quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

10 motivos pelos quais nós adoramos Carragher


 Jamie Carragher anunciou hoje que ele vai se aposentar do futebol ao fim da temporada – então nós fizemos uma lista dos nossos momentos favoritos que Carragher protagonizou nesses anos.

 Desde a sua estreia contra o Middlesbrough, em janeiro de 1997, até as grandes atuações recentes contra Arsenal e Manchester City, o garoto de Bootle¹  vem sendo o coração scouse² do Liverpool por mais de 16 anos.
Assistir um jogo no Anfield, ou mesmo em qualquer outro estádio da Inglaterra e da Europa nunca mais vai ser a mesma coisa sem os gritos agudos de Carra, comandando seus companheiros de time desde o primeiro até o último minuto do jogo.
No entanto, nos sempre seremos capazes de relembrar com orgulho a extraordinária carreira duma verdadeira lenda dos Reds, que representa inteiramente o Liverpool.
Aqui vão alguns dos seus melhores momentos...

10. Marcar gol na sua estreia no Anfield

O Liverpool tinha um escanteio do lado esquerdo do Kop. Stig Inge Bjornebye estava parado com a bola. “Collymore estava na primeira trave, na pequena área; Wright vinha de trás, na diagonal”, sussurrou Barry Davis enquanto olhava o pórtico do Anfield, pensando como o Liverpool pretendia desempatar o jogo contra o Aston Villa de Brian Little.
Bjornebye cruzou a bola com a esquerda para o meio de uma pequena área lotada. “E Carragher!” clamou o comentarista, veio do nada, o estreante da casa, Jamie Carragher, invadiu a área do adversário e, com uma grande cabeçada, colocou a bola no funda da rede de Mark Bosnich.
“Eu tinha me preparado para muitas coisas que podiam acontecer, mas comemorar um gol não era uma deles”, afirmou Carra. “Você passa anos sonhando com esse momento, imaginando como vai ser e o que vai sentir. É uma dessas experiências únicas que você não pode explicar ou entender. Basta dizer que com 40000 torcedores te apoiando é de arrepiar.”


9. Ligar para Adrian Durham durante seu programa esportivo

“Então passe para o seu próximo assunto porque este está errado”, rugiu uma familiar voz scouse.
Adrian Durham ficou tão atordoado quanto seus milhares de ouvintes que tinham ligado seus rádios para escutar seu programa, intitulado Talksport, em 9 de julho de 2007.
O apresentador vinha falando de forma pouco elogiosa sobre o jogador de Bootle, descrevendo ele como um “desapontador” por pensar em se aposentar da seleção inglesa, e Carragher ouvia seu programa no rádio do carro.
Os ouvintes atônitos e Durham imediatamente perceberam que Carragher não ia deixar que o criticassem injustamente. Sobre isso, Carra escreveu depois em sua autobiografia: “Eu não tenho nenhum problema com quem diz que King ou Woodgate eram melhores zagueiros que eu, eu simplesmente não concordo com isso.”
Outro que parecia não concordar era Cafu, o habilidoso jogador e lenda do Milan, que, no dia da final da Copa dos Campeões da Europa em 2005, afirmou: “Ele é o coração do time deles, mais do que o próprio Steve Gerrard. Carragher é um grande jogador. A Inglaterra deve ter vários grandes zagueiros se ele não for, automaticamente, titular da seleção.”


8. A família de Carragher

“Não importava como eu estava em campo, Philly Carragher foi sempre um bem humorado apoio”, disse Carragher. Em 2006, The Independent concordou com isso: “Quando o assunto é festejar pela Inglaterra, ninguém chega aos pés do clã dos Carraghers de Liverpool. Há cerca de 20 deles na Alemanha, liderados pelo pai de Jamie, Philly – ou “Carra” como seu próprio grupo o chama.
Jamie disse ainda: “Sua influência na minha carreira pode ser vista por qualquer um. Ele fez de mim um vencedor e esteve ao meu lado a cada passo do caminho de ser um jogador de sucesso. Me ensinaram que a família e os amigos são as coisas mais importantes em sua vida.”

7. Liverpool acima da Inglaterra

“O Liverbird derrotou os três leões na luta pela minha lealdade”, afirmou Carragher. Esse foi um sentimento que Jamie nunca escondeu durante sua carreira e um dos que mais desagradaram os torcedores de outros times do país.
Muitos, por toda a Inglaterra, tiveram dificuldades em entender como um jogador pode colocar seu clube à frente da seleção nacional, mas, para muitos dos torcedores do Liverpool, não há nem o que pensar.
O fato de Carragher ter sido corajoso o suficiente para reiterar isso em diversas ocasiões é, com certeza, um dos motivos que aproximam o número 23 dos torcedores dos Reds. “Não existe esse ideia de “só a Inglaterra” para a maioria dos jogadores, incluindo muitos dos meus melhores amigos. Representar seu país é a maior honra, principalmente, na Copa do Mundo. Para mim, não”, falou Carragher.
Acrescentou ainda: “Toda vez que eu voltava para casa depois de um jogo ruim, um dos mais inabaláveis e constantes pensamentos que vinham a minha mente, não importando o quanto o país lamentava, era ‘Pelo menos não foi com o Liverpool’, eu repetia para mim mesmo, várias vezes. Eu nunca gritei o hino antes de um jogo. Eu não sei qual é a mensagem que ele tenta passar. ‘God save the Queen’ não me contagia. Nós cantamos ‘You’ll Never walk alone’, no Anfield, e todo mundo entende. É um hino de guerra e de apoio ao outro, enfrentando o que vier pela frente, seja vento, seja chuva”.

