. Agradecemos que ele tenha escolhido o Liverpool.”
Ainda sobre essa questão, o norte-irlandês se disse contente com o modo como o Liverpool conduziu os negócios durante esse mês e sugeriu que não haverá mais contratações. Rodgers acrescentou: “Daniel Sturridge vem jogando muito bem desde que chegou e é evidente o quanto ele contribui para o time. Coutinho chega como um jovem jogador que tem bastante experiência e muito potencial. Ele é alguém que pode já chegar jogando porque é um grande jogador. Os donos do time vêm apoiando o que nós temos tentado fazer. A cada janela de transferências nós ficamos cada vez melhor. Não acho que nesta janela haverá outras contratações.”.
O técnico ainda guardou alguns elogios para um jogador que chegou a muito tempo em Anfield: Jamie Carragher. O zagueiro veterano fez 35 anos na segunda-feira, mas tem se destacado no centro da linha de 4 da defesa dos Reds nos últimos dois jogos.
“Eu não consigo dar a Jaime o credito devido, ele fez 35 anos na segunda e continua em forma – ele não deve nada ao que era antes,” falou um entusiasmado Rodgers. “Eu não consigo elogiá-lo o suficiente, seja como um profissional do futebol ou como ser humano. Ele tem sido incrível comigo nesse meu tempo de Liverpool. Os dois, ele e Steven Gerrard, qualquer técnico que vá a qualquer clube iria querer ter os dois sob seu comando. O apoio que Jamie e Steven têm me dado e o tanto que nós estamos nos esforçando tem sido incrível. Carra é um cara que foi um dos melhores defensores do futebol europeu por cinco ou seis anos. Talvez, nos últimos 18 meses, ele não tenha jogado tanto quanto gostaria, mas chegamos a um ponto em que eu, olhando ele treinando e jogando, não poderia mais deixá-lo de fora. Eu precisava da organização e da liderança que ele traz para o time.”.
Mais à frente no campo, Henderson marcou seu segundo gol depois de muitos jogos num lance que combinou determinação e habilidade, marcando depois de ter um pouco de sorte no rebote para fazer o 2x0.
Rodgers revelou sua alegria com o progresso recente do jogador de 22 anos: “Jordan está sempre melhorando. Ele tem um grande apetite para jogar.”, conclui o técnico. “Eu tinha falado com ele sobre a conclusão ou o passe final, mas ele tem uma força de vontade muito grande e, taticamente, tem evoluído muito. Eu acredito que ele vai se provar uma grande contração, mas vai levar algum tempo. Se você olhar para trás alguns anos no Liverpool, é comum que os jogadores cheguem e demorem uns dois anos para, de fato, se firmarem. Esses jogadores chegam com 18, 19 ou 20 anos e vão direto para o time principal. Demora algum tempo, mas Jordan está demonstrando que vai ser um bom jogador.”

Fonte: http://www.liverpoolfc.com/news/latest-news/rodgers-on-coutinho-arsenal-and-carra
Autor: @shawct