quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Zenit 2x0 Liverpool, 14 de fevereiro de 2013

Nenhuma surpresa em São Petersburgo, o Liverpool, apesar da tradição em copas europeias, mostrou que esse seu time está fadado a apresentações e resultados medíocres. O Liverpool poderia ter ganhado ou pelo menos saído com um resultado melhor? Sim. Ele mereceria? Não, e não digo pelo jogo propriamente dito, mas pela falta de ambição e pela conversa fiada que se tem escutado pelos lados de Anfield. A falta de ambição foi claramente assinalada pelos donos, quando da contratação de Brendan Rodgers: se você quer ter um time de primeiro nível e vencedor, você começa contratando um técnico de primeiro nível e vencedor. Nesse sentido, o currículo do norte-irlandês é impressionante, coleciona nada mais, nada menos do que nenhum título, e mais, o time mais expressivo por ele treinado foi o Swansea. Não é preciso comentar mais nada a esse respeito.
A essa contratação - que por si só foi um desapontamento - soma-se a conversa fiada cujo principal elemento é a noção de "trabalho de longo prazo". Essa conversa sempre surge como desculpa para situações como essa, mas a verdade é que o trabalho de curto prazo do Dalglish parecia estar rendendo resultados mais expressivos, inclusive porque ele compreendia o trabalho com os jovens - que, segundo muitos, parece  ser o carro-chefe do trabalho de Rodgers -, basta lembrar que Flanagan e Robinson, além do Kelly e do Shelvey, eram constantemente utilizados pelo King of the KOP. Aliás, importante ressaltar que esses foram, justamente, os atletas jovens que menos espaço tiveram com o norte-irlandês. Detalhe: além de jovens, eles eram, de fato, crias do Liverpool, ou seja, frequentam a base do time de Anfield desde muito jovens.
No primeiro tempo, na Rússia, o Liverpool foi dominado pelo Zenit, o famoso futebol de posse de bola que seria introduzido nos Reds não chegou nem sequer perto de ser visto. Mesmo assim, foi o time inglês que teve as duas melhores oportunidades no primeiro tempo, ambas com Suarez. Essas duas chances foram construídas, evidentemente, em contra-ataques porque o time não conseguia fazer a bola passar de pé em pé. Como o Zenit também não é um primor na criação de jogadas o que tivemos foi um primeiro tempo tecnicamente bastante fraco e, em certa medida, chato.
O segundo tempo, por sua vez, viu um Liverpool com mais atitude, procurando controlar as ações em campo. A grande melhora na atitude, no entanto, não se converteu em vantagem no placar por dois motivos: primeiro, falta, como sempre, agudeza, para os Reds, cujo o único jogador com um real sentido de gol é Suarez (que não fez, novamente, uma boa atuação, mas, ao contrário de muitos, é um cara que não se esconde do jogo), às vezes ele conta com o apoio do Gerrard ou do Sturridge; segundo, porque falta criatividade e força (ou mesmo vontade de ganhar, garra) aos ingleses, porque, sinceramente, não dá para ficar esperando que o Henderson, o Allen e o Downing produzam alguma coisa. O que nos leva, novamente, para a questão fundamental: elenco. O dos Reds é fraco. A impressão que passa é que o time está sempre jogando com o time reserva reforçado pelo Suarez e pelo Gerrard.
Ontem, ao ler um texto na página do Liverpool me deu vontade de rir: "All of the big names are on the plane to Russia aside from January signings Philippe Coutinho and Daniel Sturridge - both of whom are ineligible." ["Todos os grandes nomes estão no avião para a Rússia, menos as contratações de janeiro Philippe Coutinho e Daniel Sturridge, que não puderam ser inscritos."]. A "graça" desse texto é que se você parar para pensar, quantos "grandes nomes" o time de Anfield possui?
O Zenit, que não é um grande time, precisou de um "grande nome" (e que nem é um grande jogador) para abrir vantagem e as portas para a vitória...
Enquanto isso, o Liverpool continua gastando um bom dinheiro, porque querendo-se ou não gastar 12 milhões é dinheiro, em promessas quando a maioria dos times gasta menos para contratar bons jogadores, muitos deles já concretizados e, mais importante, que podem fazer a diferença. Mas não os Reds, eles, ao que parecem, vão continuar esperando e torcendo pelos brilharecos do Downing, do Henderson, do Allen, do Borini, do Shelvey e do Sterling...

Avaliação dos jogadores:

Reina: não teve influência direta no resultado, mas continua dando sustos... 5,5.
Johnson: jogo regular, 5,5.
Skrtel: contra a falta de mobilidade dos russos não teve dificuldades, 5,5.
Carragher: seguro, foi beneficiado pela lentidão do Zenit, 5,5.
Enrique: compareceu pouco ao ataque, na defesa, não foi exigido, 5,5.
Allen: não é um verdadeiro cabeça-de-área, também não é um meio-campo criativo, 5,5.
Henderson: na maioria do tempo parece desinteressado pelo jogo, quando teve a sua chance ficou com medo de entrar na dividida com o defensor adversário, 4,0.
Gerrard: participou pouco no primeiro tempo, no segundo tentou criar alguma coisa, mas, sozinho, não conseguiu, 6,0.
Downing: outro que parece não ter interesse nenhum no jogo, 4,0.
Sterling: sumido, 5,0.
Suarez: perdeu oportunidades que não costuma, e não deve, perder, foi, no entanto, o único perigo real à defesa adversária, 6,0.

P.S.: Depois de escrever isso, trombei com a seguinte afirmação de Rodgers: "In 6 to 12 months' time, we won't be making those mistakes. This is part of our growing pains as a group. We have to be more clinical." [Daqui a 6 a 12 meses, nós não cometeremos mais esses erros. Isso faz parte do nosso gradual crescimento como um grupo. Temos que ser mais incisivos."]. É aqui, como já disse acima, que mora o problema: esse time não vai ser mais incisivo pelo simples fato de que os jogadores dele não são, é um time que vai continuar tentando (alguns dos jogadores nem isso), enquanto os outros vão e conseguem. West Brom, Aston Villa, Oldham, Swansea e, agora, o Zenit estão aí para confirmar isso.

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