6. Caridade e a Fundação 23 [23 Fundation]

Em 2009, Jamie decidiu doar toda a renda da homenagem, feita pelo Liverpool, a ele para caridade. Entretanto, Carragher, junto com sua esposa Nicola, achavam que isso não era suficiente e decidiram fazer “algo que durasse por toda uma vida.”
A 23 Fundation, de Jamie Carragher, procura “ajudar o máximo de crianças possíveis a terem uma vida melhor.” Ela tenta dar aos garotos da área de Merseyside uma chance de realizar seus sonhos por meio de organizações de caridade locais, clubes e iniciativas comunitárias, fornecendo os meios para que se faça a diferença. Seja ajudando garotos da região a se recuperarem de doenças, seja fornecendo um ofício para eles atingirem seus objetivos.
A esse respeito, afirma Carragher: “A 23 Fundation promove uma ideia de coletividade, porque juntos, como uma comunidade, nós podemos alcançar o que quisermos.”

5. Sua mudança de um jogador coringa para zagueiro

Com a contratação de Rafa Benitez, em 2004, o otimismo pairava sobre o Anfield e, mais importante, sobre Carragher, com novas possibilidades. Enquanto o técnico anterior, Gerard Houllier, se recusava a escalar Carra como um zagueiro (mesmo depois dos protestos do assistente técnico, Phil Thompson), o recém-chegado Rafa imediatamente reconheceu a habilidade de Carragher para atuar em sua posição preferida.
O espanhol colocou Jamie no centro da defesa, junto com Sami Hyypiä, logo no começo da temporada 2004-2005; o resto é história.
“Eu estava curtindo atuar como zagueiro central, atuando com o mesmo nível de consistência que eu sempre gostei de atuar, mas num papel muito mais adaptado as minhas características”, afirmou Carra. “A sabedoria defensiva de Benitez me impressionou muito. Foi um avanço em relação ao modo como eu jogava antes. Benitez foi o maior influenciador da minha transformação em zagueiro. Ele tirou o melhor de mim e me transformou num zagueiro de nível europeu. Eu joguei meu melhor futebol sob seu comando.”

4. Mandar Dudek imitar Grobbelaar

Essa foi um das mais duradouras memórias de uma noite que reuniu tantos em Istambul. Carra gesticulando com Jerzy Dudek, como se estivesse possuído, cutucando e empurrando o goleiro enquanto berrava instruções em seus ouvidos.
Pode não ter parecido o jeito ideal de o jogador polonês se preparar para uma das mais importantes disputas de pênalti da história do Liverpool, mas talvez tenha sido a melhor.
“Dudek é um dos caras mais bacanas do futebol. E isso é ótimo quando você quer sair com alguém para tomar cerveja, mas quando você quer aquele algo a mais que pode ser a diferença entre ganhar a Copa dos Campeões ou ir para casa devastado, é hora de sugerir conselhos sobre as artes mais sutis da astúcia. Antes das penalidades eu me dirigi diretamente até Jerzy e falei para ele fazer todo o possível para perturbar os cobradores do Milan. Tire a atenção deles, faça com que se distraiam, mexa com os nervos deles. Não me importava o que ele tinha feito, eu só queria que ele tornasse tudo ainda mais difícil para os adversários. Lembre-se de Bruce Grobbelaar nos pênaltis em Roma, em 1984, eu dizia ao meu goleiro.”

3. Garoto nascido e formado em Bootle

Nascido como James Lee Duncan Carrragher, em 28 de janeito de 1978, Jamie passou boa parte de sua infância na beirada do campo da Sunday league, assistindo seu pai Philly imitar os maiores técnicos de futebol com seu time, o Merton Villa.
Jamie nunca esqueceu suas raízes na classe trabalhadora e da sua criação em Bootle. Ele falou: “Eu me sinto abençoado por ter nascido aqui. Eu tenho orgulho da minha cidade e mais ainda do distrito ao qual ainda pertenço. Vestir a camisa do Liverpool me obriga não somente a nunca me decepcionar, mas a fazer minha família, meus amigos, minha cidade e distrito orgulhosos de mim. Sem isso em perspectiva eu nunca me tornaria um jogador de sucesso. Meu coração e minha alma foram nascidos e forjados em Bootle. O futebol nunca foi uma fuga dessas origens, mas um jeito de celebrá-la. Essas pessoas maravilhosas ainda se lembrar daquele garoto que ficava do lado do campo, com seu pai, todo domingo. Eu nunca vou virar minhas costas a essas pessoas que me tornaram o que sou.”

2. Quem é maior do que o Liverpool?

Geoff Shreeves, repórter da Sky Sports, entrevistou Carragher antes de um derby de Merseyside, em 2005. Os dois brincaram e gargalharam com o fato de que em um certo momento Carragher foi um atacante que torcia para o Everton e agora era um zagueiro, jogando pelo Liverpool. Então a conversa trocou de foco, quando a questão passou a ser se Jamie gostaria de passar toda a sua carreira no Anfield: “É claro que eu gostaria”, foi a resposta de Carra.
Shreeves: Eu acho que, talvez, algumas pessoas da mídia estejam coçando suas cabeças porque, como você disse, você tem 26 para 27 anos, está no auge da sua carreira e poderia ir para um clube maior, onde teria chance de ganhar mais títulos...
Carragher: Bem, quem é maior do que o Liverpool?
Shreeves: Você não acha que tem alguém maior?
Carragher: O que? Maior? Normalmente? Ou... o que?
Shreeves: Você poderia ir para um time em que teria mais chance de ganhar títulos na próxima temporada.
Carragher: Não, de jeito nenhum, eu não concordo com isso.

1. Em Istambul

Carragher vai ser mais lembrado pelas suas atuações defensivas monstruosas em tantas noites de campeonatos europeus pelo Liverpool. Em Turim, em Milão e Barcelona, assim como em incontáveis emocionantes tardes no Anfield em que ele anulou Drogba, frustrou os planos de Nedved e venceu grandes futebolistas como Raúl, Del Piero e Ronaldinho. No entanto, um duelo em especial, numa noite específica, vai se destacar mais do que qualquer outro na memória dos fãs de Carra. Sua atuação em Istambul, em maio de 2005, e seus esforços para parar o Jogador Europeu do Ano, Andriy Shevchenko, pavimentaram seu lugar como uma lenda do Anfield.
No minuto 81 ele se jogou num brilhante carrinho lateral em Kaka, que se posicionou para converter um cruzamento de Crespo, isso tudo antes de ele se atirar à frente de Shevchenko, no minuto 86, quando o ucraniano se preparava para finalizar o que poderia ter sido o gol da vitória de seu time. “Aqueles 30 minutos de prorrogação foram os mais tensos, cansativos e, por fim, recompensadores que eu já passei num campo de futebol. No fim de minha carreira, se houver um momento pelo qual eu serei lembrado, será esse. Durante o segundo tempo da prorrogação eu me estiquei para interceptar um cruzamento e me deu câimbra. Nem mesmo quebrar a perna doeria tanto. Foi só por um momento, e logo foi tratada, mas eu sabia que o meu corpo estava no limite”.
Alguns minutos depois, ele, apesar da dor lancinante, mais uma vez esticou sua perna. “Assim que eu fiz isso, parecia que o mundo todo estremecia por mim, admirando o tormento físico que eu passava. Eu não pensei duas vezes antes de me jogar no caminho, qualquer dor que isso me causasse nos segundos seguintes não seria maior do que a que eu sentiria se eu tivesse hesitado e só observado ele marcar o gol. Coragem, caráter, garra, força de vontade e força física – essas são as virtudes que as pessoas me ensinaram a ter desde que eu fiz sete anos. Os atacantes podem marcar seus gols decisivos, os goleiros, suas defesas milagrosas. Uma série de carrinhos em que eu me coloquei a frente de um atacante do Milan vai ser minha mais querida memória de uma vida de futebol.”

Fonte: http://www.liverpoolfc.com/news/latest-news/10-reasons-why-we-love-carra
Autor: @philreade

¹ Bootle – cidade do condado de Merseyside
² Scouse – referente à região de Liverpool, a pessoa ou coisa própria dessa parte da Inglaterra

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Manchester City 2x2 Liverpool, 3 de fevereiro de 2013

Bom jogo, em especial, por parte do Liverpool que foi bastante agressivo contra um muito e lento e pouco criativo Manchester City. Um jogo, portanto, totalmente diferente daquele do Arsenal, inclusive pela postura totalmente diferente dos Reds que não deixou os citizens tomarem conta do jogo. Com a volta do José Enrique o time dá mais uma encorpada, mais pela saída do Wisdom e a deslocação do Johnson para sua posição original, do que pela entrada do jogador espanhol. Fora isso, novamente o Brendan Rodgers prefere uma formação com o Suarez fazendo o papel de um segundo atacante (quase um meia-atacante) vindo de trás do atacante principal. Até agora, me parece, essa formação não vem extraindo as melhores atuações do uruguaio, talvez fosse melhor recorrer a um 4-4-2, estilo inglês, e deixar o time com dois atacantes de fato, principalmente porque o time não tem um meia-atacante criativo, função que, acho, deverá caber ao Philippe Coutinho.
O jogo de hoje, além disso, parece revelar uma tendência do Liverpool jogar melhor contra times mais lentos, de toque de bola mais curto. Quando enfrenta equipes mais rápidas ou mesmo fisicamente mais fortes e que exploram a bola longa o time de Anfield vem se complicando. Esse, no entanto, não é o caso do Man. City.
A boa atuação dos Reds se deve mais a um bom jogo coletivo do que a grandes destaques individuais, embora os dois chutes longos, primeiro do Sturridge, depois do Gerrard (que vinha fazendo um jogo bastante apático), tenham sido grandes esforços individuais. A nota bizarra fica, evidentemente, pelo erro medonho do Reina, justamente quando parecia que ele vinha melhorando.
Aparentemente, o Carragher ganhou de vez sua posição no time, o que, me parece, fez muito bem aos Reds, dando uma confiança, além de uma seriedade, que o time carecia. Cabe destacar ainda que, quando da substituição do Enrique, Brendan Rodgers, com a entrada do Skrtel, explorou uma opção que muitos consideravam estranho que não fosse mais utilizada: colocar o Agger de lateral esquerdo. De qualquer maneira, a presença do jogador eslovaco contribui para a falha medonha do goleiro espanhol.

Avaliação dos jogadores:

Reina: praticamente não foi exigido e mesmo assim, numa saída desastrosa, prejudicou o time. Se o Barcelona, de fato, quiser contratá-lo não vejo porque o Liverpool não deve ganhar alguma coisa com a sua venda; 2,0.
Johnson: na sua verdadeira posição fez um jogo menos atabalhoado, embora tenha lhe faltado presença ofensiva; 6,5.
Carragher: bom jogo, jogando com seriedade e organizando a defesa; 7,0.
Agger: embora fosse possível ter ido melhor no lance do primeiro gol do City, fez um bom jogo, quando deslocado para a lateral mostrou que é, ou que pode ser, melhor do que o Enrique; 6,5.
José Enrique: bom jogo, firme na marcação, subiu pouco ao ataque; 6,5.
Lucas: fez o feijão com arroz, mas não é o mesmo jogador da temporada passada; 6,5.
Gerrard: vinha fazendo uma partida apática até o momento do gol, quando mostrou que ainda pode ser decisivo; 7,0.
Henderson: correu bastante, jogando mais aberto não repetiu as boas atuações que vinha tendo quando jogando centralizado; 6,5.
Downing: na mediocridade (ou medianidade) que o caracterizam; 6,0.
Suarez: sempre buscando jogo, não fez, no entanto, um grande jogo, apesar de estar sempre testando a defesa adversária; 6,5.
Sturridge: belo gol e foi só; 7,0.

Skrtel: jogou pouco, mas foi o suficiente para colaborar na bizarrice do Reina; 4,0.
Borini: entrou no fim, sem nota.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Rodgers fala sobre Coutinho, Arsenal e Carra



O técnico do Liverpool, Brendan Rodgers, falou sobre seu orgulho depois do eletrizante empate por 2x2 com o Arsenal na noite de quarta-feira, insistindo que apresentações como a do Emirates Stadium provam que seu time está no caminho certo

Os comandados de Rodgers construíram uma vantagem de dois gols depois de uma hora de jogo em Londres, cortesia de mais um gol de Suarez e de um incrível esforço individual do meio-campo Jordan Henderson.
Uma resposta rápida dos Gunners, com gols de Olivier Giroud e Theo Walcott, forçou os Reds a se conformar com 1 ponto em sua viagem ao sul. O técnico, no entanto, estava contente no final do jogo.
Quando os repórteres lhe pediram uma análise do jogo, o norte-irlandês afirmou: “Meu primeiro sentimento é de verdadeiro orgulho. Nós jogamos contra o Arsenal no começo da temporada e foi um desapontamento. Eu sempre imaginei que este jogo ia ser o ponto de referência sobre como nós estamos progredindo. Foi um jogo que nós deveríamos ter ganhado – não ganhamos, mas mostramos poder de recuperação e qualidade e tivemos chances para fazer outros gols. Estou muito orgulhoso do time. Eu acho que nós provavelmente não conseguimos manter o 2x0 pelo tempo necessário. Eu estava tentando colocar o José Enrique em campo pela esquerda porque Luis tinha perdido um pouco de força. Ele é muito trabalhador, mas foi a primeira vez que ele jogou naquela posição. José, no entanto, não conseguiu entrar logo e num espaço de cinco minutos o jogo estava empatado. É uma dessas coisas que acontecem, o Arsenal é um time maravilhoso. Nós estamos desapontados que eles tenham conseguido empatar, mas nós mostramos grande poder de recuperação e, na verdade, podíamos ter ganhado.”
Suarez, que agora tem 22 gols nessa campanha, abriu o placar para os visitantes por volta dos 5 minutos no Emirates – um cenário que Rodgers quer que se repita mais vezes, principalmente depois da derrota para o Oldham no fim de semana.
O chefe continuou: “Domingo foi mais minha culpa do que deles. Eu acredito muito nos jogadores jovens – nós confiamos muito neles. O problema é que se eu coloco muitos deles em campo e não conto com os jogadores maiores, é difícil. Foi isso que aconteceu no domingo e nós, evidentemente, estamos desapontados de sair da competição. Eu, no entanto, sempre achei que nós reagiríamos. Esses jogadores têm sido brilhantes e vêm progredindo o tempo todo. A performance de hoje à noite é mais uma prova disso. Nós tentamos reforçar a mensagem de que é importante começar bem – contra o Manchester United nós fizemos um ótimo segundo tempo, mas não começamos bem. Contra o Tottenham fomos muito bem por 70 minutos, mas nos complicamos depois. No fim de semana, contra o Oldham, nós começamos muito mal. Hoje foi importante porque nós começamos com o pé direito. Isso nos dá confiança e ritmo e cria um ambiente bom no jogo – eu fiquei muito contente que nós conseguimos isso.”
O Liverpool ainda não conseguiu sequer uma vitória contra times que estão acima da 6ª posição na Premier League, mas essa estatística não preocupa Rodgers que afirma que o progresso observado é motivo de otimismo.
“Eu não estou muito preocupado – nós poderíamos ter batido o Manchester City no começo da temporada, nós, muito provavelmente, poderíamos ter ganhado hoje”, disse o técnico de 40 anos.
“Tomara que as pessoas estejam vendo isso, mas, mais importante, é que eu vejo um grupo que está constantemente se aprimorando. Nós podemos ir e ganhar do Manchester City e se nós conseguirmos 4 pontos desses 2 jogos nós vamos mostrar que estamos realmente caminhando no rumo certo.”
Uma parte do progresso do Liverpool se deve ao fato de o time vir reforçando o elenco durante a janela de transferências de janeiro, com Philippe Coutinho seguindo Daniel Sturridge como novo reforço.
Perguntado sobre a aquisição do brasileiro, Rodgers comentou: “Eu adoro jogadores que podem fazer a diferença quando estão perto da área. Ele é um jovem jogador que já participou de mais de 100 jogos, muitos deles no primeiro nível. Eu o conheço desde que ele tinha 15 anos e vi ele se destacando pela seleção brasileira. Ele é muito talentoso e muito técnico, ele tem ritmo, resistência e poder. Ele é flexível – pode jogar no meio ou pelos lados. Vai ser excitante vê-lo jogar, trata-se de uma grande aquisição para a liga. Eu estou ansioso para ajudar no seu desenvolvimento e para vê-lo jogar. Eu tive uma boa impressão dele quando ele estava no Espanyol ano passado, ele é um jogador com verdadeiro talento e um bom e promissor jogador – mas também um bom profissional e isso é fundamental também.”
O diretor Ian Ayre afirmou que os Reds disputaram com outros times a assinatura de Coutinho e Rodgers destacou que a história do Liverpool foi um ponto importante para que o brasileiro o escolhesse. “Haviam outros interessados, mas um clube como o Liverpool sempre vai atrair os grandes jogadores por causa de sua história”, disse o técnico. “Mesmo que nós não estejamos na posição que queremos estar, a história desse clube sempre vai fazer com que os melhores jogadores queiram jogar aqui. Foi uma grande conquista para nós porque a Inter de Milão não queria vendê-lo, mas assim que nós pensamos que ele poderia ficar disponível, nós fizemos tudo o que podíamos para trazê-lo. Agradecemos que ele tenha escolhido o Liverpool.”
Ainda sobre essa questão, o norte-irlandês se disse contente com o modo como o Liverpool conduziu os negócios durante esse mês e sugeriu que não haverá mais contratações. Rodgers acrescentou: “Daniel Sturridge vem jogando muito bem desde que chegou e é evidente o quanto ele contribui para o time. Coutinho chega como um jovem jogador que tem bastante experiência e muito potencial. Ele é alguém que pode já chegar jogando porque é um grande jogador. Os donos do time vêm apoiando o que nós temos tentado fazer. A cada janela de transferências nós ficamos cada vez melhor. Não acho que nesta janela haverá outras contratações.”.
O técnico ainda guardou alguns elogios para um jogador que chegou a muito tempo em Anfield: Jamie Carragher. O zagueiro veterano fez 35 anos na segunda-feira, mas tem se destacado no centro da linha de 4 da defesa dos Reds nos últimos dois jogos.
“Eu não consigo dar a Jaime o credito devido, ele fez 35 anos na segunda e continua em forma – ele não deve nada ao que era antes,” falou um entusiasmado Rodgers. “Eu não consigo elogiá-lo o suficiente, seja como um profissional do futebol ou como ser humano. Ele tem sido incrível comigo nesse meu tempo de Liverpool. Os dois, ele e Steven Gerrard, qualquer técnico que vá a qualquer clube iria querer ter os dois sob seu comando. O apoio que Jamie e Steven têm me dado e o tanto que nós estamos nos esforçando tem sido incrível. Carra é um cara que foi um dos melhores defensores do futebol europeu por cinco ou seis anos. Talvez, nos últimos 18 meses, ele não tenha jogado tanto quanto gostaria, mas chegamos a um ponto em que eu, olhando ele treinando e jogando, não poderia mais deixá-lo de fora. Eu precisava da organização e da liderança que ele traz para o time.”.
Mais à frente no campo, Henderson marcou seu segundo gol depois de muitos jogos num lance que combinou determinação e habilidade, marcando depois de ter um pouco de sorte no rebote para fazer o 2x0.
Rodgers revelou sua alegria com o progresso recente do jogador de 22 anos: “Jordan está sempre melhorando. Ele tem um grande apetite para jogar.”, conclui o técnico. “Eu tinha falado com ele sobre a conclusão ou o passe final, mas ele tem uma força de vontade muito grande e, taticamente, tem evoluído muito. Eu acredito que ele vai se provar uma grande contração, mas vai levar algum tempo. Se você olhar para trás alguns anos no Liverpool, é comum que os jogadores cheguem e demorem uns dois anos para, de fato, se firmarem. Esses jogadores chegam com 18, 19 ou 20 anos e vão direto para o time principal. Demora algum tempo, mas Jordan está demonstrando que vai ser um bom jogador.”

Fonte: http://www.liverpoolfc.com/news/latest-news/rodgers-on-coutinho-arsenal-and-carra
Autor: @shawct

Arsenal 2x2 Liverpool, 30 de janeiro de 2013

Um time do Liverpool pequeno. É esse o time do Liverpool desse ano. Um time que sente quando é pressionado, que não consegue se manter com a bola e que vive de Suarez. Em um jogo medonho de Johnson, de Lucas e de Gerrard, o empate com o Arsenal não é ruim, mas é sintomático. Ele demonstra claramente que o Liverpool desse ano nem ao menos consegue ser o time encardido do ano passado. Um time que contra os grandes parecia O Liverpool, hoje em dia é um time que, contra os grandes, parece o Arsenal. Não deixa de ser interessante que o Arsenal (talvez, o time mais pipoqueiro de toda a Europa na atualidade) tenha ido buscar o empate após estar perdendo por 2x0, enquanto o Liverpool, mais uma vez, após estar ganhando o jogo deixou os pontos escaparem. Não é preciso ter uma grande memória para lembrar que algo semelhante aconteceu contra o Man. City, contra o Stoke, etc. etc. A presença do Carragher no time titular é a injeção de anticorpos contra essa "pipoqueiragem" que vem tomando conta dos Reds, o Gerrard também podia ser, mas parecia o Henderson ou o Wisdom com a bola no pé. O que dizer do Johnson, então, que, talvez, tenha feito o seu pior jogo com a camisa do Liverpool, e olha que foram muitos jogos bastante ruins. Não marcou ninguém, não pressionava, estava sempre a dois metros do jogador que deveria estar marcando. Aliás, essa é uma marca da marcação (se é que pode ser chamada assim) do time do Liverpool, nunca ser pressionada, nunca ser eficiente, nunca incomodar. O Lucas estava perdidinho em campo e esse parece ser o destino dele para todo o resto da temporada. Em um time que não marca ninguém e cujo (gênio) técnico prefere sacrificar o Suarez na marcação e deixar o Sturridge, o craque, no "bem-bom".
O Brendan Rodgers, no segundo tempo, renovou a ideia de que é um "comentarista de jogo acabado". Demorou para perceber a fragilidade do lado esquerdo de sua defesa, quando percebeu já tinha tomado dois gols. Mesmo assim, na minha opinião, mexeu mal no time, fez uma substituição típica de time pequeno que, depois de perder a vantagem que tinha no placar, reforça a marcação para garantir pelo menos o empate. Esse é o Liverpool de hoje em dia.

Avaliação dos jogadores:

Reina: não teve culpa nos gols do Arsenal, deu uma engrossada quando foi exigido em recuos, 6,0.
Wisdom: fez o arroz com feijão, morre de medo da bola, quando ela chega a seus pés ele entra em pânico, 5,0.
Carragher: tenta arrumar a defesa, hoje não foi o suficiente, 6,0
Agger: falhou no primeiro gol do Arsenal, 5,0
Johnson: medonho, participou do primeiro gol e depois, defensivamente, foi um pesadelo. Quanto estava com a bola nos pés deixou a desejar, 1,0.
Lucas: fez com que o Liverpool jogasse com um menos, não apareceu pro jogo, não marcou bem, 2,0.
Gerrard: um dos piores jogos com a camisa dos Reds, parecia um juvenil, 2,0.
Henderson: deu (muita) sorte no lance do gol e foi só, 2,0
Suarez: grande primeiro tempo, mesmo sendo sacrificado tendo que voltar na marcação fez o gol e deu um passe magistral para o Sturridge fazer outro (coisa que ele não fez). No segundo tempo, depois do empate foi adiantado e ainda criou uma boa chance no fim, 9,0
Downing: mais um jogo no estilão dele, 2,0.
Sturridge: pouco apareceu para o jogo, quando a bola chegou para ele não concluiu como deveria, 6,0.

José Enrique: entrou no segundo tempo e pouco fez, 4,0.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Liverpool 5x0 Norwich, 19 de janeiro de 2013

Para começar, Brendan Rodgers chegou hoje próximo do time que, segundo me parece, deve ser o titular do Liverpool. Com o Brad Jones e Carragher no lugar de Reina e Skrtel, o técnico premia o mérito; na atual temporada os dois primeiros vem sendo melhores. O mesmo ocorre em relação à presença do Henderson no time titular, uma vez que ele vem jogando melhor do que o Allen que, na minha opinião, atualmente disputa vaga no time com o Lucas que ainda não voltou aos seus melhores momentos. A escalação do Sturridge como titular eram favas contadas, ele torna o time mais agudo, quanto a isso não há dúvida. Onde ainda há dúvida é na lateral direita (uma vez que o Johnson está jogando na esquerda), o Wisdom é muito fraco tecnicamente, e na posição do Downing que, depois de um grande jogo, voltou à modorra que lhe é própria.
O Liverpool dominou completamente o Norwich que jogou numa formação muito defensiva, dependendo quase exclusivamente da força física do Holt. Suarez e Sturridge vão demonstrando o quanto fez falta ao time um outro atacante que fosse rápido e inteligente (e o Sturridge nem é um grande jogador). Este jogo foi, provavelmente, o mais fácil dos Reds na temporada.
O que preocupa, no entanto, são os rumores de tentativa de contratação do Coutinho, não por ser o Coutinho, mas porque o Liverpool precisa de jogadores de renome, que venham para ser titular e que imponham respeito. O jogador brasileiro pode ser uma boa aposta, mas o time de Anfield precisa de "certezas" porque o time depende demais do Suarez e do Gerrard.

Avaliação dos jogadores:

Jones: não teve trabalho, 7,0.
Wisdom: falta classe a ele, sobra força, mas hoje fez o feijão com arroz, 6,0.
Carragher: experiência, tranquilidade e seriedade, 7,0.
Agger: assim como toda a defesa teve pouco trabalho, 7,0
Johnson: bom jogo, 7,0.
Lucas: firme na marcação, 7,0.
Gerrard: jogando como um armador recuado que, no entanto, chega na área, fez um bom jogo, arriscando de longe e procurando e distribuindo bem a bola, 7,5.
Henderson: golaço para abrir o placar. Mais confiante, vem se revelando o titular da posição, mesmo não sendo um meia criativo, 7,5.
Downing: o de sempre, morrendo de sono, 6,0.
Sturridge: bom jogo, está se entendendo bem com o Suarez, fez o seu terceiro gol em três jogos, um em cada (o que não ocorria desde Ray Kennedy, 1974). Belíssimo corta-luz para o gol do Luisito 7,5.
Suarez: lutando muito, fez o seu e deu muito trabalho para os adversários, 7,5.

Sterling: uma opção para o Downing, mas acho que essa é uma posição em que o clube ainda precisa se reforçar. Hoje, o jogador inglês foi incisivo, participando diretamente do último gol, 7,0.
Borini: quem? 6,0.
Allen: pouco participou do jogo.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Manchester United 2x1 Liverpool, 13 de janeiro de 2013

As palavras do capitão Steven Gerrard foram proféticas: "você não vai ganhar nada com garotos". Não é preciso dizer praticamente mais nada, além do fato de que a grande maioria dos jogadores do Liverpool não tem qualidade e experiência suficiente para vencer os grandes jogos. Os resultados provam isso. Os Reds não venceram o United, o City, o Arsenal, o Chelsea e o Tottenham esse ano. E o Brendan Rodgers é, em grande parte, culpado por isso. Basta que nos lembremos que, talvez, a principal qualidade do time do Kenny Dalglish era a atuação nos "jogos mais importantes". As opções do atual técnico do Liverpool para esse jogo também deixaram a desejar: colocar o Wisdom na direita e trazer o Johnson para a esquerda implica retirar um jogador duma posição em que ele se sente confortável e vem jogando relativamente bem, para arriscá-lo em outra, além do fato de que você vai ter um sempre inseguro (e tecnicamente limitadíssimo) Wisdom na lateral direita. Não seria mais fácil simplesmente colocar o Robinson na esquerda? Outra opção discutivel é a troca do Henderson (que, sabe-se lá Deus como?) vinha jogando bem pelo queridinho do treinador: Allen, que simplesmente sentiu o tamanho do jogo. Pois é, um jogador de £12 milhões que pipoca quando o time precisa dele, é esse o tipo de jogador que o Rodgers parece preferir. Esse é mais um dinheiro que nunca será recuperado, ou você acha que ele vai render o suficiente para pagá-lo ou que algum outro time vai se propor a pagar esse valor por ele futuramente? Outra questão interessante é o que o Sturridge estava fazendo no banco? Ele não veio para ser titular? Ou simplesmente estava no banco pelas grandes recentes atuações de Downing e Sterling?
Rodgers cada vez mais vem se mostrando um técnico de time pequeno que quer jogar como time grande e vai levando o Liverpool junto com ele. O que se viu em campo hoje foi um time sem personalidade nenhuma, com jogadores que são coadjuvantes e que colocam os Reds nessa posição.
Fora isso, foi um jogo tecnicamente fraco, com o Manchester United abrindo o placar numa falha de marcação do Liverpool e depois simplesmente cozinhando o jogo, esperando por mais falhas. Isso porque apesar de um ataque forte com o Van Persie (hoje o Rooney não estava jogando), o que se vê é mais um time bem organizado (coisa que o Liverpool não é), mas que tecnicamente é bem fraquinho.

Avaliação dos jogadores:

Reina: impotente diante de um sistema defensivo ridículo, 4,0
Wisdom: medonho, um dos piores jogadores que já vi jogar, 1,0
Skrtel: pesado, quando os jogadores foram para cima dele, levaram a melhor, 3,0
Agger: falhou na marcação no primeiro gol, 3,0
Johnson: já não é um grande jogador, atuando pela esquerda fez um jogo fraco, 2,0
Lucas: muito mal, perdido em campo, 2,0
Allen: junto com o Wisdom, o pior em campo. Sentiu o jogo 1,0
Gerrard: não fez uma boa partida e o time precisava que ele fizesse, errando passes bobos, principalmente no primeiro tempo 4,0
Downing: apático, 2,0
Sterling: perto do resto do time até que não foi tão mal, procurou jogo e quando teve chance foi para cima dos adversários 4,0
Suarez: correu, lutou, mas, bem marcado, não conseguiu produzir, 4,0

Sturridge: por que não começou jogando? Deu mais presença ofensiva ao time 6,0
Borini: quem? 2,0
Henderson: pouco tempo, sem nota

Brendan Rodgers: ridículo. Colocou em campo o time errado, depois, no segundo tempo, foi para o desespero. Técnico desequilibrado, time desequilibrado 1,0

sábado, 12 de janeiro de 2013

Suarez é um jogador difícil de se jogar contra, mas mesmo assim você quer ele no seu time


 Gary Neville

Ele ganha £80.000 por semana. Ele devia ser mais consciente. Ele devia ser um exemplo para as crianças. Isso é o que nós esperamos de nossos jogadores de futebol. A remuneração que eles recebem demanda um certo nível de comportamento.
Isso é o que muita gente diria e, por esse lado, eu não tenho como argumentar. Quando eu consegui meu primeiro contrato, o técnico do time júnior, Eric Harrison, me disse: “Você é um jogador do Manchester United agora”. Isso implica que certos padrões são esperados. E, conforme você vai crescendo, você percebe que estará marcado como um jogador do United – suas atitudes e comportamentos sempre serão discutidos e questionados.
Mas o que eu nunca vou aceitar é que as pessoas façam uma relação direta entre o tanto de dinheiro que você ganha e o seu comportamento, como se um novo contrato de £80.000 por semana fosse automaticamente trazer um certo nível de responsabilidade.
O seu caráter não é determinado pelo seu saldo bancário. Ele se desenvolve durante 20 anos de crescimento em contato com diferentes experiências – algumas boas, outras ruins – através da educação e do aconselhamento e exemplo dos pais. Um contrato de £4 milhões por ano não muda isso da noite para o dia.
Conforme eu assistia o debate sobre o impulso de Suarez de colocar a mão na bola eu detectei uma pressa em julgar um jogador de futebol, em castigá-lo sem parar para pensar em quão diferente suas experiências de vida são.
Apesar de ter 25 anos, Suarez está na Inglaterra a apenas dois. Ele ainda está se adaptando. Esse é um garoto que cresceu jogando bola nas ruas do Uruguai, que tem experiências e vem de um contexto completamente diferente dos daqueles que estão lendo esse jornal. Aqueles foram os anos em que seu caráter foi formado. Então você é trazido para um esporte internacional com certas expectativas de comportamento e certas regras e regulamentos que talvez não existissem no lugar e no momento em que você aprendia a jogar.
Na maioria das profissões você constrói a sua carreira aos poucos, cometendo seus erros quando você ainda é jovem, antes de conseguir grandes remunerações. Quem não conhece algum jovem que foi repreendido ou demitido por julgar erroneamente uma situação em seu emprego? Normalmente isso ocorre no começo da carreira e você deve aprender com isso. No futebol não é assim: o dinheiro e a reputação vêm ainda quando você é jovem, a maturidade só vem depois.
É por isso que eu acho que há tantas opiniões apaixonadas sobre Suarez. Os torcedores adversários o desprezam e ele é um adversário difícil de se jogar contra. Eu sei que se eu estivesse hoje em campo contra ele nós nos estranharíamos. Um de nós dois entraria mais forte num carrinho ou deixaria um cotovelo para atingir o outro. Na melhor das hipóteses nós discutiríamos em campo alguma hora porque ele é o tipo de jogador que tira você do sério.
Entretanto, eu digo uma coisa: ele é exatamente o tipo de jogador que você quer em seu time. Se você é um torcedor, você adoraria torcer por ele.
Os torcedores do Liverpool cantam: “Nós sonhamos com um time só de Carraghers”. No entanto, agora, eles podem cantar também sobre um time cheio de jogadores como Suarez, um guerreiro que sempre está correndo atrás da bola, um dos jogadores mais habilidosos da Premier League, um cara que, nesta temporada, é o que mais vezes esteve com a bola dentro da área adversária.
Eu entendo que algumas pessoas nunca vão gostar dele. O abuso racial que ele cometeu contra Patrice Evra é totalmente inaceitável na Inglaterra, não importa que ele diga que aquela linguagem é aceita no Uruguai. Ele, no entanto, cumpriu sua punição por esse grave erro.
Mas e sobre as trapaças [cheating], o cai-cai e a falta de esportividade? Para mim, nada disso merece o destaque que a gente vem dando. Eu não vejo nenhum problema com o gol com o uso da mão contra o Mansfield, além do fato de que foi uma decisão equivocada que se deu contra um clube pequeno e que pode ter custado a ele um tão desejado jogo de volta. Mas eu nunca ouvi a palavra trapaça [cheat] sendo usada tão banalmente por ex-jogadores e comentaristas como nas últimas semanas. Trapaça, para mim, é o doping, é o arranjo de resultados, são ações tão desprezíveis que destroem a essência do esporte.
Um toque na mão ou uma falta num jogador na iminência de fazer o gol faz parte do jogo. As regras preveem essa possibilidade. Você ganha um pênalti – ou a expulsão ou a falta – e o jogo continua. Todos os esportistas estão conscientes disso. Isso é duro de aceitar, quando nem tudo parece acontecer de maneira justa, mas assim também é a vida. O que aconteceu contra o Mansfield foi uma injustiça, mas não foi uma trapaça.
Quando eu olho para Suarez eu vejo um grande jogador, um jogador que, você pode ter certeza, irá determinar a preparação de jogo do Man. United. Isso não é surpresa. Ele é um cara que não se dá por vencido. Nesse aspecto, ele é melhor que Fernando Torres, que você percebe que se abate quando as coisas não vão bem. O Suarez não. Ele estará te importunando, lutando o jogo todo, até mesmo quando toda esperança estiver perdida.
O Liverpool vem passando por tempos difíceis e eu tenho certeza que os torcedores sentem que ele representa o espírito do clube em campo, quase tão intensamente quanto Jamie Carragher e Steven Gerrard. Ele pode ter aprendido a jogar bola nas ruas de Salto e de Montevidéu, mas você quase pode imaginar ele crescendo nos arredores do Anfield, entre aqueles sobrados geminados, tamanho é seu comprometimento com o time. Os torcedores também sabem que o Liverpool vai ter que contratar mais alguns jogadores como ele, se quiser mantê-lo no clube por um longo tempo.
Suarez cometeu alguns erros e teve momentos dos quais irá se arrepender. Mas eu também tive alguns desses, especialmente nesse confronto; houve incidentes em relação aos quais eu fui multado e fui suspenso. É correto que as autoridades te punam quando você ultrapassa os limites. Com o tempo você vai aprendendo a controlar seu comportamento e amadurecer. Aos 25 anos, Suarez está se aproximando de um ponto em que ele precisa garantir que ocorram cada vez menos momentos controversos.
Hoje, talvez, faça bem a ele prestar atenção no seu oponente direto. Robin van Persie é o melhor atacante do país. Muitos o chamariam de um grande profissional. Ano passado ele foi, de longe, a melhor escolha para os prêmios de Jogador do Ano e da Associação Profissional dos Jogadores de Futebol.
Entretanto, quando ele tinha 20 anos, no Feyenoord, sua reputação era controversa. Seu técnico, Bert van Marwij, o chamou de “incontrolável”. Ele brigou em campo com a estrela do time, Pierre van Hooijdonk. Agora, com 29 anos, Van Persie amadureceu.
Levou tempo para que ele se transformasse num profissional modelo, mas você está se referindo a um ser humano com suas próprias experiências e motivações, não a um robô. Se Suarez conseguir fazer o mesmo, ele tem potencial para ser um jogador excepcional.

http://www.dailymail.co.uk/sport/football/article-2261403/Luis-Suarez-nasty-little-player-youd-want-team-Gary-Neville.html?ITO=socialnet-twitter-liverpoolmail&ns_mchannel=rss&ns_campaign=socialnet-twitter-liverpoolmail&utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed


COMENTÁRIO:
Beira o preconceito, mas, ainda assim, é um texto com uma perspectiva mais aberta do que os que normalmente se vê no contexto inglês. Essa "preconceitofobia" e a preocupação extrema com o politicamente correto tendem, pelo menos na minha visão, muitas vezes, a ser muito mais preocupantes do que muitas das manifestações que eles mesmo condenam.
Pensando, no entanto, nas diferenças culturais em relação ao futebol é interessante como, na Inglaterra, eles se centraram no jogador que utilizou a mão - seja nesse caso do jogo contra o Mansfield, seja no antigo, contra Gana -, enquanto no Brasil, pelo menos, me parece que a ênfase seria colocada na atuação do árbitro. Ora, o uso da mão por um jogador de linha é previsto nas regras do futebol, uma vez que a sua punição é estipulada, pensando desse modo, ela é um elemento que faz parte do jogo, embora seja considerado ilegal. Cabe, portanto, ao árbitro puni-la. O maior erro, portanto, seria o do árbitro e não do jogador.
Nesse sentido, creio, esse lance exemplifica duas atitudes diferentes em relação à autoridade, uma, a inglesa, que prega um respeito incondicional, e mesmo servil, às normas; outra, a que imagino ser mais comum no Brasil, de constante provocação, de contínuo questionamento e mesmo de desafio à autoridade que é vista como um orgão repressor, logo, como uma entidade que busca cercear a vida do indivíduo. Se aceita que ela puna, mas se reserva o direito de infrigir as regras, sempre.